O Mitraísmo
“ ...tudo vem de deus, nada pode emanar de outra parte. Deus existe e nada mais existe a menos que deus traga isso à existência ”. 1 9 9 6
Cabala.



Não se pode compreender as religiões atuais sem que se conheçam algumas de suas raízes. Temos mostrado que as religiões e doutrinas atuais são reflexos de religiões muito mais antigas. Dissemos o quanto de ligação existe entre algumas doutrinas atuais e o Gnosticismo; entre este e o Mazdeísmo de Zaratustra, entre este e Apolônio, portanto entre o ocultismo e a magia. Queremos nesta palestra mostrar a ligação que existe entre o Mazdeísmo e o Mitraísmo, religião que floresceu na Pérsia antes do Mazdeísmo e que nos dois primeiros séculos da nossa era e que teve grande divulgação no Império Romano.
Mitra é citado na Índia como sendo um dos doze Âdityas ou personificações do Sol. Nos Vedas encontra-se associado com Varuna, sendo Mitra o deus que rege o dia e Varuna[1] o que rege a noite.
Mitra dos Vedas, por semelhança do nome e por ser uma forma do Sol, guarda, portanto, estreita relação com o Mithra dos persas ou Mithra, antiga divindade iraniana, o DEUS SOL, pelo que era simbolicamente representado pela cabeça de um leão. Era o Indo-iraniano Deus da Luz celeste. Sua imagem chegou até o Império Romano onde deu lugar ao Mitracismo que absorvendo elementos do Mitraísmo babilônico e do dualismo mazdeista.
Em Roma o Mitraísmo foi o mais importante culto dos mistérios e assemelha-se ao Deus Solar semítico Shamash. Na liturgia católica ainda está presente naquele barrete alto e cônico usado pelos bispos e que é chamado de Mitra. Algumas vezes as funções, e mesmo o território de um bispo é chamado de mitrado.
Mithra é uma divindade ainda hoje muito conhecida na Índia representando uma forma do Sol, uma Divindade Solar comum aos indianos e aos iranianos em cujo panteão é o Deus do direito e da Luz, e que por isso vê tudo em plena claridade, por isso ele pode julgar mais eqüitativamente.
Segundo a doutrina persa Mithra voltará como juiz dos homens, pois é a deidade que carrega os pecados e expia da humanidade.
Mithra está relacionado com o ocultismo supremo, cujos ensinamentos se apresentavam durante os Mistérios Mitráicos. Essa divindade é o Princípio Mediador colocado entre o mal e o bem, entre Arimã e Ozmud.
Mithra é o distribuidor da luz e dos bens, mantenedor da harmonia no mundo e guardião protetor de todas as criaturas. Sem ser propriamente o sol ele é a representação do Astro Rei e é invocado como tal.
Nas cerimônias mazdeístas, Mithra é a força imanente do Sol, concebido como regulador do tempo, dominador do mundo, e agente da vida. Os Vedas confirma essa interpretação relativa ao tempo, dá o mesmo sentido ao próprio tempo, representado na formula cristã “per quem omnia facta sunt ”, que significa : “Pelo qual tem sido feito todas as coisas”.
Na Pérsia foi objeto de uma seita mais ou menos secreta que fez dele o Deus Principal e a quem se Lhe associou um animal sagrado de origem totêmica, o touro. Segundo uma lenda, Mithra teria domado e depois sacrificado um touro, cujo sangue teria dado origem a todos os seres vivos. Segundo alguns dos seus adeptos ele é o Criador Supremo, mas para outros é apenas um mediador entre o Deus Supremo e os homens, o Salvador das almas.
Segundo alguns especialistas Mithra representava o Sol, o Deus Supremo; para outros ele seria apenas um mediador entre o Deus Supremo e a humanidade, estando entre o Arimã, o mal, e Ozmud, o Bem. Assim sendo ele estaria eqüidistante dos extremos, portanto, englobando em si os dois princípios oposto. Como tal corresponde à doutrina cabalística quando afirma que o Deus Supremo encera em Si os dois princípios. Isso nos faz entender que a existência de Mithra nesta posição tira totalmente a razão do Mazdeísmo ser considerada uma religião dualista. Mithra estaria além de Arimã e de Ormuzd compondo com estes uma Trindade.
O lado exotérico do Mitraísmo dizia que Mithra, como um dos aspecto do Sol, portanto um Deus do Fogo, chegaria o momento em que promoveria o incêndio do mundo e aniquilaria definitivamente as trevas assim como o mal e ressuscitaria os mortos. Nesse sentido equivalia a vitória de Ozmuzd sobre Arimã e a volta ao estado monástico do Universo.
O Mitraísmo era uma religião que prometia a salvação universal para a qual se voltavam imensas esperanças. O seu lado exotérico tinha muito a ver com o touro e na sua forma popular envolvia o sacrifício de um deles. Havia sacramentos iniciáticos; batismo, purificação pelo mel, comunhão com pão, água e uma bebida sagrada que os estudiosos julgam ser vinho consagrado, mas que na realidade é algo que eles mantiveram em segredo.
Quanto ao seu lado esotérico pode ser considerada como uma religião de mistérios. Existia uma iniciação que assegurava a felicidade sobre esta terra. Os iniciados chamavam-se entre eles pelo nome genérico de irmão. Chamavam de “pais” os seus dirigentes e “pai dos pais” o chefe supremo.
Agora podemos revelar um segredo ligado ao Mitraísmo que poucos tiveram acesso antes. O Mitraísmo era uma das mais iniciáticas entre as religiões do passado. O seu lado esotérico era constituído por um número proporcionalmente pequeno de pessoas que tinham acesso aos conhecimentos mais elevados. O “ vinho Iniciático” na realidade era uma poção preparada a partir de certa variedade de cogumelo que germinava no esterco de boi. Sabe-se que alguns cogumelos de ação psicoativas nascem no esterco de gado e esta é a razão pela qual as vacas na Índia, e touro em varias civilizações, como por exemplo a Minóica, eram animais considerados sagrados.

O touro era tido como a fonte do esterco no qual germinava o cogumelo a partir do qual era preparado uma bebida de efeitos psicoativos capaz de ocasionar estados modificados de consciência. Através da sua ação abriam-se as portas das percepções, havendo uma ampliação da consciência, desdobramento e êxtase. Assim sendo, o iniciado aprendia como preparar e usar o “vinho” sagrado mediante o que ela podia ter acesso a níveis superiores de consciência.
Por certo que o Mitraísmo não foi a primeira religião a lançar mão de substâncias psicoativas com o intuito de estabelecer estados alterados de percepção. Sem dúvida alguma todas as culturas que tiveram ou que têm mitos relativos à natureza sagrada do boi, por certo tiveram ou ainda têm ligação com estados modificados de consciência.[2]
Também queremos dizer que, desde épocas imemoriais existem ritos relativos à comunhão. O Mitraísmo é citado como uma das religiões que tinham o “sacramento da comunhão” entre os seus rituais.
Como tudo tem duas faces, nesse campo também a força negativa penetrou induzindo pessoas a consumirem substâncias psicoativas inadequadas ao desenvolvimento espiritual. Por outro lado, visando ser evitado elas fossem usadas de forma profana, a fonte, assim como os métodos de preparação e utilização, só eram conhecidos através da iniciação. Não podemos negar também que existiam muitos sacerdotes ciumentos que temiam que as pessoas passassem a usar o “vinho da verdade” independentemente e assim pudessem competir com eles. Toda uma problemática político-social estava envolvida com o uso incontrolado dos “alucinógenos” e esta é também uma das razões óbvias pela qual sempre houve tantos mistérios e restrições inerentes à preparação e uso daquelas substancias.
Mas o segredo era apenas parcial, os iniciados não tinham como esconder a ligação existente entre o boi e os rituais secretos. Os não iniciados percebendo que existia essa ligação procuravam descobrir os mistérios envolvidos e assim tomavam o touro como animal sagrado. Por outro lado os iniciados até mesmo incentivavam isso como meio de preservação daquele animal que para eles era deveras importante. Assim, os não iniciados criaram inúmeros rituais relativos ao touro, desde competições esportivas, como era comum na Civilização Minóica, quanto atividades ritualísticas como, por exemplo, o batismo e mesmo a comunhão com sangue[3]. Nisto a força negativa teve participação direta.
Na doutrina esotérica dava-se ênfase a rituais solares. Os mitraístas diziam que o conhecimento obtido através dos rituais iniciáticos estavam ligados ao Sol e que sendo este a fonte da vida na terra, uma emanação do Deus Supremo que beneficiava a humanidade inteira tornava bem mais fácil a vida na terra e a libertação da alma. O veículo para se chegar até a fonte de conhecimentos, representada pelo Sol, era o “vinho sagrado”. Pelo conhecimento que era trazido por meio do chá a pessoa podia chegar com mais facilidade à salvação, pois se tornava conhecedora de verdades capazes de libertá-la, de salvá-la. Por isso os Mitraístas chegavam a prometer a salvação ainda em vida, no pressuposto de que a abertura de consciência promovida pelo chá ritualístico favorecia a libertação do espírito.
Mithra era, portanto, o guia espiritual da consciência em estado ampliado de percepção, um Ser intermediário entre o Deus Supremo e a humanidade, exatamente aquele a quem foi dado libertar o espírito aprisionado na roda das encarnações. Na linguagem hindu, se libertar das encarnações significa “queimar o carma”. Assim entende-se o que o Mitraísmo queria dizer quando falava que no final Mithra incendiaria o mundo. Isto era a maneira simbólica como eles afirmavam que a existência de um fogo transformador que viria redimir a humanidade exterminando o mal supremo.
Alguns consideravam Mithra como o Ser Supremo, o ápice da Trindade. Neste caso ele seria o próprio Deus , o ápice do Triângulo que tem por base Arimã e Ormuzd. Comparando-se com a doutrina do Fogo Sagrado Arimã seria a Água e Ormuzd o fogo sagrado e Mithra a Luz (em todas as doutrinas representadas no plano terreno pelo SOL). Esta é provavelmente a hipótese verdadeira. Comparando-se com algumas escolas monísticas gnósticas Mithra seria o Supremo Deus de Bondade inteirando uma Trindade com “Demiurgo “e com “O Redentor”. No Catolicismo O Pai, o Filho, e o Espírito Santo. Na cabala com “Kether”, “Hokhmah” e “Binah”.
O Mitraísmo foi difundido no imenso Império Romano, sobretudo através dos soldados destacados nas colônias orientais a partir do século I da era cristã. Fez numerosas conversões em grande número nos séculos II e III, e o próprio Imperador Cômodo o adotou como religião. Essa doutrina não encontrou tanto eco no mundo helênico quanto no romano aonde chegou a ter grande desenvolvimento na própria Roma, em Óstia, assim como na região da Renânia e danubiana.
Vemos o porquê de tantas religiões antigas terem o boi como animal sagrado, como acontece ainda hoje em toda a Índia. Já na Suméria, 4.000 anos a.C. o touro era um animal sagrado. Nos túmulos de reis as Suméria foram encontrado estatuetas desse animal, que também era um animal sagrado no Egito onde há muitos touros embalsamados
Trouxemos este estudo sobre o Mitraísmo porque, sem dúvidas, e uma religião que exerceu grande influência nas seitas e doutrinas cristãs, embora isso não seja usualmente citado. O ritual católico, por exemplo, contém muitos ritos e símbolos Mitráicos. A comunhão cristã, por exemplo, tem origem no uso do “vinho sagrado” do esoterismo mitráico.
Quando falamos das iniciações no antigo Egito falamos do uso de bebidas sagradas e de incensos especiais que tinham como objetivo despertar níveis ampliados de consciência no iniciando e, por certo, algumas daqueles bebidas eram extraídas de cogumelos que nasciam no esterco.
O uso Iniciático das bebidas psicodélicas foram incorporadas a muitas religiões, representadas simbolicamente nas religiões cristãs pelo próprio vinho, isto em decorrência da força negativa que conseguiu promover essa indesejável substituição.[4]
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O deus da água, o deus marinho, porém muito diferente do “Deus” grego Netuno. É uma das mais antigas divindades védicas, Água para os Vedas a significa as “Águas do Espaço”, o que constitui o céu e tudo que o rodeia. Em certo sentido é o mesmo que Âkâza ( Akasha ), o principio do qual todas as coisas foram criadas. Varuna sem dúvida alguma é o protótipo de Ouranos dos gregos. Como diz Mouir: “As maiores funções cósmicas são atribuídas a Varuma. Dotado de ilimitado conhecimento sustenta o céu e a terra, mora em todos os mundos como governador soberano. Os atributos e as funções que lhes são atribuídas conferem-lhe caráter, elevação moral e uma santidade que supera muitíssimo àquela que é atribuída a qualquer outra divindade médica. ↑
A ligação entre os surtos evolutivos promovidos por substancias psicoativas foi um segredo muito bem guardado durante milênios. Atualmente o assunto veio à tona porque ocorreu um surgimento do uso de drogas positivas perigosas, e, assim sendo, o lado positivo teve que divulgar, ou até mesmo estabelecer sistemas capazes de fazer uso dessas substâncias de forma construtiva o que no passado era feito somente através de sociedades secreta rígidas. Do mesmo modo, algumas publicações importantes e sérias têm aparecido disponíveis nas livrarias. No Brasil podemos mencionar as obras de Terence Mc Kenna: “Alucinações Reais”, “ O Alimento dos Deuses” e O Retorno à Cultura Arcaica”. ↑
Como já dissemos em palestras sobre a energia sutil, isto evidentemente interessava de perto à força negativa. ↑
Quando escrevemos sobre Apolônio de Tiana mencionamos como o vinho foi introduzido no ritual da missa. Palestra sobre Apolônio de Tiana consultar site
http://users.hotlink.com.br/egito/ ↑