Saltar para o texto
Primeira Câmara
Tamanho da letra

O Deus que Governa e o Deus Princípio

Tema 0.532 · Temas Complementares · 1 965 palavras · cerca de 13 min

“ Do irreal, guia-me ao real! Da escuridão, guia-me à luz! Da morte, guia-me à imortalidade!

Prece Hindu.

1 9 9 6

Ilustração do documento original

Na palestra 525 falamos sobre algumas doutrinas que colocam Deus num nível que transcende o próprio universo. Isto não é absurdo algum desde que na atualidade o pensamento atual da ciência, especialmente da física quântica, coloca “algo inexplicável” ocupando aquela condição que poderosos chamar de “nada”. A ciência hoje não admite a idéia de um “nada” absoluto, a condição em eu coisa alguma imaginaria é colocado eles chamam de “vazio quântico”.

Para que possamos nos manter em dia com o pensamento da ciência atual sobre aquela condição que s chama “nada” transcrevemos um excelente artigo escrito pelo comentarista cientifico Manoel Barbosa publicado na seção Tecnologia do Conhecimento do jornal Diário de Pernambuco em l995.

A inesgotável riqueza do nada:

O “nada”- ou os vazios quânticos - é uma das principais preocupações da ciência, atualmente. No “nada”, desconfiam os cientistas, parece está a matriz do Todo. Ou de tudo. Ou do universo material em que vivemos. “O vazio está cheio de alguma coisa que não é matéria””, define Henri Laborit, biólogo francês conhecido pelo seu materialismo radial e a intolerância com as tendências místicas de alguns cientistas. No vazio quântico há tudo e nada, ao mesmo tempo. Alguns físicos simplificam a questão e dizem que no vazio/nada há “informação” assim pensava o brasileiro Mário Shemberg. Laborit considera essa definição insuficiente e dá uma explicação mais elaborada para o conteúdo do “nada”: “Variações de campos elétricos provocados pelo epicentro da matéria e que persistem quando a matéria já lá não está”. Outro físico, David Bohm, fala de “ordem implícita”. Ele quer dizer: a matéria está implícita no “nada”- no vazio há pré-forma; é o molde invisível do molde visível - que somos nós e as coisas. Beneviste, pesquisador francês, provou que a matéria tem memória. Realizou experiências mostrando que, quando a matéria deixa de existir num ponto , ficam os vestígios. Até água deixa esses vestígios - ou memórias. As experiências de Benveniste foram testadas em vários laboratórios e os resultados comprovaram a afirmação, à primeira vista fantástica. Burr e Sheldrake, dois biólogos, dizem ter identificado “campos de vida”, ou campos morfogenéticos. É mais ou menos como a “ordem implícita” de Bohm no reino biológico: cada organismo teria uma pré-forma da qual os genes seriam apenas mensageiros materiais. Esse conceito também é chamado de “modelo organizador biológico”. Einstein, no seu intuicionismo avassalador, pensou ter identificado no universo essa força invisível contida no “nada” - a ordem implícita de Bohm - e a incluiu num sistema conhecimento como “constante cosmológica”. Desacreditada - e até repudiada pelo próprio Einstein, depois - a constante foi recentemente reabilitada com as descobertas do Telescópio espacial Hubble. Aliás, com a não descoberta, pois o Hubble não detectou a chamada “massa invisível”. Essa massa era a explicação dada pelos astrônomos para ocorrências cósmicas inexplicáveis pelo volume de massa visível. Ou seja: a massa detectável no universo não bastaria para produzir o próprio universo. Deveria haver massa oculta e que constituiria 90% de todo o cosmos. O Hubble demoliu essa crença e pôs no seu lugar uma explicação parecida com a constante cosmológica. A de que há alguma coisa muito poderosa no “nada” dando origem ao todo - e muitos até a estão chamando de Deus. Para o físico inglês Sepphen Wawking isto não é novidade. Ele já vem falando da “mente de Deus” para justificar o comportamento da matéria que volta para o “nada” pelas goelas dos insaciáveis buracos negros e atravessa a barreira do tempo. ]

A ciência, com embasamento matemático, nega a existência de um “nada” absoluto, quando afirma existir algo indefinível, indetectável, inefável, fonte de “informações” além do Universo. Este pensamento da ciência moderna está em conformidade com o pensamento dos místicos de alto nível de todos os tempos, especialmente os orientais, habituados à meditação sobre conceitos metafísicos elevados. É exatamente num nível além do universo, ou seja naquele “nada quântico” referido pela ciência atual, que eles colocam Deus, o Poder Superior.

A fonte de todo o conhecimento, o propósito primeiro de tudo quanto foi criado e mesmo daquilo que ainda não foi criado existe como ao menos como “informação” na citada “Inesgotável riqueza do Nada ”pois ali tem tudo e tem nada. A ciência pode chamar de “pré-forma da forma” ou “ordem implícita de Bom “, ou “modelo organizador” mas nomes não causam diferença alguma, o que importa é que lá está uma fonte de consciência.

A própria ciência tem indagado sobre coisas abstratas como pensamento e consciência, indagado também se o próprio pensamento também é feito do “nada”. Para a filosofia perene - o conjunto do saber antigo, originado no oriente - a consciência é o próprio nada. Psicólogos - freudianos e comportamentais, neuro-fisiologistas e biólogos têm tentado em vão, identificar a substância mental e a sede da consciência. Ai, surgem uma outra dúvida: a consciência é uma propriedade apenas do ser humano ou os animais, e a própria matéria, também a têm? No caso, a consciência - como a mente - seria algo especial, substrato do Todo, ou apenas produtos das interações neuroquímicas de um organismo? Isto para a ciência ainda é um mistério insondável embora que, para o místico, seja algo bem claro - a consciência é um aspecto do próprio Poder Superior.

Técnicos que buscam criar inteligência artificial ( organismos cibernética ) não desistem do propósito de construir máquinas conscientes e se isto chegar a ser possível a questão está respondida dentro da conceituação mística; “Onde quer que se faça presente uma estrutura apta a manifestar consciência ela ali se fará presente desde que se trata de um Poder que inunda todo cosmos”.

Um dos maiores pesquisadores na área da “inteligência artificial”, John McCarthy, acredita que dentro de algumas gerações as máquinas comportar-se-ão como tivessem cérebros iguais aos cérebros humanos, e que em mais duas gerações elas sertão dotados até mesmo de paixões e sentimentos.

Ao místico não causará espécie se isso vier a acontecer desde que tal coisa não invalida a idéia da existência de um Poder Superior, bem pelo contrário, será um reforço à idéia de que existem manifestações de algo absoluto, presente em todos e em tudo.

Numa máquina dotada de inteligência esta não será algo inerente à máquina e sim a algo que apenas se manifesta nela desde que, se tudo faz parte da “Inesgotável Riqueza do Nada”, do “Vazio que está cheio de alguma coisa que não é matéria”, daquele chamado “Vazio Quântico” - denominações dada pela ciência - . Isto é básico na metafísica espiritualista que considera a consciência como sendo um dos aspectos do próprio “nada”, ou, indo mais longe, ela é o próprio Nada, é o Poder Superior que se manifesta onde quer que exista algo e segundo o modo peculiar de cada coisa. Assim sendo é que ela se manifesta de uma forma peculiar numa pessoa humana, de uma outra maneira num vegetal, num mineral, ou mesmo numa máquina, desde que tudo é mente no universo, portanto tudo tem consciência.

As religiões que podem ser consideradas monistas estritas são exatamente aquelas que falam de uma causa primeira, abrangente, imanente em todas as coisas, de onde tudo proveio e para onde tudo voltará, causa esta que tanto está no universo quanto fora dele, e assim sendo totalizando exatamente o “Nada”.

Toda a religião que situa Deus apenas dentro da criação, inerente ao universo apenas, na realidade não pode ser considerada monista e sim dualista desde que, onde quer que se coloque algo dentro da criação, incontestavelmente, este algo tem o seu oposto, pois esse universo é dual, nele prevalecem princípios básicos, entre este o da polaridade e o da correspondência, além de outras, citadas por Hermes Trismegistus. Estando Deus dentro do universo ele tem que ter o seu oposto, a polaridade oposta.

O Zoroastrismo seria uma religião essencialmente dualista se só falasse em Arimã e Ormuzd, se não falasse de um Princípio Anterior, a fonte de onde essas duas expressões emergiram, e como fala ela pode ser considerada monista.

As religiões podem ser classificadas, em sua maioria, em dois grupos basicamente distintos: Religiões Proféticas e Religiões Místicas. Há uma grande diferença entre esses dois grupos. As proféticas, predominantemente ocidentais, falam de um Deus que governa o Universo e que comunica sua vontade através dos profetas e admisntradores da lei. Esse Deus está à direta e pessoalmente voltado para manter a ordem em seu mundo, e para o estabelecimento da relação com o homem. Assim é um administrador da lei, por excelência, agindo no tempo e tempo espaço e tendo como elemento central o homem. É dele que Pascal falava: “Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, não o dos filósofos e dos mestres”.

As religiões místicas, predominantemente orientais, falam de um Deus metafísico. É o Deus das religiões orientais, Deus dos filósofos, tanto que chamá-Lo de Deus pode ser considerado um engano por não se tratar de um “ente”, mas um “princípio”. É o principio do ser imutável, ao mesmo tempo em que é, também, a fonte de todo o porvir, a fonte de toda atividade, o UM do qual procede toda multiplicidade Na China é chamado Tao, o “Caminho”, em hindu, Brahmân, o imutável, e em algumas doutrinas Poder Superior, o Uno, o que não depende de nada, livre de sentimentos e paixões, que está dentro, que é infinito, conteúdo e continente de tudo quanto há.

Um dos objetivos da força negativa, quando não consegue levar a pessoa à descrença, pelo menos ela tenta que o crente aceite o “Deus que governa”, no lugar do “Deus Principio”, que aceite Deus como um “ente” e não como “UM Princípio Consciente”; um deus dentro da multiplicidade, da fragmentação e não fora dela; um deus dentro do finito e não no Infinito. Assim ela age pois é fácil deformar um “ente”, ou mesmo colocar-se no lugar dele, e atribuir-lhe as qualidades mais diversas; o que não é possível ser feito em se tratando de um Deus Princípio Único.

No princípio único não há possibilidade de ser colocado a polaridade mal e Bem; pois o Poder Superior é o princípio imutável que, ao mesmo tempo, permanece no universo e ocupa a consciência de cada ser. Somente aquilo que é inerente ao universo é que está sujeito à lei da polaridade, ao nível do Principio UM não existem leis pois ele é a própria Lei Maior e absoluta, sendo assim não pode existir o mal pois este é uma condição inerente à lei da polaridade.

Na realidade tanto o Zoroastrismo não admitia o mal como não tendo princípio. Assim também era o pensamento do Gnosticismo dos primeiros séculos, especialmente o Valentiniano que não admitia a existência do mal primordial. Diziam acertadamente, o mal, com os seres responsáveis por ele, somente surgiu não precedeu à criação do universo, nem sequer na primeira das etapas da criação, mas sim num estágio posterior dentro do processo de emanações originadas do mundo divino.

Vemos que esse pensamento gnóstico tem raízes na própria Cabala, isto é, ele representa aquilo que faz parte dos registros da Tradição onde reza que o mal não preexistiu a Kether, portanto não existindo nem nos véus ( Ain - Ain sof - Ain sof aur ), e nem também no Divino Azilut - nível da Emanação

Algumas escolas gnósticas afirmam que a ultimas dessa emanações denomina-se de Sófia ( Saber) e corresponde ao início da existência material do universo foi quando o mal teve início. Na cabala somente quando emergiu o Divino Beriah, - nível da criação - foi que o mal apareceu.

Ilustração do documento original

Portanto, o mal não surge como força autônoma, mas sim dentro do mesmo processo de emanação do qual se origina o Bem.

********************