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Sophia e o Mito Bíblico de Adão e Eva

Tema 0.559 · Temas Complementares · 1 366 palavras · cerca de 9 min

"A raiz de todo mal reside na própria natureza da criação"... 1 9 9 6

Isaac Luria.

Ilustração do documento original

Ilustração do documento original

Vimos em palestra anterior que na constituição da Tríade Superior no processo da criação o "Princípio" da Consciência Khristos permaneceu integrando o sephirah Hokhmah enquanto que o "Princípio" Sophia, juntamente com mais 29 arquétipos de consciência integraram o sephirah Binah.

Na "Árvore da Vida" existem 32 possibilidades de manifestação que estão representados por 10 sephirot e 22 "caminhos". Sendo assim, além das possibilidades manifestáveis através de Kether e de Hokhmah existem mais 30 arquétipos das manifestações da consciência dentro da criação. Podemos dizer que em Kether existem em potencial 32 arquétipos e em Binah somente 30 desde que Kether contem Binah, mas a recíproca não é verdadeira, em Binah existem 30 formas arquetípicas.

Na realidade esse número não indica consciências individualizadas em espíritos, mas sim expressões de consciência inerente a tudo quanto existe. Como já escrevemos em algumas palestras anteriores a consciência no universo não se restringe àquela forma que se manifesta nos seres humanos e mesmo nos "seres vivos" em geral. Tanto uma pessoa tem consciência, quanto um animal, quanto uma simples célula. Podemos dizer que a consciência é a própria existência e sendo assim ela também está presente em todas as unidades que existem no universo, desde uma simples partícula atômica, passando pelos seres vivos e transcendendo muito além destes, e chegando ao nível Cósmico. Na realidade a consciência é uma só que inunda tudo quanto existe, mas que se individualiza em todas as unidades resultantes da fragmentação do universo. As diferenças são decorrências apenas das maneiras diferenciadas como ela se apresenta nas diferentes coisas.

Pelo que acabamos de expor evidencia-se que os 30 eons, arquétipos da consciência, não dizem respeito apenas à consciência do ser humano em particular, e nem mesmo a dos seres vivos em geral, mas mesmo daquelas coisas que erroneamente são consideradas inertes.

Nos eons estão as "raízes" das expressões básicas de consciência que perfazem toda a criação. Por certo muitas dessa formas não encontram correspondência nos seres que conhecemos na terra. A consciência humana, que é a consciência individualizada, tem como arquétipo Sophia, segundo a maneira de expor da doutrina gnóstica.

Toda problemática da existência humana teve origem em nível de Sophia, foi pelo seu desejo de conhecer, de detentar a sabedoria, de conhecer que se manifesta nos seres humanos como uma necessidade de objetivização de tudo aquilo que existe na mente. Toda busca do ser humano na mais é do que a manifestação do sentimento de Sophia com relação ao saber. Isto é quem promove no homem o desenvolvimento, e mesmo a evolução. Numa palestra bem anterior falamos que existe uma força no ser humano que exige a concretização das idéias. A mente sente a necessidade de gerar coisas. É por isto que um artista, um pintor, por exemplo, tem toda a idéia de um quadro em sua mente perfeitamente delineado, mas mesmo assim ele sente um desejo imperioso de transformar aquela idéia em um quadro. Somente quando ele concretiza a idéia em uma pintura, isto é, somente quando ele concretiza a idéia é que a mente fica calma. Isto na realidade é exatamente o que pode ser tido como Sophia.

O que temos que levar em conta é que o desejo de saber não é seletivo, é uma força que conduz para um lado ou para o outro, especialmente tendo-se em conta que o saber é neutro, ele é o que é, o que o torna negativo ou positivo é o tipo do direcionamento.

O que caracterizou o eon Sophia foi esse desejo de saber, portanto ela é o arquétipo do impulso de saber, de conhecer, de concretizar. Sem ela o universo imanente não existiria, tudo seria apenas um saber sem existência concreta. Essa característica de saber e conhecer são próprios de Sophia, pois nem todos os eons têm tal característica, muitos deles simplesmente deixaram-se levar de uma forma automática. A mente humana, por exemplo, direciona as coisas, isto é direciona segundo o seu querer individualizado. Isto não acontece com muitas expressões de consciência que seguem sem fazer uso de um querer direcionado, por isso são tidas como não evolutivas, são tidas como "sem vontade própria", como por exemplo, os gênios.

Assim é que nem todos os eons tinham querer individualizado, discernimento próprio, o que não acontecia com Sophia que o tinha bem ativo pelo que é denominada de "aventureira". Alguns eons seguiram sem uma linha traçada por eles mesmos, o que não aconteceu com relação à Sophia a quem foi dada à "aventura" de saber, por isto chamada de "aventureira", de ser capaz de decidir por ela mesma desde que para tanto detinha consciência individualizada. Os eons não personalizados eram arquétipos dos tipos de consciência existentes no universo mas não necessariamente do tipo integrativo dos espíritos.

Sophia era diferente dos demais eons porque nela existia o arquétipo do saber; ela queria saber, era inquieta, portanto uma "aventureira".

A criação veio de Binah mas todos os demais eons, cada um cumprindo uma finalidade estabelecida pelo Poder Superior, e não propriamente por Sophia.

Agora vamos examinemos o mito bíblico de Adão e Eva. Trata-se da mesma estória de Sophia porém apresentada de uma forma um tanto diferente. O "terceiro interesse" colocou Adão e Eva no lugar dela própria dentro da criação, ou seja na história colocou Eva no lugar de Sophia. A história como é contada na Bíblia diz respeito não ao Pai da Geração humana na terra mas sim ao arquétipo dos espíritos, ou seja Sophia.

Diz a história bíblica que Deus criou o mundo e nele criou um jardim denominado Éden onde Adão e Eva vieram habitar. " Deus disse que eles podiam comer todos os frutos do jardim menos um deles pois se assim o fizessem eles morreriam.. Eva foi induzida pela serpente a comer do fruto proibido. - " Por que vos mandou Deus que não comêsseis de toda a árvore do paraíso? - Nós comemos dos frutos das árvores, que estão no paraíso. Mas do fruto da árvore, que está no meio do paraíso, Deus nos mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que morramos. ... "Porém a serpente disse mulher: Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal . Viu, pois, a mulher que o fruto da árvore era bom para comer... tirou do fruto dela, e comeu; e deu a seu marido, que também comeu. E os olhos de ambos se abriram; e, tendo conhecido que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram para si cinturas"...

A historia de Adão e Eva foi intencionalmente colocada pelo poder negativo como sendo do primeiro casal de pessoas que habitou a terra, quando na realidade trata-se própria história de no processo da criação.

No mito bíblico de Adão e Eva vamos encontrar Sophia expressa como a Eva Bíblica, aquela que foi iludida pelo desejo de conhecer, e de se tornar igual a Deus.

Podemos ver que a Eva bíblica no paraíso mas não feito por ela, ele já estava feito quando ela veio nele habitar. Sophia quando quis conhecer o seu Pai o mundo já estava feito, ela procurou o saber pleno no mundo e na sua busca acabou por seguir o caminho a levaria aos planos inferiores. Ela não conseguiu distinguir o que era em cima e nem embaixo portanto vendo os reflexos de Deus em toda criação, não podendo subir ela desceu para se encontrar-se com a Luz. Na realidade só encontrou reflexos.

Diz a historia bíblica: "Quando Eva comeu do fruto da Árvore do Paraíso foi que em vez de encontrar Deus ela se viu "nua" e arrependida se escondeu da face de Deus".

Na realidade existe a história do primeiro casal que veio habitar a terra, mas tal como é contada na Bíblia nada mais é do que o mesmo Mito de Sophia. Eva quis conhecer tudo, ter todo o conhecimento de Deus e para isto comeu do fruto proibido, isto é procurou ver a Totalidade dentro da relatividade e este foi o seu grande equívoco.

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