A Resistência da Tradição
"A vida é uma jornada cujo itinerário é a idéia "
Victor Hugor

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO. FRC.

Com o passar dos séculos o obscurantismo inexoravelmente foi dominando completamente o desenvolvimento da atual civilização e o poder negativo dificultando o desenvolvimento espiritual da humanidade.
No século VII da era atual no mundo cristão o que restava do saber antigo e das ciências em geral estava ligado a uma instituição conhecida por COLLEGIA ROMANAE que, após a divisão do Império Romano deu lugar, na Europa Ocidental às Associações Monásticas, e no Império Romano do Oriente aos Colégios Bizantinos.
Embora certos conhecimentos espirituais e aqueles inerentes às ciências em geral já houvessem sido totalmente esquecidos, mesmo assim uma boa parte ainda restava mesmo que aquelas organizações já não mantivessem ligação direta com a TRADIÇÃO. O Catolicismo ainda não havia sido totalmente sufocado pela conjura, ainda existia uma boa parcela de conhecimentos esotéricos dentro da religião Católica.
Aquelas instituições permaneceram ativas do século VII até o século XII e nesse espaço de tempo lentamente elas foram perdendo o que ainda restava dos conhecimentos milenares em decorrência da atuação sub-reptícia da conjura propugnadora do obscurantismo. O esoterismo cristão foi sendo substituído pelo exoterismo e mesmo assim expurgado de tudo aquilo que não dissesse respeito aos interesses da conjura do silêncio. Ã medida em que a resistência dentro do Cristianismo foi cedendo paralelamente foi crescendo uma terrível forma de repressão ao saber, causa do surgimento da Idade Média, que acabou se transformando na temível inquisição.
Quando os sábios progressistas, pensadores e filósofos, perceberam que aquelas associações já estavam completamente vazias quanto à missão de conservarem os conhecimentos passados, insuflaram a estruturação de novas formas de progresso visando à libertação dos seres humanos que caminhavam nas trevas. Assim foi que eles procuraram, inspirados pela TRADIÇÃO, organizar outras corporações que mantivessem vivos os conhecimentos de todas as ciências e artes da Antigüidade, bem como da verdadeira história dos homens.
Desta maneira surgiram inúmeras corporações que na realidade nada mais eram do que autênticas sociedades secretas. Na realidade poucos sabem que aquelas corporações da Idade Média tinham dupla finalidade; defender os interesses da classe que representava - tal como o fazem atualmente os sindicatos de classe - e secretamente manterem vivas as técnicas e conhecimentos especializados.
Organizados em CORPORAÇÕES era fácil manterem em segredo muitos conhecimentos indispensáveis às suas profissões pois qualquer forma de saber era alvo da sanha persecutório da conjura através da inquisição. Somente estruturados em corporações o conhecimento podia ser de certa forma preservado e ensinado quando o saber sob qualquer forma era interditado pois então todos os meios de divulgação e de ensino estavam nas mãos de um clero fanático por trás de quem atuava os verdadeiros membros da conjura e também os seres das trevas.
Surgiriam muitas CORPORAÇÕES de profissionais das mais diferentes atividades, e entre elas merece destaque especial a dos construtores que visava além da defesa da classe também em especial a preservação dos segredos ligados àquela e a outras profissões.
Graças àquelas corporações uma pequena parte dos conhecimentos antigos foram preservados. Esse sistema foi uma das formas de resistência ao obscurantismo insuflado pela Tradição. Se assim não houvesse sido o mundo moderno muito teria perdido e o renascimento talvez ainda não houvesse ocorrido, por certo ainda estaríamos vivendo o Período Medieval.
As religiões, especialmente o catolicismo, condenaram toda as ciências, afirmando que através delas o demônio tentava expandir sua ação nefasto e destruir a alma dos homens. A conjura nunca informou diretamente os seus propósitos, apenas afirmava que o conhecimento foi o que levara à condição de anjos caídos.
Anjos caídos tem tripla significação. Representa ocorrências da história da humanidade. Uma dela é a descida da Consciência Cósmica até o homem terreno, da LUZ até as trevas.
Outro significado diz respeito aos cientistas da Atlântida, altamente desenvolvidos nos conhecimentos mais profanos da natureza, senhores de muitos poderes, vivenciadores de conhecimentos considerados divinos, mas que acabaram por desobedecer a princípios sagrados e desviaram-se para o polo negativo daquilo que a ciência lhes oferecia, chegando ao ponto de trair até mesmo o princípio universal da conservação das espécies provocando uma grande catástrofe, interferindo assim na linha evolutiva programada pela Consciência Universal.
O terceiro significado é aquele dito pela tradição judaico-cristã. Os anjos criados se rebelaram contra Deus julgando-se tão sábios quanto Este. Vencidos foram afastados , partindo desde então com o propósito de disseminação do mal através de revelações dos conhecimentos sagrados.
Existem muitos mitos que dizem que a alquimia, a Cabala e outros conhecimentos sagrados foram dados aos homens pelos anjos em desobediência à determinação Divina. Anjos que se tornaram demônios, assim o conhecimento passou a ser considerado como arte satânica.
Desde a época dos egípcios o saber se tornou objeto de perseguições e, desde então nos bastidores, organizações se degladeiam com o propósitos opostos cada uma dizendo que o seu objetivo é a preservação da humanidade. Essa luta motivou perseguições aos conhecimentos antigos, desde épocas imemoriais junto às mais antigas culturas do nosso passado histórico.
Podemos sentir essa perseguição no Egito quando uma pensadora, filósofa e talvez sacerdotisa chamada HIPÁCIA foi trucidada no ano 415 da nossa era, por ser uma grande conhecedora das ciências interditas. Então já a civilização egípcia havia sido destruída pela conjura, o povo voltado a um estado quase que primitivo, existindo apenas focos de resistência inspirados pela TRADIÇÃO. Após a morte de Hipácia os conhecimentos antigos, especialmente os ligados à Atlântida, à Alquimia e a Gênesis chegou ao fim como conhecimentos de públicos.
Naquele momento chegara ao fim os dias de glória dos grandes conhecimentos no Egito e os cultores de muitas artes e ciências procuraram abrigo na Grécia onde tiveram durante certo tempo certa liberdade. Mas a conjura não dorme, e assim no ano 529 todo o ensino das ciências antigas foi banido por determinação do Imperador Justiniano. Dai por diante as ciências e muitas artes passaram para a clandestinidade e assim apenas eram cultivadas por grupos secretos ou por adeptos isolados e ignorados.
Restringindo toda forma de conhecimento antigo, o mundo por certo teria perdido tudo se não fosse à resistência da TRADIÇÃO quer sob várias formas tentava salvar o possível. Já então a Tradição não conseguia mais estabelecer um sistema de vida como fizera antes no Egito e que perdurou por alguns milênios. Ela apenas visava guardar documentos, copia-los preservando o máximo possível para uma restruturação futura.
Tudo estaria perdido no mundo ocidental se não fossem os grupos de resistência da Tradição que se fez presente mesmo dentro da própria igreja católica. Entre esses grupos citamos especialmente os Monges Bizantinos que tinham como missão copiar e arquivar todos os manuscritos antigos a que tinham acesso, mesmo assim contrariando as normas estabelecidas por inúmeros dirigentes religiosos da época. Graças àqueles monges uma imensa quantidade de manuscritos forneceram informações sobre os antigos alquimistas como aqueles que se assinavam por pseudônimos de Cleópatra, Hermes, Isis e muitos outros.
Todo o trabalho daqueles monges foi interrompido quando o Papa Alexandre III no Concílio de Trento proibiu definitivamente se trabalhar e pesquisar ciências físicas e naturais, seguindo-se a proibição imposta por Honório III que declarava textualmente: " O estudo da física, da medicina, e das ciências naturais, é banido e isso sob pena de excomunhão. Toda pessoa que violar esta regra será afastada e excomungada.:
Nos conventos e abadias existiram verdadeiras ordens secretas às quais somente alguns monges altamente escolhidos pertenciam, sem que os demais chegassem ao menos suspeitar disto, pois pertencer a um grupo daqueles significava uma decretação de morte. Assim eles guardavam segredo de suas atividades desde que as punições eram tremendas. Existia um clima de desconfianças, traições e lutas pelo poder. Isso era uma coisa tão comum que até mesmo na atualidade ele ainda existe mesmo que com propósitos diferentes. Sempre existe um clima pesado nos meios eclesiásticos, especialmente nas abadias, nos mosteiros e conventos. Embora o motivo hoje seja bem diferente do de então o modo de vida de traições e desconfianças persistiu até hoje.
Se em alguns conventos existiam grupos que visavam à preservação dos documentos antigos também haviam outros em que a situação era exatamente a inversa. Ali a conjura dominava totalmente, como acontecia com os monges da Bretanha que queimaram mais de 10 mil obras rúnicas oriundas da civilização celta.
Desta forma, sob o jugo de terrível repressão, as ciências deixaram de ser estudadas abertamente passando a sê-lo apenas por adeptos isoladamente, ou através de sociedades e corporações que, em decorrência das perseguições terríveis, tiveram que se tornar secretas, pois se eram descobertos os adeptos eram mortos inexoravelmente, dai a necessidade de provas e mais provas para alguém ser admitido no ciclo interno de muitas organizações. A recíproca também era verdadeira, qualquer um que traísse a organização, pondo em risco a vida dos demais, por certo eram também eliminados.
Com o que afirmamos torna-se mais compreensível o porquê é importante a existência de sistemas que permitam o acesso direto à FONTE DE CONHECIMENTOS.
