O Cristianismo Primitivo
" Não há dia tão lindo que não tenha a sua noite". José laércio do egito, frc
1994 - 1976 - 3330

Inegavelmente o Cristianismo dos primeiros séculos tinha um duplo aspeto: Um esotérico e outro exotérico, portanto havia um ciclo interno em que eram mostrados conhecimentos bem elevados e um ciclo externo em que os assuntos eram mais de natureza geral e que todos podiam ter acesso a eles, como ainda hoje acontece em muitas doutrinas.
Às massas apenas era ensinado o aspecto exotérico consistindo do sistema de moral e ética constante nos Evangelhos de onde os ensinamentos mais elevados foram totalmente suprimidos. No Novo Testamento restaram apenas os Evangelhos menos esotéricos, aqueles que mais facilmente puderam ser expurgados. Evidentemente todos os ensinamentos esotéricos foram eliminados das Escrituras e até mesmo vários livros (evangelhos) =foram totalmente excluídos. Aqueles que restaram, em número de 4 são chamados pelas igrejas cristãs da atualidade de evangelhos canónicos.
O MESTRE JESUS jamais escreveu Evangelhos, os existentes foram escritos pelos seguidores e bem depois do Calvário.
Nos primeiros séculos do Cristianismo haviam vários outros Evangelhos que a partir do Século II deixaram de ser aceitos, mas continuaram secretamente existindo. A eliminação de alguns livros ( (Evangelhos) e modificação nos quatro evangelhos canónicos foi obra da conjura que então já havia penetrado no seio do Cristianismo primitivo. Outros evangelhos diferentes daqueles quatro foram considerados pelas autoridades religiosas como apócrifos( falsos). Embora eles fossem tão autênticos quanto os chamados Evangelhos Canónicos.
Vale salientar que até mesmo os Evangelhos Canónicos foram revisados e muitas coisas deles foram eliminadas, em grande parte visando especificamente apagar a vida mística e iniciativa de JESUS. Assim, dos quatro evangelhos restou apenas um código de moral. De tudo aquilo que JESUS foi detentor no tocante à Sua natureza íntima e ao Seu domínio sobre as leis da natureza e outros conhecimentos restaram apenas vagas citações com referência aos "milagres". Nada restou sobre o "modus faciendi " dos "milagres". Nada restou nos Evangelhos Canónicos sobre a aplicação das leis e princípios envolvidos nos "milagres", sobre como JESUS exercia o poder sobre os elementos da natureza. Também nada restou sobre os Seus passos dos 12 aos 30 anos de vida.
É evidente que JESUS usou muitos princípios ocultos na operação dos "milagres". São princípios, leis naturais desconhecidas que postas em execução operaram os "milagres". No Universo tudo é regido por leis e princípios, assim é a natureza, assim o CRIADOR estabeleceu. Portanto milagres são manifestações de leis desconhecidas. De Deus criou uma lei não seria Ele a "passar por cima " por isso se diz que a LEI CÓSMICA SEMPRE SE CUMPRE. Embora não seja impossível para Deus alterar leis naturais Ele, contudo, nunca faz isso, seria como que desobedecer a si mesmo. JESUS, na execução dos milagres apenas usava seus elevados conhecimentos no tocante às leis naturais desconhecidas Leis ainda fora do conhecimento das pessoas foram utilizadas muitas e muitas vezes por Ele em sua peregrinação terrena.
Por outro lado, não cabem dúvidas, os apóstolos foram instruídos por JESUS ( O Cristianismo atual diz que certos podres foram induzidos aos Apóstolos pelo Espírito Santo ) quanto à prática de princípios naturais desconhecidos e diz a Bíblia que eles também operaram milagres, especialmente no tocante a cura de doentes.
O domínio de leis desconhecidas e suas aplicações pelos Apóstolos pode ser constatado na Bíblia no " Atos dos Apóstolos" embora as religiões cristãs atuais afirmem que aqueles poderes foi lhe conferidos pelo " Espírito Santo", quando na realidade aquela capacidade por eles demonstradas foram decorrentes dos conhecimentos secretos ( esotéricos ) ensinados pelo próprio JESUS e difundidos no seio dos primeiros cristãos. Era, portanto, um outro aspecto do Cristianismo inicial Cristianismo.
Os primeiros cristãos, tal como JESUS, também fizeram " milagres" pois muitos deles foram "iniciados " esotéricos, cabendo às massas apenas a parte exotérica da doutrina construída tão somente por ensinamentos éticos e morais necessários ao desenvolvimento espiritual.
O lado esotérico, oculto, de JESUS e do Cristianismo primitivo são claramente expostos nos Evangelhos Apócrifos. Entre estes citamos o EVANGELHO DOS HEBREUS, bem rico em informações sobre a personalidade de JESUS. É um Evangelho pertencente a um dos grupos de Essênios denominados EBIONITA, razão pela qual é também conhecido pelo nome de EVANGELHO DOS EBIONITAS.
Não apenas aquele Evangelho, mas todos os demais manuscritos dos Ebionitas, assim como todos os manuscritos ligados à história do primeiro século do Cristianismo, praticamente desapareceram, exatamente por serem reveladores de muitos conhecimentos e de muitas verdades que feriam diretamente os interesses da conjura.
As sociedades iniciáticas mantiveram parte da história do Cristianismo dos primeiros séculos, mas esses conhecimentos sempre foram contestados pelas religiões oficiais, dominadas pela conjura.
Com o descobrimento dos Manuscritos da Mar Morto foi que veio à tona parte da verdade mas por isso mesmo jamais o conteúdo essencial daqueles documentos foram publicados.
Vez por outra algum documento antigo é descoberto e assim um tanto da verdade tem vindo à tona. Em 1958, por exemplo, um pesquisador da Universidade de Columbia encontrou uma carta escrita por Clemente de Alexandria no ano 180 da era atual e endereçada a um cristão chamado Teodoso. Esse achado foi comunicado em 1958 à SOCIEDADE DE LITERATURA E EXÉGESE BÍBLICA. Nele Clemente responde à uma indagação de Teodoso que indagara a Clemente de Alexandria sobre uma seita então existente e que dizia que os seus ensinamentos eram baseados no Evangelho de Marcos. O evangelho de Marcos que era divulgado não continha aqueles ensinamentos conferidos pela seita. Na realidade havia um Evangelho integral de Marcos e que estava secretamente guardado na Igreja de Alexandria. Na carta Clemente afirma que aqueles conhecimentos na realidade existiam e constavam do Evangelho de Marcos, mas que aqueles ensinamentos da tal seita somente eram do conhecimento das pessoas que eram iniciadas nos grandes mistérios. Clemente afirma que havia no Evangelho uma parte que era ensinado ao povo e uma outra que somente era revelada aos iniciados. Ainda, na carta Clemente diz a Teodoso que embora aqueles ensinamentos fossem exatos e constantes do Evangelho de Marcos mesmo assim tudo aquilo deveria ser negado.
Podemos dizer que não foi apenas o Evangelho de Marcos que sofreu mutilações, mas todos os demais. Alguns foram amputados, outros adulterados e outros simplesmente banidos. Numa primeira fase do Cristianismo os evangelhos foram divididos em duas partes , uma exotérica para o povo e uma esotérica destinadas aos iniciados, mas depois esta parte foi totalmente excluída dos ensinamentos cristãos. Deixaram somente o mínimo necessário à instruções sobre a Fé. O lado esotérico foi banido, pois a conjura não podia admitir verdades históricas que por certo a desmascararia, e ainda mais os deuses de muitas religiões.
Outro ponto que merece a atenção do buscador diz respeito aos quatro Evangelhos Canónicos ( os oficiais ). Tal como atualmente eles se encontram não datam de um mesmo período. É sabido que o Evangelho de João só veio a público em torno do ano 180 da era atual, que pela primeira vez foi citado publicamente por Teophilo de Antióquia. Aquele período de 180 anos de ausência por certo é decorrente de ser o mais místicos dos quatro. Ele somente veio a público após várias modificações em seu texto original, e mesmo assim ainda hoje ele é tido como o mais místico dos quatro.
Recentemente, nos Estados Unidos uma cópia muito antiga, datando dos primeiros séculos do cristianismo foi submetido à uma análise por tecnologia de ponta em que foi emprega uma técnica especial a laser. O resultado foi estarrecedor pois a analise mostrou que cerca de 30% dele havia sido rasurado, apagado.
Há poucos anos foi encontrado na Abissínia um evangelho atribuído ao discípulo Tomé e que traz revelações embaraçosas para as religiões oficiais da atualidade.
Atualmente, com a abertura parcial que se fez sentir no Catolicismo, de certa forma foi revelado que as adaptações dos livros bíblicos realmente ocorreram. Até bem pouco tempo a Igreja negava isso de forma categórica. Essa alteração no posicionamento da Igreja Católica se deve em parte à descoberta dos famosos Manuscritos do Mar Morto, reconhecidamente autênticos seguindo a ciência arqueológica. Naqueles manuscritos há seguidas referências a inúmeros livros do Cristianismo Primitivo e que hoje não mais constam da Bíblia e do Novo Testamento.
Na realidade essa modificação de posição da Igreja deve ser considerada como uma abertura estratégica apenas, como uma forma de adaptação à opinião pública, afim de que ela continue a ser tida como uma instituição séria.
Tal modificação no posicionamento católico pode ser sentido claramente quando o próprio Vaticano fez publicar uma BÍBLIA APÓCRIFA, isto é, publicar uma Bíblia em que constam vários livros anteriormente considerados falsos. A Bíblia a que nos referimos é muito difícil de ser encontrada. ( Possuímos uma cópia com as seguintes indicações bibliográfica.
BÍBLIA APÓCRIFA
Publicada pelo: Pontificium Institutum Bíblicum
Imprimi Postat
Romae, die 8 maii 1951
Ernestus Vogh S.J.
Rector Pontificii Instituti Biblici
Imprimatur
Parisiis, die XIX Maii 1953
Textes Pour L'Histoire Sacrée
Chosis et présentés par: Daniel Rops.
Textes chisis et traduits par: J. Bonsirvan
Professeus a l' Instituti Biblique Pontifical - Romae.
Quando lemos os Evangelhos Apócrifos podemos logo sentir o porquê de não constarem entre os Canónicos. São evangelhos tão ricos em informações sobre a vida mística de JESUS que leva a pessoa a ter de admitir um período de atividades iniciáticas, aquele compreendido entre os 12 e os 30 anos. Mas admitir-se que JESUS esteve em certos centros de sabedoria ligada à TRADIÇÃO leva também a ter que se admitir a existência de conhecimentos ocultos, e desde que tal seja admitido inexoravelmente tem-se que admitir também a existência de um passado bem diferente da humanidade, e isto é o que a conjura e o terceiro interesse tentam a todo cuspo ocultar.
Outro ponto que merece ser observado é que os primeiros cristãos só revelarem certos conhecimentos a um número de eleitos, a pessoa dignas do saber superior. Por certo estas eram em número bem restrito. A grande maioria das pessoas apenas tinham ciência do lado exotérico, faziam parte do ciclo externo do próprio cristianismo.
Segundo uma abordagem exotérica, a fim de explicar os "milagres" os próprios iniciados fizeram crer que os poderes de JESUS e depois o dos Apóstolos foram conferidos diretamente inspiração mística. Ora, as leis sempre se cumprem, no Universo tudo ocorre sempre em obediência à algum princípio físico ou psíquico, e como DEUS não governa por decretos e sim por leis é óbvio que a capacidade de operar coisas excepcionais derivam basicamente de um conhecimento secreto. Esse conhecimento JESUS destruiu com os Apóstolos. É evidente que Ele era excepcional, o mais capaz entre os mais capazes do atual ciclo de civilização. Com natureza manifesta divina JESUS sabia tanto que superava qualquer sábio que pretendesse Lhe ensinar algo.
Detentor dos conhecimentos esquecidos, grande parte deles já eram difundidos no Templo de Salomão.
Como a maior parte dos primitivos cristãos não foram iniciados, como desconhecedores do lado esotérico da doutrina, eles próprios começaram a negar certos conhecimentos de JESUS, e para justificar os prodígios efetivados pelo GRANDE MESTRE invocaram a ingerência do Espírito Santo ao qual foram atribuídos os dons dos Apóstolos e dos primitivos membros do Cristianismo.
Desde o princípio do Cristianismo interesses contrários aos ensinamentos iniciáticos se fizeram sentir causando dissenções e cismas. Logo começaram a ocorrer divisões e separações entre diferentes grupos, alguns deles por divergências de interpretação, outros como decorrência de imposições quanto a necessidade de negar verdades contidas em muitos evangelhos. Alguns cismas são conhecidos historicamente mas a maior parte deles, por ser constituída por pequeno número de cristãos, nem sequer foram considerados cismas.
Um dos primeiros foi aquele que culminou com o afastamento dos Gnósticos que afirmavam a NATUREZA DIVINA de JESUS e como tal a Sua constituição física não humana. Segundo os Gnósticos e alguns outros grupos JESUS não tinha um corpo físico igual ao humano e sim um corpo fluídico.
Ainda hoje é nitidamente evidente o caráter esotérico presente no Cristianismo, especialmente na Igreja Católica através da sua ritualística e simbologia. São símbolos e rituais que os próprios ministros daquela igreja apenas conhecem o lado superficial, desconhecendo o sentido muito mais alto. São símbolos, rituais e costumes que encontram coerência naqueles de muitas doutrinas secretas. Quase todos os atos litúrgicos do Catolicismo são enigmáticos para os católicos, e mesmo para sacerdotes, bispos e outros dignatários da doutrina, mas não são estranhos aos adeptos das assim chamadas ciências ocultas. Isto acontece exatamente porque através dos séculos o Cristianismo em geral, e a Igreja católica em particular, foi esquecendo o seu lado oculto, o esoterismo cristão foi morrendo no seio das religiões.
Terminamos esta palestra com uma indagação: De onde o Catolicismo incorporou todos os seus símbolos e rituais?
