A Religiao no Antigo Egito
"A religião, por falsa que seja, de um povo ". José laércio do egito, frc.
É Elemento Necessário à Vida
J.B.H. LACORDAIRE

Diz a história oficial que o povo egípcio tinha inúmeros deuses, portanto era um povo politeísta. Mas isso não se aplica de forma alguma aos Iniciados das Escolas de Mistérios. Ali não se ensinava o politeísmo, embora induzisse o povo comum a aceitá-los. A elite que dirigia as Escolas de Mistérios tinha exata noção de um Ser Supremo de natureza metafísica e incomensurável em todos os sentidos. Isso pode ser constatado com certeza pelos livros de ensinamentos das doutrinas filosóficas de Hermes (THOTH), o pai da religião egípcia. Para isso vejamos alguns fragmentos de textos dos livros de Hermes.
"De Hermes a seu filho Tat: "Que Deus é ao mesmo tempo inaparente e o mais aparente”.
1. “Eis ainda uma doutrina, Oh Tat, que eu quero expor totalmente, afim de que não permaneças não iniciado nos mistérios d'Aquele que é muito grande por ser chamado Deus. Percebe que o Ser que parece, à maioria, inaparente vem tornar-se para ti o mais aparente. Com efeito, Ele não poderia existir sempre se não fosse inaparente, pois tudo que é aparente foi engendrado, pois apareceu um dia. Contrariamente o inaparente existe sempre, pois não tem necessidade de aparecer, é eterno, com efeito, e é Ele quem faz aparecer todas as outras coisas sendo Ele mesmo inaparente, pois existe sempre”.
3 - “Se desejas ver a Deus, considera o SOL, considera o curso da LUZ, considera a ordem dos astros. Quem é que os mantém em ordem”.
7 - “Qual mãe, qual pai senão o Deus, o Deus invisível que pela sua própria vontade tudo fabricou?”.
8 -“Ninguém afirma que uma estátua ou uma pintura possam existir sem escultor ou pintor e essa criação existiria sem um arquiteto? Oh! Cúmulo de cegueira, cúmulo de impiedade, oh! Cúmulo de irreflexão! Não separam jamais, meu filho Tat, as obras criadas de seu Criador... Antes Ele é ainda maior do que o que implica o nome de Deus, tal é a grandeza do pai de todas as coisas, pois em verdade, Ele é o único que é pai e isso constitui sua função própria: ser pai”.
Poderíamos continuar reproduzindo os ensinamentos de Hermes, exatamente aqueles ensinamentos que eram dados nas Escolas de Mistérios, mas isso seria fugir da linha estabelecida para essa palestra.
Tal como na referência Bíblica, aqui também não pretendemos atribuir qualquer cunho religioso, apenas citar referências históricas. Se citamos esses trechos foi para evidenciar que no Egito, aquilo que o povo sabia ou acreditava, não era exatamente o que os Iniciados conheciam. No futuro, em nossos estudos, todas essas noções serão fundamentais para que se possa entender o grande enigma que envolve a problemática humana do passado e do presente.
A certeza de que a idéia de um DEUS único nos ensinamentos esotéricos das Escolas de Mistérios pode ser sentida pela estória ligada ao Faraó AMENOPHIS IV (Pai de Tutacamon) Aquele Faraó procurou induzir o povo egípcio à aceitação de um único Deus, ele que era como vários Faraós, Iniciado, de uma das Escolas de Mistérios.
Por querer estabelecer a crença monoteísta aquele Faraó foi destruído, massacrado por dois lados. De um lado, o povo inculto que não queria renunciar aos múltiplos deuses por não poder conceber uma Divindade metafísica conforme aquele que Thoth descreveu para o seu filho Tat, um Deus metafísico cuja representação simbólica era o SOL (Aton).
De outro lado estavam os sacerdotes que viram, na atitude de Amenophis IV, uma traição aos segredos inciáticos, aquela idéia de um SER ÚNICO, SUPREMO ARQUITETO DO UNIVERSO. Amenophis IV era um iniciado e como tal aprendera isso nas Escolas de mistérios que tinham guardado a história da humanidade; sabiam da problemática humana desde a criação dos espíritos... Mesmo sendo um iniciado, AmenophisIV acreditou ser possível dar aquele presente ao povo, dar um pouco das verdades ocultas das massas, mas ele não foi bem aceito paralelamente à pressão tremenda imposta pelos sacerdotes dos diferentes templos, especialmente os dedicados a AMON. Embora muito daqueles sacerdotes soubessem ser verdade aquilo que estava sendo pregado por Amenophis IV, contudo, achavam ser inadmissível que aquilo fosse revelado ao povo.
Nem toda a verdade pode ser dita a quem não esteja devidamente preparado. A verdade muitas vezes pode originar mais mal do que bem, por isso, sempre é preciso se saber exatamente aquilo que pode ser dito, ensinado sem prejuízo, e também o momento de ser dito, mesmo assim, tudo deve obedecer á uma "dose exata" como se tratasse de um veneno letal. Por não pensar assim Amenophis IV ficou entre fogos cruzados: o povo de um lado, e os sacerdotes do outro e ele acossado no meio. Disso resultou uma revolução que terminou com a eliminação de Amenophis IV e com a destruição da cidade que ele criara cujas urinas ocuparam o local onde hoje existem as ruínas de uma outra cidade mais recente Tel-El-Marna.
Assim, é fácil sentir que havia duas religiões no Egito: uma para o povo, politeísta, e outra para os Iniciados, monoteísta. Essa conclusão pode ser tirada quando se lê a História, por um lado, e por outro os fragmentos da doutrina ensinada pelas Escolas de Mistérios, como os discursos monumentais de Thoth. São muito interessantes aqueles discursos. O discurso de Hermes a TAT, seu filho. Esse discurso, conhecido como DISCURSO UNIVERSAL DE HERMES, e justamente com muitos outros não menos significativos, reflete um cabedal imenso de verdades; autênticas jóias que nem mesmo a maioria dos homens de hoje têm ainda condição de senti-las em toda sua plenitude.
A religião egípcia, portanto, tinha dois caracteres. Um caráter esotérico em que era ensinado nas Escolas Iniciáticas e que afirmava que havia um único Deus Metafísico representado pelo SOL e caráter exotérico que era ensinado ao profano em que constava um panteão imenso de deuses para todos os anseios das massas.
As Escolas de Mistérios sempre eram ligadas a algum templo, onde os sacerdotes operavam fenômenos físicos para se fazerem respeitados pelo povo, embora eles soubessem ser outra a verdade. Se assim agiam era porque, somente pela Iniciação, alguém podia ter acesso ao conhecimento. Uma maneira daquela civilização ser resguardada de uma catástrofe, como a que ocorreu na Atlântida, se o conhecimento fosse totalmente liberado.
Por outro lado, sem dúvida alguma, a CONJURA agia nas sombras dentro das próprias ESCOLAS DE MISTÉRIOS, e não somente ela como também a força negativa. Dessa maneira uma série imensa de ensinamentos errôneos, progressivamente passou a ser aceitos.
Os hebreus, cativos no Egito por cerca de 470 anos, absorveram muito dos ensinamentos das Escolas de Mistérios e muitos deles, mesmo sendo escravos do Egito, chegaram a ser iniciados nas Escolas de Mistérios.
No período do cativeiro, os hebreus tomaram ciência de muito dos ensinamentos da TRADIÇÃO e assim estruturou-se o lado esotérico (oculto) da religião hebraica que mais tarde recebeu o nome de CABALA. Isso foi um acontecimento muito importante porque dessa forma grande parte do conhecimento sobre a criação foi preservada até aos nossos dias.
Se, por um lado, isso foi algo bom, por outro lado foi causa de grande confusão. Por um lado, os ensinamentos dos Patriarcas e por outro, os ensinamentos do lado esotérico da religião egípcia, fazendo com que acabasse por haver uma miscigenação de ensinamento. Essa situação só veio mudar bem mais tarde, especialmente com a vinda de SALOMÃO.
