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Iniciação do Elemento Fogo

Tema 0.464 · Temas Complementares · 2 083 palavras · cerca de 14 min

“O que encanta também protege, você nunca deve esquecer !

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Ilustração do documento original

Ilustração do documento original

Nesta palestra voltamos às iniciações dos Elementos da natureza. Um dos aspectos importantes na iniciação é que ela confere poderes à pessoa sobre os Elementos da natureza, mas isto pode custar um preço muito alto. Para que invocar um Elemental? - Quando se necessita uma forma de proteção, ou do estabelecimento de um equilíbrio a nível pessoal, da maneira de ser, o temperamento, a nível elemental.

O ambiente mágico relativo ao Fogo é o mais fácil de ser preparado. É necessária a pessoa conhecer bem alguns sons, e símbolos para alcançar uma iniciação, mas a invocação dos Elementais do Fogo é relativamente fácil, desde que o Fogo está em toda parte. Para fazer surgir o Fogo é mais fácil que fazer surgir água que somente é possível num laboratório; o Elemento Terra ainda é mais difícil requerendo um laboratório de física altamente sofisticado. A todo o momento as pessoas estão trazendo ao nível material, ao nível do mundo denso o Elemental Fogo. Acender um Fogo é fácil, mas produzir água, Ar ou terra envolve sistemas complexos.

Em temas anteriores falamos de algumas iniciações do Fogo. As iniciações mencionadas podem ser chamadas de iniciações Maiores, pois são ao nível do Mundo Dêvico. Nesta palestra mostraremos como ocorre uma Iniciação menor do Fogo.

A iniciação do Elemental do Fogo abre os olhos da pessoa para ela perceber as impurezas que precisam ser consumidas pelo Fogo interior. Inclui a descoberta da verdadeira relação dela pessoa com os outros e o que essas relações ensinam sobre a própria pessoa. Cada pessoa tem algo para mostrar à outra sobre o modo de ser desta. Nem sempre as pessoas gostam desse confronto e por vezes tentam ignorar isto, mas na verdade, em vez de agir assim derreiam procurar aprender com a pessoa, por mais difícil que for isto.

O conhecimento é como o Fogo, pode queimar intensamente.

O Fogo encera muito mais que calor, ele traz a luz, e assim capacita a pessoa a enxergar.

Uma das maneira de meditar sobre o Fogo é observar uma labareda, quer seja de uma fogueira ou até mesmo de uma lamparina ou de uma vela. Por isso, o ritual católico, que foi todo copiado dos ensinamentos de Apolônio, o Fogo está presente nas lamparinas, nos sírios e nas velas. No batismo católico o Elemento terra está representado pelo sal; o Elemento Água pela saliva, pela própria Água que é derramada sobre a cabeça do batizando, e pelo óleo; o Elemento Fogo pela vela; e o Elemento Ar pelas palavras do ministrante.

Ilustração do documento original

Observando as chamas a pessoa pode interpretar, pode ter visões tal como numa bola de cristal ou em outros instrumentos ritualísticos de magia, o espelho, por exemplo. Existe um sistema de adivinhação pelas chamas que é conhecido como Piromância e que já foi muito usado pelos magos. Todo aquele que recebe uma iniciação do Elemental Fogo adquire a capacidade de ver através do Fogo, de adivinhar, como se diz normalmente.

Temos falado da relação que existe entre os contos e os Elementais. O livro mais rico em contos relativos aos Elementos trata-se do livro, de autor desconhecido, “AS MIL E UMA NOITES”. Naquela obra, uma grande coletânea de contos orientais, em cada um predomina um ou mais Elemento, em todos são citados os, os gênios, e outros seres da natureza Elemental.

Ainda mais diretamente ligada ao mundo dos elementares são os livros do autor Tolkien, sendo o mais conhecido deles o bestseler, explosão de vendas em todo o mundo, intitulado “O SENHOR DOS ANÉIS”. O número de estórias ligadas ao Elemento Fogo é muito grande e também o número de músicas.

Aconselhamos a todo aquele que tenha o desejo de ser um iniciado nos Elementos da natureza que procure ler contos de fada ou algo desse gênero procurando identificá-los a nível Elemental, bem como fazer o mesmo quando escutar uma música.

Sempre que se deseja algum tipo de trabalho ao nível dos Elementais é bom ter em mente os signos zodiacais relativos ao elemental.

Num cenário mágico adequado, se a pessoa merecer, com relativa facilidade ela pode ser iniciada pelo Rei do Elemento Fogo. Como em todas as iniciações é importante não ter nem dúvida, e nem medo e deve estar bem relaxado, com a mente receptiva. Numa situação assim a pessoa pode se defrontar com o processo de iniciação.

Há horas propícias, horas favoráveis em que a ligação é mais intensa com os Elementos da natureza e conseqüentemente mais fácil o contacto. Não apenas horas, mas épocas do ano, fases da Lua, estações, locais, condições atmosféricas, etc. Não entraremos nestes detalhes, deixaremos que a própria pessoa descubra por si mesma, apenas diremos que não é difícil, pois basta a pessoa conhecer um tanto da natureza do Elemento e imediatamente percebe todas as condições para o estabelecimento do cenário mágico adequado. Nestas palestras praticamente tudo isto está revelado, mas não em linguagem clara.

Quando se pretende um contacto marcante com o Elemento Fogo de preferência escolher como horário propício o entardecer, quando for possível contemplar o disco solar, mas pode ser empreendido por meio de uma outra fonte ígnea.

Descreveremos agora uma iniciação tal como é descrita por alguns místicos sérios, entre estes Ted Andrews[1]. Após certo período de concentração e visualização a pessoa percebe o Sol tremeluzir, e um discreto tremor na terra e no Ar. Na medida em que se acentua mais o estado modificado de percepção o Iniciando vê na imagem do disco solar refletido o globo terrestre e depois como num “zoom” começa a ver parte da superfície da terra e determinados pontos em que se abrem fendas. Vê crateras sobre as quais percebe uma agitação do Ar, algo como aquela que se vê quando se fita uma pista de asfalto nas horas de forte calor, em que o Ar parece tremendo pelo efeito de refração. Naquele momento o Iniciando lembra-se de uma palavra e sente o ímpeto de pronunciá-la. Ao fazer isto sente aquela vibração de calor se agitar. Pronuncia a palavra uma segunda vez com mais firmeza momento em que percebe uma forma se condensando. Na terceira invocação delineia-se claramente uma figura diante dela. É Djinn, o Rei do Elemento Fogo.

Djinn é forte, uma figura que lembra os desenhos dos gênios citados nos contos orientais. Sua fisionomia é vigorosa, ondas de energia emanam dele, algumas vezes até mesmo centelhas de Fogo. Djinn começa a caminhar e convida o Iniciando a acompanhá-lo até à borda de um pequeno vulcão[2]. O Iniciando obedece e sente uma rajada de ar quente. Ele olha para dentro do vulcão e vê em seu interior a lava incandescente. Djinn estende a mão para baixo e apanha uma porção de lava incandescente. Em seguida faz o gesto de colocar o Fogo na mão do Iniciando. Geralmente este estremece com o temor de ser queimar. Djinn fixa o olhar no do Iniciando dando-lhe coragem. Então o Rei do Elemento Fogo diz: “Isto é bom, deve-se sempre respeitar o Fogo e temê-lo, tanto mais quanto mais impuro for a pessoa”.

O olhar firme e severo, mas ao mesmo tempo magnetizante de Djinn, dá a coragem necessária e o Iniciando relutantemente estende a mão e recebe o Fogo que lhe é entregue. Então sente que o Fogo não queima, apenas traz uma sensação de cócegas. Djinn sorri e diz: “O Fogo é fundamental à vida. Sim, ele pode queimar e destruir, mas também conforta, aquece, cria e transforma. Nem você, nem qualquer outra coisa neste planeta poderiam existir sem ele. A vida só existe onde há Fogo, desde o coração do homem até o coração do universo onde se situa AGNI”.

“Só dominamos o Fogo quando aprendemos primeiro a controlar as próprias paixões e então conseguimos controlar também aquilo que criamos. Se não dominarmos nossas paixões, que são o nosso Fogo emocional, permaneceremos à mercê de todas as chamas ardentes que queimam. Sem esse controle ao invés de vermos a vida divertidamente a vida é quem se divertirá de nós. A chave para controlar os resultados de nossa vida reside, pois no Elemento ígneo”.

Djinn recebe de volta o Fogo e o devolve ao vulcão. Então fitando a lava o Iniciando vê imagens variadas. Enxerga a Terra, o Sol e sua energia como algo essencial à vida. Enxerga a si mesmo e o calor do seu próprio metabolismo. Contempla a atuação do Elemento Fogo na sexualidade e no erotismo. As imagens se alteram, identifica as paixões que possui e que nunca antes foram trabalhadas. Contempla os momentos em que mesmo sem saber se valeu de seu Fogo interior para externar força, coragem e agressividade, para cumprir responsabilidade e determinações maiores.

Vê num relance todos os ideais que possuiu em vias sucessivas e os instantes em que vacilou, se desviou da retidão para trilhar caminhos mais cômodos.

Enxerga os momentos em que empregou a coragem e foi bem sucedido. Vê os instante em que passou por profundas transformações na vida e se então agiu da maneira correta e percebe como nesses momento o Fogo interior se intensificou para ajudá-lo a enfrentar as vicissitudes. Compreende que é o Fogo quem leva a pessoa a abandonar o que já não lhe serve e conquistar novos valores.

Diz Djinn: “Aprender a trabalhar com o Fogo é aprender se transformar, aprender a seguir o pulsar das próprias paixões e os ritmos interiores. Cada Fogo que existe queima de maneira singular, possui o seu próprio ritmo”.

“A aprender a sintonizar com o Elemento Fogo e com aqueles que operam e residem nele, sua paixão pela vida aumenta. Você descobre o seu próprio ritmo vital e encontra força para segui-lo. É então que a vida adquire novo brilho. Pouco importam as cinzas das suas atuais condições de existência, pois você renascerá como a fênix”.

Neste momento na superfície ígnea levanta-se uma chama flamejante. Nela o Iniciando enxerga a forma mítica da fênix, a ave do renascimento (a fênix era incinerada e sempre ressurgia da própria cinza, diz o mito). Sua imagem esplendorosa permanece diante dos olhos do Iniciando por alguns instantes e se desvanece pouco a pouco depois.

Djinn novamente mergulha a mão na lava e retira dela uma pedra de sílex (pederneira [3]) e entrega-a ao Iniciando. Ao fazer isto as labaredas crescem e uma vez mais o vapor aumenta. O sol se reflete na pedra de sílex e por um instante a pessoa tem a nítida impressão de que aquele clarão de luz emite certo som, uma música.

Diz Djinn: “Este é um símbolo da minha promessa de trabalhar com você e auxiliá-lo a desvendar os mistérios do Fogo. O Fogo é poderoso por isso muitas sociedades veneram-no criando deuses e deusas e deturpando seu verdadeiro sentido, até mesmo chegando á prática de sacrifícios variados. Ele queima curando e destrói criando, fortalece e exalta, trabalhando com ele você aprenderá a concretizar suas maiores aspirações e desejos, mas evita as paixões. Aprenderá a se libertar do indesejável para se realizar plenamente.”.

“Encerra grande responsabilidade. Se aceitá-lo seus sentimentos se intensificarão. Será um catalisador de sua vida e na de outros, mas isto tem séria implicação, tanto pode no sentido negativo quanto no positivo. Aprenderá tanto sobre a alquimia física quanto sobre a espiritual através do que o seu velho ego morrerá afim de que o verdadeiro EU venha a emergir”.

“Os poderes que venha a detentar deverá sempre ser direcionado para o bem e mesmo assim tem que saber discernir o que é o bem”.

“Se não tiver certeza plena de poder assumir esse compromisso, deixe o presente neste mesmo local onde ele permanecerá até o momento em que esteja preparado para aceitar a missão. A decisão é sempre sua”.

Ilustração do documento original

As labaredas crescem e Djinn funde-se com elas retornando ao reino que lhe é próprio. O Iniciando ainda sente na sua mão a pederneira de sílex (pedra usada para produzir Fogo). Neste momento os últimos raios do sol do entardecer devem estar se esmaecendo no horizonte distante num céu repleto de tonalidades avermelhadas.

QUE TENHAS LUZ

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Notas

  1. A apresentação das iniciações dos 4 elementos que descrevemos, segue aproximadamente o que este autor apresenta em seus livros. ↑

  2. Necessariamente não tem que ser a imagem de um vulcão. Também pode ser de uma grande fornalha ou algo semelhante. ↑

  3. Pederneira é o nome de popular de pedra de Fogo. No passado eram usadas como isqueiro, o atrito entre duas pedras de sílex produz faíscas facilmente. ↑