Devas e Gênios da Natureza
“ A analogia dos contrários é a relação da luz à sombra, da saliência à cavidade, do cheio ao vácuo”.
Eliphas Levi

Tanto os Elementais quanto os Espíritos da Natureza nos planos inferiores muitas vezes recebem nomes específicos como fada, duende, elfo, etc. Mas nos planos elevados simplesmente denominam-se Devas.
Também vemos que são freqüentes equívocos quanto as denominações de Espíritos da Natureza, Elementais e Devas e Gênios. Na palestra anterior situamos os termos elementais e espíritos da natureza. Agora queremos, inicialmente, esclarecer qual a diferença básica entre Devas e Gênios.
Os Devas são formas de consciência dotadas de discernimento próprio enquanto que os GÊNIOS não o são. Estes são forças da natureza que não têm suficiente clareza de consciência para uma autodeterminação no tocante ao que são e ao que fazem e como tais eles apenas podem agir sob o comando de uma forma de consciência mais individualizada. Por exemplo, o fogo nos planos inferiores, comporta-se como um gênio, porque ele só age onde uma consciência haja estabelecido as condições precisas. Ele não tem, nos planos inferiores, discernimento algum e por isso não responde por suas ações. Não tendo discernimento ele deve ser dirigido por uma forma de consciência mais desenvolvida. Assim pode ser dirigido pelo ser humano, mas não são somente os humanos que dirigem a ação do fogo no Universo. Na maioria dos planos são outras formas de consciência que cumprem essa missão, exatamente os Devas. Por isso são conhecido e bem mencionados os Devas do Fogo. O fogo é o gênio e a consciência que o comanda pode ser um Devas.
Usemos a “ Árvore da Vida” para mostrar como é o processo. Já vimos que na criação houve a separação do Sephirah Kether ( UM ) em dois sephirot Hokhmah e Binah formando-se a Tríade Superior, que na linguagem das doutrinas do Fogo correspondem ao Fogo e Água, como vimos em palestra anterior.
Vimos que ao nível de Binah ( Água) ocorreu a diversificação, houve da diversificação das coisas, a mudança da natureza das coisas, em sucessivas ondas sétuplas de diversificações criando-se assim tudo quanto há. Paralelamente o Fogo (Hokhmah) acompanhou a descida equilibrando a “Árvore” e promovendo a transformação das coisas criadas no sentido da reunificação.
O fogo a partir de Hokhmah se projetou em 7 raios mas todos eles sem alterações quanto à sua natureza, o que não aconteceu com a água em que a maior parte se diversificou. O fogo, Hokhmah não se diversificou ele apenas se projetou com a sua própria natureza acompanhando cada fragmentação de Binah e com a finalidade de transformar cada fragmento de Binah no sentido da reunificação.
As coisas criadas, os fragmentos, não suportariam a ação plena do fogo com a vibração de Hokhmah, por isso ele teve que ir proporcionalmente se limitando, projetando-se em raios limitados, reduzindo a sua freqüência vibratória adequando-se assim à cada situação.
O desdobramento, a descida na “árvore” significa limitações, por isso até o próprio fogo nos desdobramentos sucessivos foi perdendo a condição de consciência clara e livre e por isso existem os Devas atuando como ativadores da consciência nos planos sucessivos.
Na primeira Tríade superior o Fogo é por si mesmo um Devas, pois nele está presente a consciência clara. A queda fez com que as coisas criadas a partir de Binah que fossem se tornando e imperfeitas e limitadas. O fogo a partir de Hokhmah foi se tornando limitado mas não imperfeito. Limitado em todos os sentidos, inclusive perdendo a individualidade do Eu. Uma chama de fogo no mundo material não age pela sua própria consciência, não pode dizer Eu sou, assim também a matéria também não o pode. Por isso é necessário que tudo aquilo que esteja em planos inferiores requeira ser orientada por formas de consciência clara.
Podemos ver isto no esquema da “Árvore da Vida” quando estudamos em relação com o ser humano encarnado. Ali dissemos de Hod corresponde aos processos voluntários, onde residem imperfeições. São processos imperfeitos e limitados. Por outro lado, em Netzach situam-se as atividades autônomas do organismo, os processos involuntários, que são perfeitos mas também limitados.
As coisas com existência nos planos inferiores da criação não têm consciência individualizada em nível de auto-suficiência para todas as atividades e especialmente para ocasionar a o processo de reversão, ou seja, a volta à origem. A consciência divina manifesta-se dirigindo tudo, orientando tudo em todos os níveis e essa manifestação de consciência cósmica atuante em cada gênero de coisas é pode ser chamado de Devas.
Os Devas agem por meio dos gênios, assim podemos dizer que gênios são forças existentes na natureza e Devas as unidades de consciência que as comanda. Um gênio tem que ser comandado por consciências mais independentes, quer seja um Devas ou até mesmo a consciência envolvida de um espírito em desenvolvimento, por isso diz-se que coisa alguma existe sem consciência pois mesmo uma energia tem num Devas correspondente à sua expressão natureza agindo como fonte de consciência. O expressão da força da natureza manifesta-se como gênio enquanto a expressão da Consciência, dependendo da coisa, pode ser um Espírito, um Espírito da Natureza ou, em nível mais elevado, um Devas.
Os elementais podem agir e ser percebidos no plano físico, mas não é este o plano de existência próprio deles. Um espírito não existe no plano físico, ele pode se apresentar num corpo denso mas a sua natureza transcende a este plano. O mesmo acontece com os elementais pois também não são formas com a existência acentuada no mundo denso e sim no mundo sutil mas daí agindo sobre a o campo denso.
Pretender classificar todos os espíritos da natureza é impraticável em decorrência do incomensurável número de coisas existentes, cada uma delas tendo a sua própria força de comando que é um simples espírito, um espírito da natureza, ou um Devas. Mas, mesmo assim, algumas doutrinas ainda tentam atribuir nomes aos Devas e Espíritos da Natureza mas vemos que elas apenas conseguem estabelecer uma confusão de termos sem qualquer valor prático. Algumas são mais sucintas, classificam-nos apenas por grandes grupos aos quais atribuem o nome de elementais. Assim citam os elementais das flores, das árvores, dos arbustos, dos rios, dos mares, dos lagos e tantas outras coisas.
Na realidade flores, arvores, montanhas, rios, mares , etc. são coisas existentes, e se todas as coisas existentes, como vimos antes, têm de alguma forma uma consciência presente a atuante, então tudo tem o seu “espírito” que em essência nada mais é do que a própria força vital, ou seja a força da natureza comandada por uma consciência vivificante.
Nos mundos inferiores, nos planos astrais próximos ao plano denso as coisas têm formas. Como já estudamos em outra palestra até no 4º plano as coisas têm formas ( os indianos chamam de rua = com forma ). As coisas só deixam de ter formas nos três planos superiores. Por isto, tanto os elementais quanto os espíritos da natureza podem ser percebidos sob determinadas formas. As formas como eles são percebidos caracterizam os gêneros, os grupos das coisas existentes, etc. Assim como as raças de pessoas têm características próprias, e até mesmo cada pessoa tem características morfológicas pessoal assim também acontece no tocante aos elementais e aos espíritos da natureza.
Algumas doutrinas atribuem a essas formas de consciência diversos nomes. Por exemplo, ligados ao elemento água os nomes mais usualmente empregados são: Ondinas, Senhora das Águas, Iemanjá, Unaiá, Mariana, Dama do Lago [1], Ninfas, Tritões, Sereias, etc.
Na realidade esses seres não existem objetivamente no mundo da matéria densa pois que elas não pertencem ao sétimo nível, não têm vibração idêntica às do mundo material em que vivemos. São formas que as forças da natureza assumem no exercício de suas funções diversas dentro do plano da criação.
Na seqüência sétupla, no nível astral, como elemento que vivifica as coisas existentes pode ser percebido com formas e aspectos peculiares. É impossível, por exemplo, se ver Iemanjá materializada como um ser do mundo denso, como algo pertencente ao mundo material, assim também os espíritos da natureza, os Devas e mesmo os elementais, desde que eles não têm como base o mundo denso ( Vide fig. ).

Pela fig. pode-se perceber que as formas de consciência não existem contritamente no mundo denso ( M ) pois não pertencem a Malkut da “Arvore Humana” mas por estarem ligadas à esta “Árvore” em algum ponto elas assim podem ser percebidas a partir de M ( Malkut ).
Através da visão, da percepção que algumas pessoas têm do plano astral elas são distintamente visualizadas e contactadas.
Tanto os elementais quanto os Espíritos da Natureza podem ter características definidas ou não, isto depende do papel de cada mundo à forma a que esteja associada no mundo da matéria densa, como veremos em palestras futuras.
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Notas
Na “Tradição Celta” consta que a Dama do Lago é quem entregou ao Rei Arthur a espada Escalibur . ↑
