O Mundo — Realidade Virtual
“O tao não opera, e no entanto, todas ass coisas são feitas por ele”.
Tao Te Ching — Lao-Tsé


Nesta palestra vamos procurar explicar o como cada ser tem sua própria estória. Vimos em tema anterior que existe um só momento e uma só estória em nível de “eterno agora”, e que as estórias individuais e de todos os eventos são unicamente alternativas contidas na estória cósmica. Diante desta acertiva temos que pensar no porquê de cada ser ter sua estória própria, aparentemente muito diversa da dos outros seres. Mesmo que se considere cada estória com uma componente da estória única, Quem ou o que determina a manifestação de uma ou de outra. Quem está operando o “videogame” da existência e buscando as alternativas? Para que se possa entender isso temos que partir da premissa de que só existe uma Consciência e sendo assim temos que admitir que é Ela Quem determina a escolha. Com o fim de estabelecer uma analogia para facilitar o entendimento sobre a existência no mundo imanente, vamos dizer que a existência neste muito é como se fosse um jogo de computador, Então analogicamente podemos dizer que Deus é aquele que opera um jogo de “realidade virtual” e cada um de nós corresponde ao acessamento de uma das alternativas.
Como seria Deus totalmente imanifesto? Isto é impossível para a mente limitada conceber, algo que vai além do próprio sentido de abstrato, não existindo sob qualquer forma concebível. Ele, ao se manifestar, significa a própria creação que na realidade é o somatório de estórias de eventos. A creação nada mais é do que uma apresentação de estórias de miríades de eventos existentes do “eterno agora”.
Deus para Se “ver” Se manifesta. Na verdade nem se pode a rigor dizer que Ele se manifesta. Manifestar-se significar uma projeção para fora de si mesmo, e como não existe o “dentro” e nem o “fora” em termos de “Mundo Transcendente”, então tudo está no Si, portanto deduz-se que tudo quanto existe é um conglomerado de aspectos Dele. Cada estória é uma alternativa e Ele vivencia cada uma delas. Ele contém todas as estórias e aquilo que chamamos de “estória” apenas é a focalização de uma das alternativas da existência.
Sabemos que não é fácil através de um mecanismo dualístico se dar conta do que estamos expondo nesta palestra, mas não é impossível, desde que seja usada a via da meditação. Meditando-se sobre esta temática se pode chegar a um razoável entendimento.
Se não existe um projetar a estória para fora, logo não existe também escolha alguma para ser feita, tudo simplesmente é, tudo já está presente, restando apenas o porquê da focalização de uma estória, o porquê de termos percepção fragmentária que faz com que algumas estórias sejam “montadas” e outras não. Em se tratando do “eterno agora” todas simplesmente estão presentes, apenas muitas são “vistas” dentro de um padrão de multiplicidade. O Todo não seria todo se houvesse uma forma de “consciência” separada, dualística, e outra de unicidade. As duas existem, tanto a consciência individuada quando a totalizada.
Mas, a fim de que possamos desenvolver um estudo mais amplo vamos admitir como premissa, a hipótese de que Deus projeta de Si as estórias, e que a nossa estória é uma projeção da Mente Divina, ou seja, que ela é uma composição feita por Deus a partir de alguns dos quadros da Estória Cósmica Única. Na analogia do game a nossa estória é apenas uma das variantes do “jogo cósmico” em que Deus é o “jogador”. Não podemos dizer de forma alguma que na verdade seja um “jogo”, mas sem dúvida é exatamente como se o fosse. Para os entendidos em informática podemos dizer que todas as manifestações existentes, que todas as estórias, são “realidades virtuais” inerentes ao “eterno agora” e manipuladas por Uma Consciência que chamamos de Deus.
Quando usamos a analogia de um videogame não estamos fazendo gozação, estamos falando com toda a seriedade, pois no mundo atual este é o exemplo objetivo que melhor se enquadra na natureza da existência da creação. Embora estejamos usando esse exemplo como analogia, na verdade mesmo que realmente seja algo bem deferente, ainda assim ele ao menos permite entender o que é a creação diante do “eterno agora”. Num programa de videogame não existe realidade objetiva alguma, tudo é informações que são configuradas, concretizações de algo abstrato e imaterial. O mesmo acontece com o nosso mundo com tudo que nele existe, com todas as estórias pessoais. Trata-se de objetivizações de “informações” existentes no “eterno agora”. Assim, isto que chamamos de mundo, nada mais é do que uma aparência – em linguagem de informática: uma “realidade virtual” da Mente Cósmica.
O que foi dito no parágrafo anterior retrata bem o que as doutrinas védicas afirmam há milênios: O mundo é um “sonho de Brahmân”.
Também o exemplo se enquadra naquilo que diz a Teoria Quântica atual: “No nada está a matriz do Todo, ou de tudo, ou do universo material em que vivemos...” “O vazio está cheio de alguma coisa que não é matéria”, e o que afirma Henri Laborit, biólogo francês conhecido pelo seu materialismo radical e a intolerância com as tendências místicas de alguns cientistas: “No vazio quântico há tudo e nada, ao mesmo tempo”. Alguns físicos simplificam a questão dizendo que no “vazio” no “nada” há “informação”. Assim pensava o físico brasileiro Mário Schemberg. Um outro físico, David Bohm, fala de uma “ordem implícita”, ou seja “a matéria está implícita no nada, no vazio há pré-forma da forma; há o molde invisível do molde visível – que somos nós e as coisas”.
Agora se torna aceitável pela própria ciência a idéia de que mesmo não havendo “lugar” onde não há coisas, há apenas potenciais que na realidade não constituem o indivisível, mas que são o próprio indivisível Uno. Mesmo não havendo coisas mesmo assim há um registro feito de uma natureza que nos é totalmente desconhecida e que correspondente ao que Teoria Quântica denomina de “Ordem Implícita”.
Na verdade a mente objetiva se torna impotente quando tenta entender como de um “vazio” pode ser estruturar coisas, como de um Uno, podem se destacar eventos dos mais diversos tipos. Também o que promove essa modificação de um “nada” vir a ser tudo”, do Uno se apresentar como múltiplo.
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