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Os Sete Passos da Senda

Tema 0.407 · Temas Complementares · 2 449 palavras · cerca de 16 min

“ Tudo está em tudo”.

Tábua das Esmeraldas

ENSINOS DE SALOMÃO – OS PASSOS DA SENDA

HERMES TRISMEGISTO.

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Ilustração do documento original

O MESTRE SALOMÃO legou à humanidade maravilhosos ensinamentos dos quais já apresentamos nesta série de palestras os SEIS PRECEITOS e as CINCO QUALIDADES DO HOMEM PERFEITO [1]. Nesta palestra vamos apresentar os SETE PASSOS DA SENDA.

Não é possível se chegar à Perfeição e ao Amor sem que se tenha percorrido uma longa jornada e adquirido virtudes básicas. Nessa caminhada o adepto deve ter em mente sete condições que determinam o sucesso da caminhada em busca da LUZ que se faz através do aperfeiçoamento condicionado pelos Preceitos e Qualidades do Homem Perfeito, estudados em palestras anteriores.

Quando se pretende chegar a uma meta, atingir um objetivo qualquer, algumas condições devem ser atendidas.

Desde que se tenha uma meta o primeiro requisito a ser atendido é a pessoa ter fé, acreditar que aquela meta existe e que pode ser atingida. Afim de que a pessoa possa realizar algo não basta apenas perceber, não se faz necessário apenas estar pronto, capacitado, sentir-se apto para a perfeita consecução de um objetivo. Na pureza a pessoa deve paralelamente haver também atingido a perfeição, desde que não cabem imperfeições na pureza, por isso os Preceitos mostram o como se chegar qualitativamente à perfeição e, obviamente, à purificação.

Enquanto os Preceitos dizem respeito ao trato com as coisas, à maneira de ser da pessoa com relação aos objetivos, especialmente com relação a si mesma, por sua vez, as qualidades dizem respeito ao relacionamento da pessoa com os seres, à forma de conduta para com os semelhantes.

Os Preceitos é que conduzem à Perfeição, são as condições essenciais que orientam a pessoa a ser perfeita naquilo que realiza, enquanto as Qualidades conduzem ao Amor desde que se referem ao relacionamento com os seres. Os Preceitos dizem das qualidades que a pessoa deve ter, tendo como meta a Perfeição, o como agir na busca da perfeição e as Qualidades o como ser para chegar ao AMOR. Perfeição e Amor, duas condições essências da Purificação.

Uma pessoa pode preencher todas as condições dos Preceitos e Qualidades, mas simplesmente coisa alguma realizar. Isto acontece, muitas vezes, com pessoas comuns e em especial com aquelas que levam vida contemplativa, reclusas, que vivem enclausuradas, isoladas em eremitérios. Potencialmente elas podem atingir à purificação, mas isto não indica que seja uma decorrência do isolamento.

São em grande número as pessoas que teoricamente sentem que podem chegar à meta, mas que na prática ainda não deram sequer o primeiro passo.

A Purificação é uma meta a ser atingida e para se chegar até ela tem toda uma caminhada a ser feita, assim é preciso que passos sejam dados na caminhada até a FONTE DA LUZ. Também o MESTRE SALOMÃO nos legou com bases desse ensinamento através de praticas do viver.

1 - PRIMEIRO PASSO = FÉ.

Para se chegar a algo primeiro é preciso a pessoa acreditar na existência desse; pelo menos ter fé que aquilo existe e que querendo ela pode chegar ao alvo, mas também compreender que há uma caminhada a ser feita.

Ninguém caminha para um objetivo definido se não tiver a precisa fé que esse objetivo existe e que a pessoa sinta-se capaz de chegar até ele.

As religiões são unânimes em afirmar que é preciso fé para se salvar. Algumas doutrinas chegam até mesmo a dizer: “SÓ A FÉ SALVA”. De uma forma lata é assim, pois se a pessoa não tiver fé naquilo que pretende não caminha de forma alguma na direção da perfeição.

Não seria possível se chegar à Purificação de uma forma aleatória? - Essa possibilidade é praticamente nula, pois o caminho da salvação é um autêntico labirinto em que a cada passo dado está sujeito a se defrontar com o perigo, ter diante de si um labirinto de onde é impossível sair sem que receba alguma forma de auxílio. É preciso que se tenha o “Fio de Ariadne” afim de que no caminho de volta seja encontrado. Se aleatoriamente fosse fácil se chegar à Purificação não seria preciso Deus, fazendo uso de Sua Misericórdia, constantemente enviar mentores espirituais, guias aptos a conduzir os espíritos envolvidos a chegarem à LUZ.

O labirinto da existência na terra é tão amplo e complexo que até mesmo os “guias” muitas vezes têm se desviado do caminho mais curto. Isto é algo tão sério que algumas vezes o próprio Deus se projeta diretamente na terra para orientar quanto à maneira de se sair do labirinto, desde que tantas vezes os “guias” se envolvem no intrincado emaranhado de desvios da vida humana na terra.

A pessoa, na busca de se chegar a qualquer alvo é indispensável que se tenha à fé que ele exista e que se seja capaz de chegar até ele, especialmente em se tratando do “labirinto da vida terrena”. Se não tiver fé não é fácil à pessoa se tentar atravessar aquele tremendo labirinto.

Na estória de Teseu podemos ver que se ele não tivesse a fé de que o Minotauro existia e de que poderia destruí-lo ele jamais teria se candidatado a penetrar no labirinto.

Ante qualquer objetivo difícil a ser atingido, primeiro é preciso que se acredite que o ele existe, pois se assim não for conscientemente passo será direcionado para o alvo essencial.

Por sua vez a FÉ sem as Qualidades e sem os Preceitos torna-se estática e a pessoa não caminha. Isto é o que se vê amiúde, pessoas que dizem ter fé, mas que não fazem por onde melhorar o próprio caráter, aperfeiçoar a própria maneira de ser. Por isso a fé só tem valor na medida em que ela possa impulsionar a pessoa para o alvo. A fé leva à decisão e então deve ser posto em prática a orientação a ser seguida orientada pelos Preceitos e pelas Qualidades do Verdadeiro Homem ensinados por Salomão.

2 - SEGUNDO PASSO - ESPERANÇA.

A Esperança é o alento que faz a pessoa caminhar. Uma pessoa, mesmo cheia de fé, mas que estiver sem esperança tem tudo para não chegar a objetivo algum, pois lhe falta o impulso para percorrer o caminho. Ela deve ter esperança de que caminhará seguro, ter esperança de que todas as etapas serão cobertas até chegar à meta.

Vemos isto no dia a dia, pessoas preparadas, que conhecem, que sabem, que são pacientes e até mesmo capazes de serem persistentes, mas que não seguem em busca da meta por se julgar incapaz de fazê-lo. Assim podemos dizer que lhes falta a necessária esperança de chegar ao alvo.

O que dá segurança para percorrer as trilhas do labirinto do desenvolvimento espiritual é a Esperança. Cujo símbolo da Esperança é a âncora, pois é graças a ela que o barco torna-se seguro nos momentos precisos; o navio ancorado está mais seguro que à deriva.

Na história da humanidade vemos constantemente que a esperança é que conduz muito à salvação nas mais diversas situações. Tanto isto é verdade que existe um adágio que diz: A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE.

Por outro lado percebe-se que não pode existir esperança alguma se não existir paralelamente a fé, por isso A FÉ É O PASSO QUE PRECEDE A ESPERANÇA.

3 - TERCEIRO PASSO - CONFIANÇA. (TEMPERANÇA).

Na caminhada em busca do alvo não é necessário apenas ter fé e esperança é preciso também ter confiança.

Conscientemente não se pode chegar a uma meta sem que se tenha confiança no poder de realização. Quando a meta é facilmente atingível é possível se chegar até ela de forma casual, aleatoriamente, mas não quando se trata de uma viagem por um intrincado labirinto, como acontece com a vida na terra.

Pode-se perceber o quanto de insucessos decorre da falta de confiança em si mesmo. A pessoa percebe, tem a fé, está pronta, é paciente, ou seja, preenche todos os preceitos e qualidades, mas que por não confiar em si mesmo, por achar que não vai conseguir, vê conseqüentemente cada vez mais distante de si a meta a ser atingida.

Na consecução de um objetivo é preciso ter a “força de vontade”, a força do querer, que também é conhecida como TEMPERANÇA, ou FIRMEZA.

4 - QUARTO PASSO - DISCERNIMENTO:

Na caminhada existem muitas veredas, o labirinto é muito amplo e complexo, imenso é o número de alternativas que existem e que estão sujeitos a conduzir a pessoa para um lugar oposto. Isto é o que faz com que o caminheiro dê um passo adiante e dois para trás.

Para se chegar à meta é preciso se saber discernir o caminho correto, para isto os “mentores” divinos estão a postos ensinando o caminho. Mas, muitos fazem ouvidos de mercador ante tudo aquilo que lhes é ensinado, não querem escutar e procuram seguir por sua conta ficando perdidos no emaranhado do labirinto.

Muitas são as ocasiões em que a pessoa se defronta com múltiplas alternativas, até pode perceber o alvo, ter fé neles, estar apto, ser capaz, paciente, etc., mas não ter a precisa capacidade de saber para que lado seguir.

O discernimento tem como animal o Camelo. Símbolo inanimado a bússola. É pela bússola que os viajores tomam a direção correta evitando assim perderem-se na caminhada.

Temos mostrado o quanto é complicado o caminho de volta, como é elevado o número de desvios possíveis e conduzindo a pessoa para uma situação totalmente indesejável.

5 - QUINTO PASSO - TEMPERANÇA - ÍMPETO - CORAGEM.

A pessoa nem sempre tem a devida coragem para encetar a caminhada. Percebendo as implicações muitos desistem, sentem-se desencorajados, sem aquela “garra” precisa para se sair vencedor.

De um certo modo a Temperança lembra o preceito Persistência, mas podemos dizer que essas duas condições não são idênticas. A pessoa pode ser persistente naquilo que está fazendo, mas temer iniciar algo novo. Embora persistente consecução daquilo que está realizando, ante uma resolução tomada, mas quase nunca toma decisão exatamente por falta de ímpeto, sente-se covarde diante dos novos eventos.

Há pessoas que têm tremenda ansiedade de antecipação, pessoas a quem qualquer evento novo pode até mesmo levá-las a um estado de pânico.

A Temperança tem como pólos opostos, de um lado, a covardia e do outro a ousadia inconseqüente, condições não ideais, uma contraposição ao desejável que é a situação intermediária, a intrepidez. Esta é uma condição que deve ser bem trabalhada, pois é valoroso todo aquele que a possui.

O símbolo da Coragem é a “armadura”, pois os guerreiros intrépidos e corajosos da Idade Média usavam armadura. Também é usado com símbolo da coragem “Um buquê de rosas com espinhos”. Mesmo diante da beleza das rosas somente com coragem é que a pessoa ousa pegá-las.

6 - SEXTO PASSO - CERTEZA

Quando o caminheiro chega ao objetivo àquilo que era FÉ torna-se CERTEZA.

A certeza é a consecução de uma meta pretendida, mas ela na realidade apenas atende à proposta do pretendente.

O símbolo da certeza é uma caveira, símbolo que se faz presente nas cerimônias de “iniciação” de algumas doutrinas assim como em suas simbologias. Muitos pensadores, desde remota Antigüidade, dizem que a única certeza que se pode ter é quanto à morte, mas até mesmo isso é uma certeza relativa, pois se analisarmos com mais detalhes vemos que nem mesmo isto pode ser tido como certeza absoluta desde que morte absoluta não existe. A morte que assim mencionam é uma condição inerente apenas à encarnação no mundo material.

É, pois importante que tomemos em conta que vivemos num universo relativo e que por isto a certeza existe apenas dentro de parâmetros de relatividade como veremos no tema seguinte.

A certeza é o clímax da fé, o ponto de chegada da caminhada a um alvo preestabelecido. É o atingir à meta estabelecida, apenas.

7 - SÉTIMO PASSO - DOMINIUM

Quando uma FÉ é concretizada, quando a pessoa chega à realização daquilo a que se propôs, quando atine aquilo sobre o que tinha esperança, quando chega à certeza ela não mais está à mercê daquilo. Quando a pessoa faz uma viagem tem certeza de que chegou à meta, a “viagem visada” chegou ao término, então aquela pessoa não mais é dominada pelo desafio e sim o dominador.

A pessoa sempre está à mercê daquilo que não tem certeza, daquilo que não consegue, mas quando consegue, então, ela vem a ter o domínio sobre aquilo. Ela tem o dominium porque conseguiu, porque o desafio inicial foi dominado, pois venceu o desafio.

A dúvida, a incerteza escraviza o ser enquanto a certeza lhe confere o domínio. Sobre aquilo que se tem fé ainda não se tem se tem domínio, mas se tem domínio quando se tem certeza.

A fé pode levar a pessoa ao domínio, mas ainda não lhe confere o domínio, por sua vez a certeza evidentemente o faz.

Afim de que se tenha uma melhor compreensão sobre isto usemos um exemplo analógico. Uma pessoa tem fé de que um determinado lugar existe, isto faz com que tenha esperança de chegar até lá, confia em si, sente que pode atingir aquela meta, escolhe a melhor maneira de chegar até lá. Chega e então tem certeza de que chegou, o desafio foi vencido, portanto. Antes de iniciar a viagem à pessoa era dominada, tinha dúvidas, não tinha certeza alguma de chegar à meta final, mas quando chega ela dominou o desafio.

NÃO SE TEM DOMÍNIO SOBRE AQUILO QUE SE TEM FÉ, MAS SOBRE AQUILO QUE SE TEM CERTEZA SE TEM DOMÍNIO.

Na fase de desenvolvimento espiritual em que nos encontramos apenas temos um tanto pessoal de Fé de que existe UM PODER SUPERIOR, mas ainda não temos a certeza, conseqüentemente não temos ainda domínio sobre ELE. O PODER SUPERIOR é para nós ainda um objetivo não atingido, mas, por Sua vez ELE tem certeza de que existimos por isso tem domínio sobre nós. No momento em que O reconhecermos em realidade, isto é, no momento em que tivermos essa magnífica certeza teremos também o dominium sobre ELE, pois todos serão UM e Este terá o Domínio sobre Si.

Simbolicamente a representação mais comum do Dominium é símbolo do TAO.

Como o domínio do PODER SUPERIOR é infinito, se cada espírito viesse a ter domínio sobre o Infinito, então haveriam N infinitos cada um dominando um outro. Mas, como tantas vezes temos dito, isto é, pois algo para ser infinito tem que conter em si absolutamente tudo. Não pode haver mais que um infinito fora do infinito. Entre muitas razões esta é mais uma que conduz à necessidade de haver a UNIFICAÇÃO e tão somente um ÚNICO DOMÍNIO que é A FORÇA SUPERIOR QUE VEM A TODOS DOMINAR.

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Notas

  1. Temas 374\377 e 81 ↑