Grande Maya
A GRANDE MAYA
O NÚCLEO INDIVISÍVEL DO NOSSO
SER É, TÃO SOMENTE, O INFINITO
QUE É UNO.

Pela análise racional feita no tema 0.997 chega-se à conclusão de que o “finito” não existe realmente, pois se fracionando aquilo que se acredita ser finito chega-se apenas ao Infinito, pois não é possível definir um limite que o individualize. O limite sempre é único, na realidade somente pode assim ser considerado o infinito por não ter ele limite algum, seja o limite dele mesmo.
Limite só existe em termos de Mundo Imanente, como os demais acontece com os demais Princípios Herméticos, aparentemente uma exceção seria o Princípio Mental, por ser ele a causa de todos os demais, por preceder aos demais, mas mesmo assim ele só se manifesta dentro da imanência.
Se não existe limite, exceto o próprio infinito, então as individualizações não existem, a não ser em termos relativos aos níveis de percepção. Uma visão cósmica não identificaria coisas, pois não perceberia os limites entre elas, apenas perceberia uma única coisa, o absoluto (Infinito).
Tudo o que se considera limitado apenas é uma aparência, uma decorrência de uma ilusão - maya - gerada pela parcialidade das percepções, quer sejam estas diretas, quer indiretas. Este mundo é na verdade aquilo que se pode chamar de “A Grande Maya”.
Percepção sensorial é parte integrante daquilo que se chama de mente, portanto a divisibilidade das coisas é tão somente uma condição mental. Sabemos que todo o universo é um conglomerado de coisas. Os princípios herméticos nos conduzem à admissão de que o universo é fruto da descontinuidade, sem a descontinuidade tudo seria uno e, portanto seria uma só e mesma coisa, Sem a descontinuidade, sem a individualização o mundo tal como o conhecemos não poderia existir. Mas, por outro lado, na verdade não existe a descontinuidade, ela é uma decorrência da limitação perceptiva apenas. A descontinuidade só existe em termos relativos, isto é as coisas existem como tais em ração ao nível de percepção. Isto quer dizer que o universo só existe em nível relativo, essencialmente ele é Uno.
Se o universo é o que se percebe como miríades de coisas, e se as coisas são somente frutos da limitação perceptiva, e se percepção é mente, não há, portanto como se admitir que ele não seja simplesmente uma condição mental. Por isto é que as doutrinas oriundas dos Vedas dizem: “Este é o mundo de maya” (ilusão), e as oriundas do Hermetismo: “O Universo é mental”. (Primeiro Princípio Hermético).
Aceitar que o universo é mental não é fácil para uma pessoa que desconheça os Princípios Herméticos com certa profundidade, mas desde que um bom nível seja atingido na verdade não é difícil se entender ser isto uma verdade. Acreditamos que para aqueles que acompanharam a seqüência de raciocínio desenvolvida nos recentes temas, que procuraram sentir o sentido das indagações feitas no tema 997, o que é difícil é o não aceitar o Primeiro Princípio como verdadeiro.
A importância do que dissemos não diz respeito somente à confirmação de que este é um mundo de maya, de que tudo é mente, mas o que acreditamos ser de maior importância ainda é firmar o conceito de que TUDO É UM, ou seja, conscientizar as pessoas da verdade do Unismo, pois que um dos passos fundamentais da libertação do ser do jugo da roda das encarnações é ele sentir que é “parte” do UM. Primeiramente vem o aceitar o unismo com convicção como verdade e depois vem o sentir ser a pessoa apenas uma manifestação do próprio UM.
Pela via intelectual a pessoa aceita ser UM, mas isto não a indica haver chegado ao nível de unificação. Depois que a pessoa está convicta de que no universo só existem aparências, então ela mais facilmente pode chegar a sentir a Unicidade. Para isto existem os métodos, especialmente aqueles ensinados pelas doutrinas orientais em geral e pela Ioga em particular. Não estamos dizendo que a meditação, por exemplo, não pode fazer a pessoa sentir a unicidade, mas sim que isto é bem mais fácil quando antes já se está convicto de que tudo é UM. Mas há um ponto ainda a ser considerado. Para estar Uno a pessoa tem que vivenciar este estado de forma permanente, melhor dizer, nesse estado o ser nem ao menos pode mais ser considerado uma pessoa. Pessoa é um destaque e na unificação o destaque e UM só. As práticas oferecidas por diversos sistemas, na verdade podem conduzir a pessoa a ter flashs do estado de unificação, insights dessa condição, mas isto não indica haver ela atingido o estado Uno. È algo como uma abertura onde ela sente em si a unidade das coisas, mas os véus da impureza ainda bloqueiam-na.
É verdade que uma pessoa que chega pela razão a se convencer da veracidade do unismo, e que depois sente, mesmo que por breves instantes, estar integrada a tudo quanto há ela, por certo, tem uma imensa possibilidade de estar próximo ao fim da “roda das encarnações”. Mas somente quando atinge aquele estado, que as religiões denominam de “estado de pureza”, é que ela pode de forma permanente existir como UM.
Agora já podemos dizer que os Princípios Herméticos são verdadeiros apenas ao nível de relatividade. Por isto se diz que eles somente existem ao nível de “mundo imanente” e não ao nível de “mundo transcendente”. Como não pode ser estabelecido limite algum que condicione a existência de dois ou mais mundos então se pode dizer que só existe um deles. O mundo imanente é apenas uma percepção limitada do mundo transcendente.
Tudo aquilo que temos como mundo imanente, como universo caracterizado, apenas é uma aparência do UM. Em termos relativos são realidades, mas não em termos absolutos. Como os Princípios Herméticos são elementos integrantes da creação, da natureza do universo, e sendo este um apenas um estado aparente do Um, é natural que se diga que eles são simples ilusão. Com exceção de um deles todos os demais são “maia”. O único que pode ser considerado verdadeiro não é bem um principio e sim um mero enunciado: O Universo Mental.
Vendo-se o universo como um conglomerado de coisas os estudiosos do hermetismo consideram mais alguns princípios além dos sete clássicos. Entre eles um é tido como inefável, que é exatamente o limite. Segundo um conceito cósmico não existem coisas além do UM, mas dentro de um conceito relativo sim, existem coisas e mais coisas para caracterizar o universo, e cada uma delas é considerada como tal por ter um limite separativo. Se não o tivesse não haveria individualidade. Para que exista “uma coisa” é preciso que exista também um limite que a separe das demais, portanto não poderia existir o universo sem que existisse o limite.
O “limite” merece uma consideração em especial. Como condição demarcatória ele também não é verdadeira, a não ser ao nível de relatividade, a nível se limitação de percepção, como temos mostrado. Sempre que o procuramos apenas encontramos o infinito. Como infinito ele existe como tal.
Como o Infinito é a expressão máxima do que se pode entender como Deus logo se pode se concluir que o único Limite que existe é próprio Deus na sua expressão máxima. Mas, como Ele é impossível de ser compreendido como tal, e menos ainda de ser descrito, logo, é verdade ser o limite um “Princípio Inefável” entre todos os aqueles que condicionam e caracterizam a existência aparente do universo.
O limite é o Princípio que não pode ser descrito, em consonância ao “Mistério da Nona Hora”, citado nos ensinamentos de Apolônio de Tiana.
