A Diversidade do Eu
"Nós nos julgamos pelo que nos sentimos capazes de fazer,mas somos julgados pelo que já fizemos "


Vimos no tema “A DUALIDADE DO EU” que é difícil um julgamento perfeito de alguém, e até de nós mesmo, baseado da egopersonalidade. Um outro ponto que merece ser estudado, pelas implicações que aquela dualidade acarreta, diz respeito às percepções em níveis superiores de consciência. Nesta palestra abordaremos exatamente isto, pois o místico menos experiente pode ser vítima de apreciações inadequadas.
A Personalidade Alma, ou seja, o espírito encarnado, vive num ambiente que evidentemente não lhe é próprio. Para o corpo com mente objetiva este mundo é real, é este o que lhe importa mais, porque nele há facilidades de expressão para a sua estruturação material, o que não existe no mundo espiritual. A dificuldade de expressão da alma no mundo material é decorrente, como veremos em outras palestras, da resistência que a matéria oferece para responder aos impulsos energéticos de freqüências elevadíssimas. Por sua vez o corpo – mente cerebral – tem dificuldades tremendas para perceber os mundos superiores porque os órgãos sensoriais objetivos não têm a necessária acuidade para detectar as freqüências inerentes aos planos superiores de existência.
Mesmo diante dessa dificuldade a mente, através dos seus canais sensoriais, pode ter certa gama de percepções das tríades superiores da “Árvore da Vida”.
Na formação da Personalidade Essencial há participação direta e intensa dos sephirot superiores (Vide ilustr. 1 do tema 0.029) e como o intelecto tem dificuldade de detectar os planos superiores, evidentemente a percepção daquela personalidade se torna muito difícil e confusa se o indivíduo não tiver um preparo bastante adequado para isto. Por isso, para o ser encarnado é difícil uma perfeita avaliação da personalidade essencial, cujo “mundo" depende de sintonizadores de níveis de freqüências elevadíssimas, que a mente objetiva não dispõe.
Em decorrência daquela dificuldade é muito mais eficiente à percepção e avaliação de uma personalidade essencial quando é feita naquele estado que os místicos chamam de "desdobramento" ou também "projeção da consciência", ou "expansão da consciência”.
Como cada tipo de mente opera melhor no campo que lhe é próprio a percepção da Personalidade Essencial de uma pessoa torna-se muito mais perfeita se as duas pessoas estiverem em desdobramento porque dessa maneira elas se afastam quase que totalmente dos bloqueios impostos por Malkut. Um ponto que queremos esclarecer é que Tiphereth, numa “Árvore” aplicada ao ser humano, não é exatamente a alma e sim a representação de sua personalidade quando encarnada, tal como Yesod não é o corpo, mas a sua personalidade acrescida de algumas qualidades da alma.
Todo místico deve saber que são gritantes as diferenças entre as duas personalidades. Há, evidentemente, elos em comum, porém há uma série imensa de discrepâncias.
Ao nível da personalidade essencial as paixões são totalmente diferentes, por isto os ensinamentos Rosacruzes dizem tanto a respeito das diferenças básicas existentes. Eles afirmam que é erro se atribuir a uma personalidade alma as mesmas emoções, interesses, simpatias, costumes, prazeres, fraquezas, etc. próprias do ser encarnado.
A personalidade essencial é tão diferente da personalidade do ego que essa não serve de base nem sequer para um simples reconhecimento daquela, e vice-versa.
Usando-se para uma avaliação da egopersonalidade (que é a parte conhecida de alguém) a Personalidade Alma torna-se praticamente irreconhecível. Jamais temos condições de saber o plano da consciência subjetiva de alguém, exatamente porque não podemos avaliar a sua personalidade real, justamente aquilo que indica o grau de evolução do ser.
Aquelas diversidades entre as duas personalidades criam uma situação muito curiosa. Quando uma determinada pessoa é visualizada em projeção astral ela é muito diferente de quando vista em corpo físico. A diferença básica não é propriamente quanto à forma, ou quanto ao aspecto, mas sim quanto às paixões, idéias, ideais, capacidade emotiva, e coisas assim.
Realmente os dois EU são percebidos de modos diferentes porque as percepções ocorrem em níveis diferentes, pois a projeção se faz não no plano material e sim no astral. O mundo astral não corresponde à Tríade Inferior e sim à Tríade Média. Numa projeção a percepção é feita com os canais sensoriais da mente subjetiva apta para percepções das qualidades dos sephirot superiores da Árvore da Vida e não pelos sentidos físicos próprios para o mundo material.
Na "visão" de uma projeção há sacrifício de detalhes, de formas e de outros dados inerentes aos sephirot inferiores, por isto a forma vista em projeção é um tanto diáfana. Mas isto é completamente compensado pelas possibilidades de percepção clara e direta do campo intelecto-emotivo e de outras coisas que não são percebidas objetivamente.
No “desdobramento” as qualidades superiores do ser libertam-se do crivo dos sephirot inferiores e se deixam perceber diretamente. Numa projeção pode-se conhecer o ser em maior profundidade, formando-se dele uma idéia muito mais correta.
Mesmo sem desdobramento uma pessoa com o desenvolvimento psíquico pode adquirir a capacidade de ver a "aura" dos seres. Desta forma é possível uma melhor avaliação da Personalidade Essencial, pois através da análise da aura é possível penetrar um tanto no mundo emocional do ser. Ninguém pode mascarar suas emoções para quem está observando a aura. O ser observado se torna despido de muitas qualidades puramente ligadas à matéria e que são substituídas por outras. Pela aura é possíveis se chegar até o nível das emoções, e um tanto do intelecto. As manifestações das emoções exteriores e do intelecto exterior influenciam de forma marcante a aura e assim deixam-se examinar pelos canais subjetivos.
Dissemos na palestra “A DUALIDADE DO EU” que somente pessoas altamente qualificadas psiquicamente podem estabelecer julgamentos; somente aqueles que capazes de perceber a aura, por exemplo, podem fazer um julgamento mais justo.
De tudo que dissemos nesta palestra conclui-se que uma personalidade estabelecida a partir de dados fornecidos por uma projeção psíquica tem características bem diferentes daquela que é formada normalmente pelas vias objetivas. Como exemplo vamos citar um caso de uma senhora que indagava certa vez assim: Por que será que eu adoro conversar com o meu esposo quando ele se apresenta em projeção, o que não acontece quando este está no corpo físico? Continuava dizendo: em projeção ele é calmo, ele é ótimo, me trata como um verdadeiro mentor, enquanto que em corpo físico ele é irritado, arredio e impaciente para conversar comigo. A observação daquela senhora é muito significativa e serve maravilhosamente para ilustrar as duas personalidades inerentes a um mesmo ser. Em corpo físico ela tinha diálogo com o lado bem mais limitado e sujeito às imposições da Tríade Inferior, a Personalidade do ego, sujeita às imposições da Tríade Inferior, a personalidade do Ego sujeita às contingências do mundo material. Em projeção ela estabelecia diálogo com a Personalidade Essencial, parcialmente liberta das ingerências do reino de Malkut.
Os ouvintes que tenham percepções de pessoas conhecidas analisem isto com muito cuidado e por certo ficarão surpresas com as tremendas diferenças existentes entre aqueles dois editados, o corporal e o projetado.Infelizmente vivemos tão ligados ao mundo material que somente damos valor às coisas que percebemos com os sentidos físicos. A materialidade dos seres condiciona-lhes a vida inteira, por isto não mais conseguem ter percepção dos níveis superiores para uma autêntica apreciação de uma determinada pessoa.
Quando aquilatamos uma pessoa através de Yesod a imagem formada é muito misturada com condições criadas, com condições injetadas. Todos os fingimentos possíveis, todas as inverdades, todas as modificações são passíveis de entrar na estruturação de Yesod. Este sephirah pode tornar-se facilmente incorporar uma imagem que a pessoa queira forjar, pois aquela imagem é sempre inautêntica, mutável, mascarável, etc.
Temos visto pessoas que se dedicam aos estudos místicos, mas que ainda estão tão presos ao mundo das formas, que chegam a trocar situações sutis por outras mais grosseiras sem que se apercebam disto. Este é o caso daqueles que dão mais valor a uma percepção se ela tiver forma humana. Geralmente uma percepção com forma parece mais importante para a pessoa porque ela consegue atribuir-lhe valores pessoais àquilo que ela mesma perceba intuitivamente. Ora, a forma é algo inerente aos planos inferiores, aos 3 níveis mais inferiores da seqüência sétupla[1], enquanto intuição vem de cima, vem do alto da “Árvore da Vida”, vem de Hochma, o derradeiro sephirah antes de Kether, a Coroa Suprema de cada “Árvore”. Mas, por que a necessidade de desejar-se tanto nas experiências místicas a presença de uma forma? - Lembrem-nos de que forma é algo enganador, forma é um resquício de Yesod.
Quando os Grandes Mestres nos ensinam coisas maravilhosas, se eles não se apresentam com forma visível, geralmente apenas como uma “presença”. Por isso o místico menos experiência chega a duvidar do que está percebendo. Na realidade deve-se ter em mente que o conhecimento intuitivo é bem mais completo, mais seguro, e menos mesclado com coisas inerentes aos sephirot inferiores.
Já vimos duas pessoas em que uma achava que a outra era bem mais evoluída porque percebia os Mestres em forma astral, enquanto ela apenas recebia os ensinamentos intuitivamente, e isto lhe gerava dúvidas quando à fonte, angustiava-lhe não saber se aquilo que recebia era ou não fruto da sua própria imaginação desde que não via a fisionomia de quem lhe ministrava os ensinos. Na realidade o relacionamento desta pessoa com o seu Mestre poderia ser igual, ou até mesmo superior, ao daquela outra pessoa, porque ver forma não indica melhor ou menor capacidade de harmonização cósmica. Podemos mesmo dizer que quanto mais completas for a percepção e a harmonização tanto menos se percebe sons e formas.

Notas
Em palestras futuras estudaremos com detalhes o que é isto que chamam de seqüência sétupla. ↑