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A Centelha Divina

Tema 0.023 · Temas Básicos · 1 606 palavras · cerca de 11 min

"O vosso corpo é o templo de deus" "Tudo quanto o homem disser de deus jamais será deus " M. Moura - mestre rosacruz.

Apóstolo PAULO

Depois de tantas considerações que temos feito a respeito dos Sephirot da Árvore da Vida e em especial de Kether, e mesmo do Nous, alguém pode indagar se aquelas condições não seriam a Essência de Deus. Respondemos esta indagação com aquelas mesmas palavras da Mestre Rosacruz: Jamais será Deus.

Quanto mais alto se caminha na “Árvore da Vida” mais as condições apresentam-se perto de Deus, chegando a um ponto tal que Kether, aplicado à natureza do homem, pode ser aceito como a própria Partícula Divina de cada ser. Isto quer dizer, na linhagem humana, Kether corresponde à essência do ser que mais próximo está de Deus e quando aplicado ao ser humano representa o vértice do triângulo superior, o derradeiro dos três triângulos da Rosa-Cruz.

O VOSSO CORPO É O TEMPLO DE DEUS...

Evidentemente o primeiro sopro divino constitui Kether, a primeira manifestação divina no ser. Sobre esse plano podemos apenas saber que tudo transcende ao nível do Intelecto Puro, pois intelecto já é Binah – base triângulo superior.

Kether não está individualizado, isolado, constituindo um ser qualquer, ele é uma fração da Consciência Cósmica no ser ao qual estiver unido.

Através de Kether todos os seres interligam-se, pois ele é um elo comum de todas as coisas existentes. Como podemos sentir, é excelente aquela analogia que aparece nos ensinamentos rosacruzes que estabelece comparação entre a Centelha Divina no ser e uma lâmpada elétrica. As lâmpadas podem ser individualizadas, porém a energia é a mesma. Por meio de uma energia única todos os seres interligam-se.

Do que acabamos de dizer advém duas conseqüências que merecem ser analisadas. Uma delas será estudada no Tema 70 e a outra analisaremos a seguir. A primeira indagação que podemos fazer é a seguinte: Se Kether é um ponto comum a todos os seres, através desse ponto podem ser estabelecidas ligações entre mentes de diferentes seres? - Outra indagação: Se há uma natureza Divina nos seres, até que limite estendem-se as potencialidades de cada um deles?

Esta segunda indagação constitui a matéria desta palestra..

JESUS DISSE: VÓS SOIS DEUS

Com esta afirmativa o Jesus referiu-se indubitavelmente à essência divina de cada um de nós, isto é, referiu-se à ponta do triângulo superior onde está representada a manifestação da Divindade do ser e, com tal, naquela partícula estão também todas as potencialidades divinas.

Novamente aqui cabe a analogia da corrente elétrica. A energia que flui pelo filamento de uma lâmpada tem a mesma natureza essencial da corrente que move gigantescos motores. A parcela que flui pelos cabos dos monumentais motores não desenvolve a mesma potência que a dos pequenos condutores, mas têm naturezas idênticas. Inúmeras leis e princípios do comportamento da eletricidade podem ser deduzidos a partir a análise do pequeno fluxo que existe num minúsculo filamento. Este exemplo presta-se para o entendimento de algumas peculiaridades da divindade de cada pessoa.

A partícula divina de cada ser humano é idêntica em essência, em natureza, à consciência cósmica. A diferença que existe é que manifestada no espírito de cada um, ela se apresenta com muitas limitações no que diz respeito à potência, por exemplo, mas isto acontece em decorrência da limitação do próprio espírito envolvido.

O Poder Superior é como um oceano, enquanto que nós somos apenas como um copo de água. O copo pode conter uma porção mínima do oceano, mas mesmo assim a água tem a mesma natureza da água da totalidade do oceano..

DEUS SE CONSCIENTIZA OBJETIVAMENTE DO MUNDO ATRAVÉS DA CONSCIÊN CIA DOS SERES.

A parcela de consciência cósmica nos seres humanos é idêntica em todas as pessoas, embora isto não pareça ser real. Trata-se das disparidades dos valores existentes entre diferentes elementos. A razão disto decorre das condições objetivas dos seres, da maior ou menor atividade dos diferentes Sephirot.

A manifestação do Poder Superior até chegar à manifestação no mundo denso é como uma luz que passasse por uma seqüência de vidros de diferentes cores. Quando aquela luz chega ao nível do triângulo inferior já está com uma cor bem diferentes da que tinha em sua origem, porém a sua natureza permanece a mesma..

A fração da consciência cósmica em cada ser é sempre idêntica, sempre pura, perfeita, e sábia. Esta acertiva tem constituído um ponto prati­camente incompreensível para os principiantes da senda mística porque a es­sência sendo pura e perfeita a pessoa comete tantos erros, tantas imperfeições que praticamente caracterizam as pessoas. É muito difícil esclarecer isto sem que antes o buscador haja atingido um certo ponto da senda.

Com uma perfeita compreensão da Árvore da Vida ou dos três triângulos da Rosacruz não fica difícil se compreender e se aceitar essa ver­dade. Isto acontece porque via de regra as pessoas não sabem ainda distinguir a diferença existente entre consciência e mente. So­mente a mente é falha e imperfeita, especialmente quando ativa em nível cerebral.

Somente no Pentagrama do mal, naquele com a 5a ponta voltada para baixo, residem quase todas as diferenciações entre as pessoas. Uma pessoa diferencia-se de outra apenas por variações físicas (Malkut), pelas emoções ( Geburach ), por suas atividades físicas ( Hod) e pelo intelecto ( Binah ). Por outro lado as qualida­des do lado transcendental não diferenciam as pes­soas entre si. A intuição (Hokhmah ), as emoções profundas ( Kjesed ) e o instinto ( Netzach ) são sem­pre idênticos, podendo apenas manifestarem-se mais, ou menos eficientemente, em cada caso, mas isto decorre de limitações individuais do próprio corpo ( Malkut ).

Na analogia que fizemos antes sobre os vidros coloridos, podemos dizer que quanto mais imperfeitos e densos forem as “camadas” ( "vidros" ) que envolvem a Centelha, que englobam a Luz central, menos pura e intensa ela brilhará ao nível interior. Quanto mais objetivo for o ser, isto é, quanto mais ligado ele estiver às coisas materiais, quanto mais envolvida estiver a sua mente objetiva, menos divino ele parecerá ser, mesmo que em essência não hajam quaisquer diferenças entre as pessoas. A recíproca é verdadeira, se todas essas condições constituem obs­táculos à manifestação da Centelha Divina ao nível da matéria, igualmente elas dificultam a conscientização do homem quanto à sua parte divina.

A vida é uma peleja pelo retorno à condição divina primordial. Mesmo que a libertação não possa ser atingida logo, ainda assim de encar­nação em encarnação o ser vem conseguindo perceber a sua natureza divina; a mente objetiva vai cada vez oferecendo menos resis­tência e assim vêm sendo creadas progressivamente as condições para que a Mente Cósmica e a Consciência possam manifestarem-se melhor. Na senda mística o ser aprende como silenciar o eu menor, como amor­daçar as manifesta­ções do ego e paralelamente como es­cutar o Eu Maior.

Com a evolução as limitações impostas pelos "vidros coloridos", que usamos na analogia, vão se tornando menores. Na medida em que isto vem ocorrendo o desenvolvimento espiritual o ser vem se tornando mais esplendoroso e mais iluminado. Paralelamente as limitações em perceber a sua parte divina vão diminuindo e o diálogo com a sua natureza essencial vem se tornando possível e cada vez mais fácil.

Quando o homem atinge o ponto em que as barreiras hajam diminu­ído o suficiente, e ele haja aprendido a silenciar o seu diálogo interno, então ele facilmente pode escutar a sua natureza interior.

Se fosse possível escutar Kether sem as interferências impostas pela mente cerebral o homem seria dotado de uma quase infinita sapiência, teria capacidades ativas altamente elevadas, cumprindo-se o que disse Jesus: “VÓS DOIS DEUS”.

Em essência todos os homens são iguais, ninguém é melhor ou pior. todas as diferenciações decorrem tão somente de uma maior ou menor capaci­dade de mergulhar dentro de si mesmo em busca de seu Deus interior. Não há algo na essência de uma pessoa que não exista na de uma outra; alguém jamais é maior do que outro alguém, todos são iguais na sua essência.

Disso tudo que falamos nesta palestras pode-se tirar uma ilação: Mais vale ensinar e ajudar ao semelhante a retirar os vidros que embaciam sua luz interior do que iluminar-lhe o caminho com a nossa.

A ajuda mais válida para com os nossos semelhantes é aquela que é feito no sentido de despertar neles as potencialidades inatas. É assim por­que em essência tanto aquele que ajuda quanto aquele que é ajudado na rea­lidade são iguais.

Iluminar permanentemente o caminho de outrem vale relativamente pouco porque quando tivermos que deixá-lo só por já ser dia, por certo uma outra noite virá e ele terá um novo período de trevas que o colocará naquele mesmo ponto inicial.

"QUEM BEBE DA MINHA ÁGUA JAMAIS TERÁ SEDE..." - JESUS

Quando a ajuda se faz no sentido de abrir a consciência de outra pessoa, esta jamais caminhará nas trevas, jamais terá necessidades, jamais se perderá, e por certo terá paz e harmonia com o universo.

Toda caridade deve ser pautada segundo esta conceituação, do con­trário ela fará mais benefícios a quem a faz do que a quem recebe, e pode até mesmo ser um fator negativo para aquele a quem se tenta dar sem que o mereça. A ajuda constante quando não é bem orientada retarda o despertar de quem a recebe.

Iluminar o caminho para outrem, noite e noites seguidas, sem ensiná-lo a fazer desabrochar sua própria luz, acaba por fazer com que ele nunca sinta a necessidade de luz e conseqüentemente permaneça naquela condição de trevas por mais tempo do que necessário.

As potencialidade da alma não são infinitas ainda, contudo vão muito além de todos os limites que possamos conceber.

Ilustração do documento original