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Primeira Câmara
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Misterios do Número Quatro — A Suástica

Tema 0.372 · Temas Complementares · 1 854 palavras · cerca de 12 min

“Enquanto tendes a luz, crede na luz e vos tornareis filhos da z ”. Bíblia - joão, xii - 35-36

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A SUÁSTICA E OS MISTÉRIOS DO NÚMERO QUATRO

Ilustração do documento original

Ilustração do documento original

‘Poucos sabem que não são apenas a terra e os corpos celestes que giram no universo e que isto está explicito no desenho da svástica[1]. O universo como um todo gira, assim como a própria natureza e conseqüentemente todos os bipolos se alternam em sucessão. Dentro da creação, com mais ou com menos tempo, tudo se repete – Princípio do Ritmo – e isso está representado na cruz céltica.

Ao verão segue-se a primavera; ao inverno, o outono. O giro da natureza tem um sentido próprio, o inverso dos ponteiros do relógio, inerente à quase totalidade das coisas, por isso a pessoa que desejar estar em harmonia com a natureza tem que acompanhar esse sentido no maior número possível de situações do dia a dia.

Ilustração do documento original

fig. 1

A suástica simboliza exatamente o giro da natureza, por isso é também conhecida pelo nome de “cruz giratória”. No sentido inverso ao dos ponteiros do relógio ela é um símbolo positivo, pois está em harmonia com o giro da natureza, porém se invertida torna-se um símbolo desarmônico, negativo, usado em magia negra. A suástica nazista era invertida, isto é indicando um giro inverso ao da natureza, sentido dos ponteiros do relógio.[2]

É bem importante que se diga que o giro do universo é oposto ao giro dos ponteiros do relógio. Há pessoas indagam porque o giro da natureza é o inverso do giro dos ponteiros do relógio. Na verdade os ponteiros do relógio não indicam o sentido do giro da natureza. Realmente quem deveria girar seria o relógio e não os ponteiros e se assim fosse o giro do relógio seria idêntico ao da natureza. O que acontece é que sendo o ponteiro o elemento móvel então ele para apontar a hora corretamente tem que girar no sentido inverso. Isto é uma decorrência apenas de um problema técnico da construção do relógio. O próprio nome “ponteiro” indica “apontar”, portanto ele não tem por finalidade girar e sim apontar. Na verdade o que deveria girar seria o relógio enquanto o ponteiro deveria ficar parado, ele apenas deveria apontar, mas isto implicaria numa dificuldade técnica de natureza prática. Realmente quem indica o giro da natureza é o relógio e não o deslocamento do ponteiro.

A swástica positiva mostra o giro correto da natureza e isto se pode constatar pelo giro das próprias galáxias. O giro de uma galáxia se faz no sentido oposto àquele indicado pelo sentido dos braços da espiral, exatamente como está indicado na swástica - fig. 1. Uma galáxia gira de encontro às extremidades dos braços, portanto em concordância com o giro do universo.

Vemos que os braços da cruz na suástica podem ser direcionados para a direita (caminho da mão direita) ou para a esquerda (caminho da mão esquerda). Por meio deste simbolismo podemos entender que existem duas formas de se conhecer DEUS. Os aspectos transcendentes de Deus através do tempo têm sido buscados num sentido e no outro, os assim chamados “caminho da mão direita” e “caminho da mão esquerda”.

A suástica mostra que a realidade suprema não é diretamente acessível ao espírito humano. Ela também mostra que é possível se conhecer DEUS conhecendo-se a polaridade oposta, até mesmo pelo caminho da mão esquerda, mas isto é tremendamente perigoso, como aprenderemos na Segunda Câmara de Amenti. Este assunto somente em grau mais elevado dos ensinamentos herméticos é que são estudados. O sentido inverso de se chegar a Deus justifica o porquê da existência de diversas doutrinas que as religiões oficias consideram doutrinas “negras” mas que os que as praticam afirmem que chegarão a Deus através de suas práticas. O Hermetismo não nega isto, mas mostra a tremenda dificuldade que o peregrino terá que enfrentar se escolher essa via.

O que acabamos de afirmar parece um autêntico absurdo, mas não é assim, e o próprio simbolismo da cruz mostra isto, especialmente a Cruz Céltica. Os atlantas sabiam disto, tanto é assim que na Atlântida desenvolveram-se paralelamente os dois caminhos, mas como um deles é deveras perigoso, resultou na destruição do próprio continente.

O caminho a mão esquerda foi muito difundido em algumas culturas do passado como a Druida e a Celta, mas na atualidade sua influência ainda é muito marcante no Tibet, especialmente entre os citados lamas de chapéu vermelho.

Conhecer a Força Superior através do conhecimento da força inferior é perigoso, pois requer experiência, discernimento e especialmente anulação de todos os paradigmas, o que na maioria das vezes está muito distante do poder pessoal daquele que se dispõe a seguir por aquela via.

Também na simbologia da Índia a cruz estabelece a relação íntima entre o múltiplo e o UM, indicando que a unidade emana da multiplicidade tanto quanto se partindo desta volta-se à unidade, representada pelo ponto central. Por isso, em muitas imagens de Buda, há desenhada a Suástica. Os dois caminhos estão representados no símbolo das portas do Yantra, sempre presentes nas Mandalas.

A suástica está representada em vasos, pratos, moedas e outros objetos muitos deles datando milênios antes da era cristã, e isto é natural, pois esse conhecimento oculto do número quatro, pelo que sabemos, já existia na época do Continente Perdido de MU (Lemúria).

O simbolismo do quatro e a sua representação gráfica estão bem explícitos em alguns pontos da Bíblia. Queremos dar ênfase apenas aquele citado pelo profeta Ezequiel. Está escrito na visão de Ezequiel: “E no meio, eu vi a semelhança de quatro seres vivos, e eis qual era o seu aspecto: tinham a semelhança de um homem. E cada um tinha quatro rostos, e cada um tinha quatro asas... E eis que era a semelhança de sus rostos um rosto de homem radiante, um rosto de leão à direita em todo o quatro, um rosto de touro 1a esquerda em todos os quatro e um rosto de águia em todos os quatro...”.

Para Ezequiel, há quatro Seres vivos, cada um com quatro faces e quatro asas. O que se converterá mais tarde nos símbolos dos Quatro Evangelistas não era na origem senão os quatro aspectos desses quatros seres, tal como se pode apreciar ainda em representações artísticas do Oriente Médio antigo.

Também no Apocalipse de João no capítulo 4 - (O TRONO DE DEUS E A CORTE CELESTE). 6 - 8 “Em frente do trono havia um como mar de vidro semelhante ao cristal; e no meio do tono, e em volta do trono, quatro animais cheios de olhos por diante e por detrás”. 7 – “O primeiro animal semelhante a um leão; o segundo semelhante a um novilho; o terceiro tinha o rosto como de homem, e o quarto era semelhante a uma águia voando. Os quatro animais tinham cada um seis asas; em volta e por dentro estavam cheios de olhos, e não cessavam dia e noite de dizer: Santo, Santo, Santo, o Senhor Deus onipotente, que era, que é, e que há de vir”.

Em ambas as citações bíblicas destacam-se quatro seres, situados à volta do trono, representando os quatro aspectos, ou feições de um ser único, o qual só pode ser aquele que “estava sentado sobre o trono e se assemelhava a uma visão de jaspe verde ou de coralina...” representando o próprio Deus.

Estas citações bíblicas dizem respeito à manifestação quaternária da natureza, mostrando como Deus se manifesta nos elementos da natureza.

Dissemos do conhecimento que tinham os atlantas a respeito da natureza e, conseqüentemente, do lado esotérico do quatro. Isto se pode ver também pela cultura primitiva da América Central e do norte. Para os antigos habitantes do México o mundo foi construído à semelhança de uma cruz, no cruzamento dos caminhos que levam do leste para o oeste e do norte ao sul. Nos manuscritos, o leste é vermelho, o sul azul, o oeste branco, o norte negro, enquanto o centro é multicolorido. Nas vestes do deus Quetzalcoatl, que governava, sobretudo o leste e oeste, estava estampado uma cruz.

Na cosmologia azteca a cada ponto cardeal havia um sinal, o leste um monstro aquático, o sul um caniço, o oeste uma água, no norte uma serpente e no centro o terremoto. Diz o pensamento azteca (herança dos Maias e conseqüentemente dos Atlantas) da existência de um es‘paço-tempo que envolve os fenômenos naturais e os atos humanos impregnando-os das qualidades próprias de cada lugar e da cada momento.

Cada lugar-momento determina de modo irresistível e previsível para tudo quanto se encontra nele colocado. Assim a cruz simbolizava para os aztecas a lei do universo, a alternância de qualidades distintas que dominam e se desvanecem, que vão e que vêem, ressurgindo depois, eternamente.

O hieróglifo azteca mais comum é uma figura de múltiplas variações que compreende quatro pontos e um centro. Representa o ponto de contacto entre o céu e a terra, o lugar onde se opera a junção dos princípios opostos.

Na Sibéria e na Lapônia os xamãs sempre têm em seus tambores estampados uma cruz, representando a imagem do universo. Tem a cruz estampada para que ao vibrar produza o som primordial, criador.

As pinturas dos índios Navajos apresentam quatro barras simbolizando os quatro elementos saídos do Grande Espírito. Do centro circular, representando o Grande Espírito, saem quatro tochas que iluminam as quatro direções do mundo. Este conjunto é rodeado pelo arco-íris. (A natureza sétupla e a manifestação quaternária).[3]

Mesmo que haja sofrido imensas alterações, a estória da creação segundo a Bíblia mostra o simbolismo do quatro. Ali vemos a ação separadora de Deus na natureza. Gênesis I 1-10 mostra que Deus estabeleceu ordem ao caos inicial, estabeleceu a origem separando os elementos e colocados cada um em seu devido lugar. O criado primeiro separa a luz das trevas, depois separa as águas superiores das águas inferiores, depois separa o seco do úmido e por fim a terra do mar.

A cruz esteve presente em toda civilização do antigo Egito, sob várias formas e em especial a Cruz Ansata – Cruz alada.

Também nas culturas nórdicas primitivas além da cruz céltica existia uma cruz em forma de T denominada o Martelo de Thor.

Pelo que dissemos nessa palestra pode-se ver que a cruz não é primitivamente um símbolo cristão, pois remonta a milênios antes do Cristianismo, mas que, por outro lado, Jesus mostrou simbolicamente o seu significado, demonstrando inclusive que a cruz é símbolo da Ascensão, ela nos indica como unir os opostos como abandonar a multiplicidade para se chegar à unicidade.

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Notas

  1. Sabe-se que alguns corpos celestes têm giro inverso, mas isto não é comum e por certo tem uma razão especial de ser assim.

    ? Existem duas formas representativas da suástica, uma indicando o giro da natureza e que tem um Svástika (sentido positivo) e a Sauvástika sentido positivo (sentido inverso ao gira da natureza). ↑

  2. A suástica positiva, a do giro da natureza, Tem o nome de SVÁSTICA e a invertida SAUVASTIKA. ↑

  3. Vejamos como culturas que julgamos primitivas na realidade muitas vezes têm conhecimentos mais elevados que a cultura oficial da atualidade. ↑