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Primeira Câmara
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A Força Khristos

Tema 0.577 · Temas Complementares · 1 824 palavras · cerca de 12 min

“ Sempre somos levados para o caminho que desejamos percorrer ”. Talmud babilônico

Ilustração do documento original

Na palestra anterior falamos que as consciências individualizadas necessariamente não têm que atingir o nível de Malkut da Árvore da Vida da Creação para poderem voltar à origem, desde que elas podem intencionalmente captar e direcionar a energia precisa, graças ao uso do querer.

Diremos agora que tudo no universo manifesto teve um périplo, isto é segue uma trajetória que teve origem em Kether, perfaz um percurso em torno da Árvore da Vida, e tende a voltar à origem. Esse caminhar é imprescindível, que mais cedo ou mais, mais lento ou mais rapidamente tudo quanto existe tem que fechar o círculo, pois assim é o mundo creado.

Essa viagem pode requerer mais, ou menos energia, tudo depende do sentido em que seja feita. Vimos que segundo a física o universo flui de um estado de organização para um de desorganização e nisto está envolvido o aumento da entropia. Para mudar isto é preciso que haja incremento de energia o que não é normal em se tratando do universo material, pois não existe o aporte de energia a partir do Transcendente em quantidade suficiente. Por isto o universo creado, em grande parte, teve que chegar ao nível da material, um dos níveis mais baixos da creação.

No que diz respeito às consciências individualizadas pode se dar o inverso desde que pelo querer elas podem administrar e direcionar a energia.

Sabemos que uma pessoa, por exemplo, pode captar energia do meio para si mesma de várias maneiras já mencionadas em palestras bem anteriores. Isto é possível aos espíritos, aos seres de consciência individualizada, àqueles que assim podem exercer o querer. Por outro lado, não acontece via de regra com as creações sem consciência individualizada, pois que, como não administram o querer consequentemente não têm como direcionar o processo energético, nem como mudar de atitude perante a vida.

Quando falamos em direcionamento estamos querendo dizer que um espirito estando num determinado plano ele pode ascender desde que haja o preciso afluxo de energia. Em palestras anteriores dissemos que a energia sutil tão envolvida em múltiplos processos tem basicamente esse papel, dar condições, entre muitas outras coisas, ao espírito para ascender de nível e assim efetivar alterações do périplo. Falamos que seres de planos inferiores ao de Malkut da nossa árvore são ávidos por esse tipo de energia para poderem atuar no mundo material.

Vamos agora lembrar, já estudamos que a partir de Tríade Superior, exatamente da sephirah Binah houve a descida para as tríades inferiores. Os gnósticos ilustram aquela descida com um mito, o Mito de Sophia e outros. Falam também que um outro princípio, o Princípio Khristos, a partir de Hokhmah veio em socorro de Sophia, atendendo ao seu clamor quando se sentiu enganada pelos próprios sentimentos.

Disto temos a queda a partir de Binah, isto é a descida da criação de um nível mais elevado para um menos elevado, uma saída da Tríade Superior para constituir a Tríade Inferior. Isto corresponde ao Princípio da Descontinuidade, da fragmentação; a manistestaçao demoníaca da creação. Em contraposição temos a Força Divina, a Força da Unificação. A primeira é manifestação centrífuga e a segunda é a centrípeta.

A Reunificação conta com a possibilidade de ser feita mediante três caminhos distintos. O primeiro deles é a do retrocesso, isto é algo creado, a partir de um determinado nível, retrocede, inverte o sentido do périplo sem sair da coluna onde está. Diremos que essa possibilidade embora exista, ela é a mais fácil de todas por isto muito difícil de ocorrer. Trata-se do assim chamado Caminho da Mão Direita.

O segundo é aquele que obedece ao sentido do périplo, a descida até Malkut pela coluna de Binah e ascensão pela coluna de Hokhmah. Trata-se do “Caminho da Mão Direita”. O Caminho da Mão Esquerda pode ser muito mais gratificante do que o seu oposto. Visto por este ângulo é o caminho mais fácil de todos, porém o que envolve maior índice de sofrimentos. Baseado neste caminho existem algumas doutrinas. Exatamente, aquelas que preconizam a descida até o ponto mais baixo. Para eles vale o ditado: “ Quando não mais pode escurecer a tendência é clarear”. Se existem doutrinas que procuram esse caminho é porque sentem a dificuldade imensa de seguir no Caminho da Mão direita, a do Périplo Inverso.

Diz o mito gnóstico de Sophia: Quando ela tentou encontrar o “Pai” desceu e mergulhou num “mar de espelhos” e o que supunha ser Ele na realidade tratava-se apenas reflexos Dele. Então, quando ela percebeu o engano cometido clamou ao Pai para trazê-la de volta ao seu mundo; então o seu irmão gêmeo Khristos desceu para resgatá-la.

Vemos que mesmo existindo o caminho de volta, o Caminho da mão Direita, Sophia não conseguiu percorre-lo por si mesma. Não mais suportando cair, mergulhar nos abismos ela clamou pelo auxilio do Pai e apresentou-se o terceiro caminho, o Caminho da Salvação.

Esse mesmo simbolismo está explicito na Doutrina do Fogo Sagrado que fala de dois princípios essenciais da criação, o Princípio Fogo e o Principio Água. A partir do Princípio Água constituiu-se toda a creação material, mas com isto também surgiu a mácula. A Água maculou-se nesse processo, e então o Principio Fogo veio em seu auxilio promovendo-lhe a purificação, transformando-a, e assim ocasionando a volta à origem. O Princípio Água corresponde à Sophia e o Princípio fogo a Khristos[1].

Ilustração do documento original

Ilustração 1

Consideremos que Sophia saiu da Trindade em B – Binah – e desceu. Suponhamos que ela houvesse caído até o nível D. Para voltar à Trindade só havia dois caminhos possíveis: Retrogradar D C B ou continuar descendo até o nível mais inferior F e continuar retornando pelo lado oposto da “Árvore da Vida: D E E F G H I J. Mas, como descrito no Mito, Sophia ao ver o erro que cometera implorou ao Pai para retornar à Trindade – Tríade Superior. Graças à misericórdia Divina, seu Irmão Khristos – Força da Salvação – veio para resgatá-la, por uma via que ela desconhecia, e que consiste na passagem de um lado para outro sem ter quer descer até o fundo do abismo. Assim ela podia fazer o trajeto D H I J passando de um lado, do lado da descida para o da ascensão. Através de Khristos lhe foi mostrado o Caminho da Salvação que permite o ser afastar-se do ponto de um dos lados em que se encontra no périplo e passar para o lado, sem ter que cair para níveis ainda mais baixos, e então ser resgatado. Como Cristãos, os Gnósticos explicavam que a Força Khristos, quer seja expressa por Jesus ou qualquer ser que auxilie a levar de volta o espírito à sua origem desceu pelo lado oposto, sem que isto indicasse uma queda em qualidades, mas apenas em nível de atuação. Jesus desceu ao mundo material para resgatar os espíritos.

Em linguagem de entropia até mesmo algo sem consciência individualizada pode ser considerado como Princípio Khristos. Tudo aquilo que for capaz de ocasionar o incremento de energia para um ser ascender de um mundo, ou de um plano para outro superior.

Tal ascensão, em se tratando de consciências individualizadas, é a mudança de posicionamento perante a própria existência que torna a pessoa apta a ampliar o seu índice de energia positiva, e nisto ela pode receber auxílio de outros seres.

No princípio Khristos está contido não a energia, mas o como usá-la, o como não perde-la, não dissipá-la o como reto agir para não entrar em dissintonia com a natureza; em suma uma gama de condições que devem ser cumpridas, obedecidas para não desviar a energia, para não ocasionar algum retrocesso no périplo pessoal. Isto é o que vêm nos ensinando Jesus Cristo, isto é, o que todos os destacamentos detentores da Força Khristos vêm fazendo pela humanidade. Fazer com que as pessoas vivam uma vida correta, dentro da perfeita harmonia, afastando-se de tudo aquilo que dificulta a sintonia pessoal com a força propulsionadora da ascensão. Assim podemos entender melhor como a Força Cristos é também chamada de Força Redentora, ou Força da Salvação.

É bom que se perceba que não se trata de uma força injetada de fora e sim uma condição resultante da aplicação do uso dos princípios da natureza. Por isto podemos dizer que nenhum detentor, nenhum portador da Força Khristos promove diretamente a redenção. Jesus e nenhum outro salva, quem salva é a própria pessoa a si mesma; é ela quem tem que direcionar a energia no sentido positivo. Os Arautos da Força Khristos trazem a força da salvação, mas nem uma pessoa só se salva se ela o quiser, tem que haver as condições precisas e estas são mostradas pelos mentores espirituais, mas na realidade é a própria pessoa quem opera em benefício dela próprio. Sophia teve que pedir, teve que clamar, para que o seu irmão descesse até onde ela se encontrava e traze-la de volta. Mas ele só veio quando ela clamou ao Pai, quando expressou o desejo de voltar e fez por onde retornar à origem.

No Mito de Sophia a missão de Khristos foi ensinar maneira de estabelecer um “atalho” no périplo para não ter que descer até aos planos mais inferiores.

Na realidade Sophia não é uma pessoa, é, antes, um símbolo, uma representação de tudo quanto há, desde as coisas mais materiais até às mais espirituais. Assim sendo, em muitos sentidos, ela é composta por miriades de unidades. Muitas dessas unidades evidentemente chegaram ao nível mais baixo e estão retornando, outras ainda estão em queda, outras já redimidas, outras retrogradando, e outras passando de um lado para o outro evitando assim atingir os planos mais inferiores da existência.

Vemos que no mundo as coisas se transformam pelo fogo, é ele quem evapora a água tornando isenta de impurezas. No lado material a astrofísica fala da temperatura inconcebível existente nos corpos hiperdensos, como, por exemplo, ao nível de um “buraco negro”, exatamente onde a matéria é mandada de volta ao Nada. É sempre assim, o fogo resgatando a matéria. Não é diferente no nível espiritual, o fogo da consciência resgatando, levando as pessoas a transformarem-se visando a volta à origem.

O Princípio Khristos salvando o Princípio Sophia, por isto a Força Khristos pode ser chamada de Força da Salvação. Jesus, um dos expoentes da Força Khristos trouxe para a terra essa força, mostrando como poder não ter que atingir o nível mais baixo, como poder passar de um lado para o outro, o como abandonar o caminho da mão esquerda e passar para o lado da direito, seguir pelo caminho da mão direita até chegar à origem sem ter que perfazer todo o périplo.

Ilustração do documento original

Notas

  1. Quando falamos no Principio Khristos não estamos falando apenas de Jesus Cristo, embora este haja trazido inerente a Si a Força Khristos. Vários destacamentos de Deis em missão na terra, entre eles Jesus, trazem si a Força Khristos. ↑