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Purificação e Cientificação

Tema 0.564 · Temas Complementares · 1 952 palavras · cerca de 13 min

“ A sabedoria revela-se aos puros, e a pureza aos sábios ”. 1 9 9 6

Ilustração do documento original

No processo da creação ocorreu uma condição a partir da qual se caracterizou a individuação dos espíritos: o bloqueio da consciência pura e onisciente. Assim a Luz nos planos creados não tinha mais a mesma intensidade, era como uma luz que fosse refletida por espelhos progressivamente menos límpidos e assim sendo, menos aptos a refletir a Luz em toda sua plenitude. Por isso diz-se que na creação a Luz foi envolvida por mantos de obscuridade.

A creação, na realidade, consta de miríades de coisas que são apenas espelhos nos quais, o Poder Superior reflete-se. A Creação é, portanto, como diz o Mito de Sophia, um mar de espelhos. Vale salientar que nenhum desses espelhos que constituem a creação é capaz de refletir o Poder Superior em sua Plenitude, desde que nenhum deles é o suficientemente perfeito para isso. Sendo assim o melhor dos reflexos ainda é limitado em muitos aspectos.

Segundo a doutrina das Emanações, na medida em que a Luz foi “descendo” ela foi sendo envolvida até chegar a um nível próximo da treva total.

São, em grande número, os sistemas que falam da creação dentro de um mesmo enfoque, mesmo que exemplificado de modos diversos. Há sistema que a estuda mostrando que o que ocorreu foi uma queda de freqüência vibratória e assim sendo, na medida em que a vibração foi diminuindo, mais distante as coisas creadas situavam-se da Fonte de Origem, da vibração da Luz Primordial.

Por sua vez, a Doutrina do Fogo Sagrado, conforme nos revela “O Tibetano”, diz que o Princípio Água foi se maculando na medida em que o processo creativo foi se manifestando.

Segundo a Doutrina Gnóstica, a descida de Sophia para os mundos inferiores ocasionou uma cegueira quase completa nas expressões de consciência individuadas, por isso mesmo o Demiurgo foi chamado de Deus dos Cegos, “És Samaël Deus dos Cegos” diz a Estória da Creação contada pelos Gnósticos Cristãos dos primeiros séculos do Cristianismo.

As doutrinas cristãs, derivadas do ortodoxismo dos primeiros séculos, endossam um mito simbolicamente expresso na Cabala exotérica, que diz que os anjos foram criados, mas que o chefe deles, Lúcifer quis ser Deus, quando então houve uma guerra tendo do lado de Deus o Arcanjo Miguel. Lúcifer acabou sendo vencido e como conseqüência foi expulso do céu e lançado no abismo das trevas juntamente com todos os anjos que o haviam acompanhado.

Como vemos, as coisas diferem nos detalhes e na maneira de serem expostas, mas em linhas gerais todas as tradições convergem para um mesmo ponto, os espíritos, de uma ou de outra forma, foram creados e afastaram-se da Fonte Creadora.

Quase todas as doutrinas básicas falam da existência de uma volta, ou seja, que os “anjos caídos” um dia voltarão à origem e isto representa à reunificação com Deus. Podemos afirmar que isto representa a verdade, pois se assim não fosse o Poder Superior deixaria de ser infinito por restarem de fora miríades de frações que antes o integravam.

Os diversos sistemas doutrinários divergem muito no que diz respeito à volta. Os espíritos têm que tirar todos os envolvimentos que os individualizaram, e os separaram de Deus. Mas, a divergência diz respeito exatamente se na volta cada espírito que se purifica unem-se de imediato a Deus. A fim de entendermos bem o que isto significa é preciso que pensemos na “Árvore da Vida”. Primeiramente temos que considerar que existe a Tríade Superior integrando o Divino Azilut, Nível da Emanação. Foi a partir deste nível que houve a individuação dos espíritos e a constituição de tudo quanto pode ser detectado no universo. Da Grande Tríade de Luz surgiram os espíritos e toda a creação constituindo-se assim o Divino Beriah.

Antes que possamos entender a volta de Sophia e o processo da Unificação é preciso que se tenha em mente mais alguns conceitos a respeito da natureza das coisas em geral, e dos espíritos em particular. A essência básica de todo o Universo constitui-se de ENERGIA - CONSCIÊNCIA - QUERER e que são UM em Kether. Em outras palavras, ao nível de Kether esses três elementos constituem-se uma só essência, por isto podemos dizer que a rigor não houve creação alguma, apenas houve manifestações do que já existia em potencial. Como diz a Tradição: Na constituição do universo houve apenas “Emanações” a partir de Kether. Isto implica que a rigor os espíritos não foram creados, o que ocorreu foram manifestações das próprias qualidades do UM condicionadas por limitações, por atenuações sucessivas do potencial, o que equivale a cada pessoa ser uma expressão do próprio Deus.

Embora os espíritos não hajam sido nem creações fora do Um e nem sequer “separações” eles e todo o universo se nos apareça algo constituído por uma quantidade quase infinita de coisas diferentes, mas, podemos dizer que na realidade tudo isto não passa de delimitações do que essencialmente é Uno. Houve apenas um afastamento da origem, isto é, os elementos básicos da essência do Universo manifestaram-se de formas limitadas. A Onisciência e Onipotência deixaram de se manifestar em plenitude. Aquela luz ao ser envolvida tornou-se diferente da luz inicial, mas continuou sendo ela mesma. Em uma analogia que fizemos em palestra anterior dissemos se tal qual um lago que houvesse se congelado e a sua superfície gelada houvesse se fragmentado formando-se blocos, mas que, embora tomando formas diversas mesmo assim eles continuaram tendo a mesma natureza.

No processo denominado creação houve diminuição da vibração primordial e assim sendo esses três elementos tornaram-se limitados e, conforme os graus de limitações instituíram-se os níveis inferiores da existência. No caso específico das coisas materiais ocorreram mais 6 níveis perfazendo um total de oito distribuídos em três níveis: Nível da Creação (Divino Beriah), Nível da Formação (Divino Yezirah) e nível da manifestação (Divino Asiyyah).

Como tem sido mencionado por vários sistemas, e como já estudamos em palestras anteriores, além de Binah as emanações tornaram-se bem afastadas de Kether ocasionando condições que podem ser consideradas relativamente “impuras”, imperfeitas e limitadas. Não houve propriamente o surgimento de quaisquer condições novas, mas sim manifestações de planos já implícitos nos níveis inferiores. Na plena luz a treva não aparece, dentro da gnose a ignorância não se manifesta diante do conhecimento.

É bom salientar que, mesmo na Tríade Superior, o nível de Hokhmah, e mais ainda no de Binah, ainda existia a pureza, mas o mesmo não acontecia no que diz respeito ao conhecimento. Naquele nível o decaimento vibratório já limitara a gnose; em Binah já não existia o conhecimento de tudo quanto há. Tanto é assim que o “Eon Sabedoria” - Sophia - inerente ao nível de Binah quis voltar a ter a onisciência, quis conhecer o pleroma, a Plenitude, o Pai.

Agora vejamos o que acontece no processo de reunificação, da volta à origem. O caminho inverso tem que ser no sentido da complexidade descomplexidade. Tem que ocorrer a descomplexidade das coisas, aquilo que é complexo, múltiplo tem que se tornar simples e único.

No caso específico do espírito, a unificação se processa em duas etapas bem definidas. Primeiramente, pela purificação ele volta a integrar, a recompor, o nível Azilut. Ele volta à origem no sentido do “Nível de Emanação”, nível do e Divino Azilut. Em outras palavras, ele reintegra-se à Trindade Superior, mas não diretamente Kether. No Azilut Superior existe a pureza, não mais existem os envoltórios de impurezas que individualizaram os espíritos, mas não o conhecimento absoluto, e nem a consciência plena. Ali ainda está expressa a mente com todas as suas limitações e imperfeições.

Deve haver diferenças que caracterizam cada um dos sephirah que compõem a Tríade Superior, pois se assim não fosse eles não seriam três e sim apenas um. Então o que é que diferencia cada um dos sephirah dentro da Tríade? - Não é a pureza, não é qualquer tipo de “envolvimento”, pois ali é nível de Astral Superior onde inexistem impurezas. Na realidade o fator limitante, e conseqüentemente individualizante, é exatamente o grau de cientificação, ou seja, o grau de conhecimento. O conhecimento absoluto só existe no Absoluto, bem além do Poder Creador, de Brahma, do Pleroma.

Ao nível da Tríade, a sabedoria de todo o universo creado é pleno em Kether, mas não em Hokhmah e menos ainda em Binah. Por sua vez o saber e o conhecimento absoluto só está presente ao Nível do Mundo Transcendente. Como ao nível da Tríade Superior existe a pureza e nenhum envolvimento, indaga-se então o que é que individualiza os três sephirot, o que separa um e outro? - Podemos dizer que a individualização de cada sephirah ocorre por conta do conhecimento. Embora sejam três sephirot puros mesmo assim o conhecimento ao nível de Kether é bem mais amplo que ao nível de Binah. Dentro da creação o conhecimento máximo está em Kether que é uma projeção direta do Poder Creador, mas não a nível, por exemplo, de Binah. Binah representa um nível vibratório abaixo de Hokhmah e de Kether. Em Kether, mesmo que a pureza seja a mesma de Binah, mesmo assim existe nele mais sabedoria, onisciência que em Binah.

Abaixo de Binah, isto é, fora da Tríade Superior, tudo o que emanou dali apresentou-se não apenas com perda parcial de sabedoria, mas também das demais qualidades inerentes a Kether. Houve um afastamento, uma polarização, e disto advém que todas as qualidades foram se tornando opostas. Na volta, quando o espírito chega novamente ao nível de Binah, ele já está puro tal quanto esteve na sua origem quando integrava a Tríade Superior, mas, mesmo assim, ele não pode se unificar a Kether, pois lhe falta uma qualidade. Existe um elo de separação – limite – entre os 3 sephirot componentes da Tríade Superior, entre Kether e os dois outros sephirot que diz respeito ao grau de sabedoria e é isto exatamente o que faz com que, mesmo estando puro, mesmo dentro da pureza os sephirot estejam separados formando uma Tríade e não uma Mônada. Se todos três sephirot tivessem o mesmo nível em todas as qualidades eles não seriam três e sim um, portanto não haveria Trindade. A diferença entre os sephirot da Tríade Superior reside, pois, no grau de cientificação e não no de pureza. O grau de cientificação é o divisou, o nível de separação.

O espírito liberta-se da “roda das reencarnações” quando ele torna-se puro, mas nem por isto ele ainda tem a ciência de todo o conhecimento e sabedoria cósmica, pelo que ainda está preso ao Mundo Imanente.

Ilustração do documento original

Movimento de involução em direção Movimento de evolução em direção

matéria à espiritualidade

Dessa forma podemos dizer que a volta à Trindade ocorre pelo estado de pureza, mas não ainda pelo de conhecimento, ou seja, pela cientificação. É exatamente na Tríade, ao nível de Binah, que os espíritos sucessivamente vão voltando na medida em que eles vão se purificando, mas é ali que eles ainda têm que permanecer até readquirirem a onisciência.

Ainda não sabemos por quanto tempo o espírito permanece puro, dentro da Tríade Superior, no processo de cientificação, contudo podemos dizer que enquanto a Tríade não estiver totalmente reconstituída nenhum espírito voltará ainda a ser Um com Kether. “Sophia” tem que voltar totalmente integrada, plena de sabedoria e pureza.

Nesta palestra procuramos mostrar que Purificação não é a mesma coisa que Cientificação. Na realidade vemos que talvez o número de transformações necessárias para uma pessoa se tornar pura não ultrapasse a casa de uma centena, mas para ela chegar a ter o conhecimento de tudo o que existe no Universo, desde as coisas mais simples até as mais complexas, nos seus mínimos detalhes, por certo esse número ascende à casa dos bilhões, e talvez muitíssimo mais.

Ilustração do documento original