Análise do Primeiro Sermão — A Imanência
“ Saber é saber que sabes, quando sabes, e e saber que não sabes, quando não sabes. 1 9 9 6
Confúcio


Vamos agora comparar o que nos é ensinado no Primeiro Sermão aos Mortos, com aquilo que nos legou Toth ( impropriamente denominado Hermes ).
O texto: “O Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação. Diferenciação é criação. O mundo criado é de fato diferenciado. A diferenciação é a essência do mundo criado e, por essa razão, o que é criado gera também as diferenciação ”.
Um dos princípios complementares do Hermetismo diz que uma das características fundamentais do universo é a fragmentação. Na formação do Universo tudo partir de um ponto, quer seja na conceituação mística quer na científica ( Teoria do Big-Bang ). Na realidade a fragmentação do Principio único não pode ser aceito como uma fragmentação absoluta, ou seja, em todos os planos. Se não restassem elos entre as partes por certo que o infinito deixaria de ser infinito, o absoluto deixaria de ser absoluto porque a parte isolada deixaria de pertencer ao todo e assim o todo deixaria de ser todo. O absoluto, portanto, não pode existir se algo estiver fora dele. Indagamos, como algo pode ser absoluto se existirem coisas que não pertençam a ele.?
Sendo assim quando o Princípio Hermético fala da fragmentação restringe-se a um ou mais de um dos sete níveis mas não de todos eles ao mesmo tempo. Na realidade as emanações sucedem-se rugem os níveis, manifestam-se os níveis. Na realidade não se trata de um secionamento mas sim de uma manifestação da intimidade do todo. Ele autoprojeta-se em desdobramento e aquilo que se projeta pode se fragmentar embora continue unido ao principio Único. Ao infinito nada pode ser tirado ou crescido, sendo assim a única possibilidade é a manifestação.
A diferenciação é o resultado da fragmentação e ela nada mais é do que o resultado da polarização. Por isso o texto diz que o Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação.
O Infinito não pode ser fragmentado em sua totalidade, apenas tal pode ocorrer num determinado nível mostrar a fragmentação, mas não no nível total e sim em nível de um dos planos d dos sete planos da criação.
No infinito está imante a difenciaçao mas isto resulta tão somente do nível de manifestação, portanto temos que admitir que o Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação
O resultado da fragmentação é sem dúvidas a diferenciação. As coisas ao se diferenciarem necessariamente têm que haver passado por uma fragmentação prévia, desde que duas coisas que não possuam diferenciações não podem ser consideradas separadas e vice-versa.
Todas as coisas existentes são diferenciações emanadas de uma Princípio Único, por isto o texto diz que o mundo criado é uma qualidade do Plerôma, da mesma forma que o Incriado.
UNO

FIG. 1
Diz o texto: A morte eterna também representa uma qualidade do Plerôma, da mesma forma que o incriado. A criação é eterna e omnipresente, e a morte é eterna e onipresente.
Isto não fala apenas da morte dos assim chamamos seres vivos que habitam a terra e sim do ciclo eterno de criação e de recriação. Essa criação e recriação não significa repetição e sim renovação. Cada ciclo é um novo ciclo num processo eterno pois no infinito as possibilidades são infinitas e assim jamais para. E o que os Bramanistas fala do Dia e Note de Brahma, do expirar e inspirar de Brama.
O texto diz: “diferenciação é criação. O mundo criado é de fato diferenciado. A diferenciação é a essência do mundo criado e, por essa razão, o que é criado gera a mais diferenciação.
O que na realidade se nos apresenta como mundo? - Uma plêiade imensa de coisas. Ora, as coisas são apenas diferenciações de um Princípio Único, portanto o mundo é apenas é o resultado da diferenciação .
Sabe-se que não existe efeito sem causa, assim sendo tudo o que existe origina-se de algo preexistente e, em se tratando de universo uma coisa resulta da outra. Se cada coisa é uma diferenciação é esta certo a afirmativa de que o que é criado gera também mais diferenciações.
Texto: “ Eis porque o próprio homem é um divisor, porquanto sua essência é também diferenciação”.
Já dissemos que de um forma rígida não se pode dizer que o espírito foi criado em algum momento, o que aconteceu foi a diferenciação de algo preexistente, ou seja, individuação da consciência.
Temos afirmado que um espirito nada mais é que “um tanto de energia” dotado de consciência e querer. É bom que se tenha em mente que aquilo que chamamos de “minha consciência” na realidade não se trata de algo pessoal, independente, e sim apenas de uma setorização da própria Consciência Cósmica.
Não somente a consciência, mas também o querer não são exclusividades de um determinado espírito, ou seja condições diferentes do Querer e da Consciência Cósmica. O que faz com que pareçam existir tantas consciências quanto são as pessoas é o fato de o envolvimento espiritual funcionar como uma espécie de filtro que estabelece o índice pessoal de manifestação caracterizando a consciência a nível individual.
Sendo o espirito algo constituído apenas de energia ( vida ) tendo inerente o querer e a consciência, e sendo esses elementos incriados, condições eternas integrantes do próprio Poder Superior, é fácil perceber-se que não houve criação de espírito algum e sim individuações apenas de “UM ESPÍRITO ” ou seja uma manifestação diferenciada do Poder Superior.
Texto: “O mundo criado está sujeito a mudar, pois possui qualidades”.
Muda porque há as diferenciações; sendo o mundo constituído de diferenciações e como diferenciações as coisas podem mudar, mas o indiferenciável jamais pode mudar, eternamente é que é; como diz a Cabala a respeito do Poder Superior: “Sou o que Sou”.
Texto : “Eis porque o próprio homem é um divisor, porquanto sua essência é também diferenciação”
Aqui o texto fala do homem como individualidade. A primeiro divisão foi a individuação dos espíritos assim sendo esta fase pode ser considerada como o primeiro divisor, o limite separativo entre o Um e o múltiplo, entre o Criador e a Criação. Por isto o homem, no sentido espiritual, é o divisor. Tudo proveio da primeira divisão que se iniciou com a individuação espiritual.
Texto “ Eis porque ele distingue as qualidades do Plerôma, qualidades essas que não existem. Essas divisões, o homem extrai de seu próprio ser. Eis porque o homem discorre sobre as qualidades do Plerôma, que são inexistentes”.
As “faces” do Poder Superior existem apenas em função do homem, senão vejamos: Poderia existir querer se não existem os seres para exercê-lo? Poderia existir amor se não existissem pessoas para amar? - Todas as “qualidades”, “Faces do Poder Superior”, existem tão somente em função dos seres, por isso o homem é também um divisor.
Se as “qualidades” do Poder Superior não existem fora do homem, então o Plerôma é imanente no homem e transcendente no universo. Assim podemos ver que o texto está correto quando se refere ao homem, dizendo:
“ Eis porque ele distingue as qualidades do Plerôma, qualidades essas que não existem. Essas divisões, o homem extrai de seu próprio ser. Eis porque o homem discorre sobre as qualidades do Plerôma que são inexistentes ”.
O Monismo nos ensina: “ Deus é a Realidade Una e Única, o grande Uno da Essência, que sempre de novo se revela através da pluralidade das existências, através do Verso das creaturas. As creaturas não são nova realidades, mas apenas novas manifestações da única Realidade; são Uno da Essência Infinita que se espraia no Verso das existências finitas”.
