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Análise do Primeiro Sermão — A Imanência

Tema 0.550 · Temas Básicos · 1 265 palavras · cerca de 8 min

“ Saber é saber que sabes, quando sabes, e e saber que não sabes, quando não sabes. 1 9 9 6

Confúcio

Ilustração do documento original

Vamos agora comparar o que nos é ensinado no Primeiro Sermão aos Mortos, com aquilo que nos legou Toth ( impropriamente denominado Hermes ).

O texto: “O Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação. Diferenciação é criação. O mundo criado é de fato diferenciado. A diferenciação é a essência do mundo criado e, por essa razão, o que é criado gera também as diferenciação ”.

Um dos princípios complementares do Hermetismo diz que uma das características fundamentais do universo é a fragmentação. Na formação do Universo tudo partir de um ponto, quer seja na conceituação mística quer na científica ( Teoria do Big-Bang ). Na realidade a fragmentação do Principio único não pode ser aceito como uma fragmentação absoluta, ou seja, em todos os planos. Se não restassem elos entre as partes por certo que o infinito deixaria de ser infinito, o absoluto deixaria de ser absoluto porque a parte isolada deixaria de pertencer ao todo e assim o todo deixaria de ser todo. O absoluto, portanto, não pode existir se algo estiver fora dele. Indagamos, como algo pode ser absoluto se existirem coisas que não pertençam a ele.?

Sendo assim quando o Princípio Hermético fala da fragmentação restringe-se a um ou mais de um dos sete níveis mas não de todos eles ao mesmo tempo. Na realidade as emanações sucedem-se rugem os níveis, manifestam-se os níveis. Na realidade não se trata de um secionamento mas sim de uma manifestação da intimidade do todo. Ele autoprojeta-se em desdobramento e aquilo que se projeta pode se fragmentar embora continue unido ao principio Único. Ao infinito nada pode ser tirado ou crescido, sendo assim a única possibilidade é a manifestação.

A diferenciação é o resultado da fragmentação e ela nada mais é do que o resultado da polarização. Por isso o texto diz que o Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação.

O Infinito não pode ser fragmentado em sua totalidade, apenas tal pode ocorrer num determinado nível mostrar a fragmentação, mas não no nível total e sim em nível de um dos planos d dos sete planos da criação.

No infinito está imante a difenciaçao mas isto resulta tão somente do nível de manifestação, portanto temos que admitir que o Plerôma possui tudo; diferenciação e indiferenciação

O resultado da fragmentação é sem dúvidas a diferenciação. As coisas ao se diferenciarem necessariamente têm que haver passado por uma fragmentação prévia, desde que duas coisas que não possuam diferenciações não podem ser consideradas separadas e vice-versa.

Todas as coisas existentes são diferenciações emanadas de uma Princípio Único, por isto o texto diz que o mundo criado é uma qualidade do Plerôma, da mesma forma que o Incriado.

UNO

Ilustração do documento original

FIG. 1

Diz o texto: A morte eterna também representa uma qualidade do Plerôma, da mesma forma que o incriado. A criação é eterna e omnipresente, e a morte é eterna e onipresente.

Isto não fala apenas da morte dos assim chamamos seres vivos que habitam a terra e sim do ciclo eterno de criação e de recriação. Essa criação e recriação não significa repetição e sim renovação. Cada ciclo é um novo ciclo num processo eterno pois no infinito as possibilidades são infinitas e assim jamais para. E o que os Bramanistas fala do Dia e Note de Brahma, do expirar e inspirar de Brama.

O texto diz: “diferenciação é criação. O mundo criado é de fato diferenciado. A diferenciação é a essência do mundo criado e, por essa razão, o que é criado gera a mais diferenciação.

O que na realidade se nos apresenta como mundo? - Uma plêiade imensa de coisas. Ora, as coisas são apenas diferenciações de um Princípio Único, portanto o mundo é apenas é o resultado da diferenciação .

Sabe-se que não existe efeito sem causa, assim sendo tudo o que existe origina-se de algo preexistente e, em se tratando de universo uma coisa resulta da outra. Se cada coisa é uma diferenciação é esta certo a afirmativa de que o que é criado gera também mais diferenciações.

Texto: “ Eis porque o próprio homem é um divisor, porquanto sua essência é também diferenciação”.

Já dissemos que de um forma rígida não se pode dizer que o espírito foi criado em algum momento, o que aconteceu foi a diferenciação de algo preexistente, ou seja, individuação da consciência.

Temos afirmado que um espirito nada mais é que “um tanto de energia” dotado de consciência e querer. É bom que se tenha em mente que aquilo que chamamos de “minha consciência” na realidade não se trata de algo pessoal, independente, e sim apenas de uma setorização da própria Consciência Cósmica.

Não somente a consciência, mas também o querer não são exclusividades de um determinado espírito, ou seja condições diferentes do Querer e da Consciência Cósmica. O que faz com que pareçam existir tantas consciências quanto são as pessoas é o fato de o envolvimento espiritual funcionar como uma espécie de filtro que estabelece o índice pessoal de manifestação caracterizando a consciência a nível individual.

Sendo o espirito algo constituído apenas de energia ( vida ) tendo inerente o querer e a consciência, e sendo esses elementos incriados, condições eternas integrantes do próprio Poder Superior, é fácil perceber-se que não houve criação de espírito algum e sim individuações apenas de “UM ESPÍRITO ” ou seja uma manifestação diferenciada do Poder Superior.

Texto: “O mundo criado está sujeito a mudar, pois possui qualidades”.

Muda porque há as diferenciações; sendo o mundo constituído de diferenciações e como diferenciações as coisas podem mudar, mas o indiferenciável jamais pode mudar, eternamente é que é; como diz a Cabala a respeito do Poder Superior: “Sou o que Sou”.

Texto : “Eis porque o próprio homem é um divisor, porquanto sua essência é também diferenciação”

Aqui o texto fala do homem como individualidade. A primeiro divisão foi a individuação dos espíritos assim sendo esta fase pode ser considerada como o primeiro divisor, o limite separativo entre o Um e o múltiplo, entre o Criador e a Criação. Por isto o homem, no sentido espiritual, é o divisor. Tudo proveio da primeira divisão que se iniciou com a individuação espiritual.

Texto “ Eis porque ele distingue as qualidades do Plerôma, qualidades essas que não existem. Essas divisões, o homem extrai de seu próprio ser. Eis porque o homem discorre sobre as qualidades do Plerôma, que são inexistentes”.

As “faces” do Poder Superior existem apenas em função do homem, senão vejamos: Poderia existir querer se não existem os seres para exercê-lo? Poderia existir amor se não existissem pessoas para amar? - Todas as “qualidades”, “Faces do Poder Superior”, existem tão somente em função dos seres, por isso o homem é também um divisor.

Se as “qualidades” do Poder Superior não existem fora do homem, então o Plerôma é imanente no homem e transcendente no universo. Assim podemos ver que o texto está correto quando se refere ao homem, dizendo:

“ Eis porque ele distingue as qualidades do Plerôma, qualidades essas que não existem. Essas divisões, o homem extrai de seu próprio ser. Eis porque o homem discorre sobre as qualidades do Plerôma que são inexistentes ”.

O Monismo nos ensina: “ Deus é a Realidade Una e Única, o grande Uno da Essência, que sempre de novo se revela através da pluralidade das existências, através do Verso das creaturas. As crea­tu­ras não são nova realidades, mas apenas novas manifestações da única Realidade; são Uno da Essência Infinita que se espraia no Verso das existências finitas”.

Ilustração do documento original