Em Direção ao Infinito
“ Tudo é deus, tudo é deus! O mais são nomes...”
Junqueira Freire.

Em temas anteriores buscamos mostrar que a redução das dimensões e distancias conduzem ao infinito, ou melhor que o Infinito pode ser pressentido com uma introjeçao, como um mergulho para dentro, um cair eterno para dentro de si mesmo. Na realidade pode dar-se o inverso, uma extrojeção, um expandir eterno.
A astrofísica, partindo da hipótese do big-bang, diz que se não houver massa suficiente no universo para deter a expansão então ele pode ser considerado um sistema aberto e assim sendo todo o material nele existente se expandirá eternamente. Deste modo chegará um momento em que os atros terão se afastado tanto entre si que nenhum será mais visível da terra. Então as noites serão totalmente escuras, o céu também escuro, pois os astros estarão tão afastados entre eles que não mais serão percebidos, por exemplo, por uma pessoa que estiver num deles. Esta idéia é valida, mas desde que o observador também se expanda numa mesma proporção a expansão em nada afetará a percepção, o aspecto da abóbada celeste continuará sendo a mesma independentemente de haver ocorrido a expansão.
Se houver massa suficiente, diz a astrofísica, o universo que na fase atual ainda está em expansão chegará um momento em que a força gravitacional será anulada e então terá a inicio um processo inverso, uma fase de contração até voltar ao ponto inicial do big bang. Deste expandir e retrair numa sucessão é que foi escolhido o nome big-bang ( tipo ping-pong ), para o processo. Corresponde exatamente à referência hinduista de “Respiração de Brahma” ou a “Noite e o dia de Brahma”.
Não são apenas os místicos, também os cientistas defrontam-se com as duas situações, a da expansão e a da contração que conduzem ao Infinito. Na realidade a ciência defronta-se com certa dificuldade para entender isto ,mas pelo raciocino místico não é difícil chegar-se a um bom nível de entendimento através de exemplos, muitas vezes, simples, como o que fizemos com relação à escada e aos degraus.
Esta hipótese da expansão infinita tem as mesma implicações que a que fizemos nos dois derradeiros temas, apenas que neste caso trata-se apenas do sentido inverso daquele antes estudado. Ali falamos da aproximação “ad infinitum” e agora estamos falando da expansão “ad infinitum”. De tudo o que foi dito com relação à diminuição é válido em sentido inverso para a expansão.[1]
Pelo que foi dito vemos que o infinito pode ser percebido em dois sentidos. Na verdade não podia deixar de ser assim pois que estando ambos os casos no infinito onde tudo é centro, no infinito não existe periferia pois isto implicaria na existência de um limite e como tal tratar-se-ia de algo finito. No Infinito só existe centro, qualquer ponto é sempre centro. Também não pode haver o “para frente” ou “para trás”; o “para a direita” e o “para a esquerda”. Qualquer ponto sempre é o centro do infinito.
Pelo que acabamos de dizer podemos ver porque a consciência e todos os atributos do Poder Superior - sendo Este infinito - estão em toda aparte e podem ser encontrados em qualquer sentido. Daí a existência do caminho da mão esquerda e o caminho da mão direita. Dissemos, em palestra anterior, que para nós há muito mais dificuldades no giro inverso que constitui o caminho da mão esquerda, embora isto seja apenas uma dificuldade presente no mundo relativo. Naturalmente, se estamos num mundo relativo devemos procurar nos harmonizar com ele. Se o mundo em que vivemos tem um giro, então devemos procurar nos harmonizar com o sentido desse giro. Seguir em harmonia com o giro da natureza, com o giro universal as coisas tornam-se menos difíceis, pois é mais fácil “remar a favor da correnteza”, como diz o provérbio, do que contra ela. Isto é válido para nós desde que somos seres relativos integrantes de um mundo também relativo. Qualquer caminho pode levar ao Infinito porém se vivemos num sistema relativo, num dos degraus da escada infinita, neste caso tudo se torna mais fácil se seguirmos o sentido harmônico com este mundo.
Mas, em termos de infinito, os caminhos são indistintos, ou melhor, eles não existem, pois, como já dissemos antes, não existe direita nem esquerda, para cima ou para baixo, por não existir nele espaço, a não ser como um potencial. Ora, já vimos na palestra anterior que aquilo que se diz ser um potencial não deixa de ser algo manifestavel desde que é o limite de percepção do ser quem determina algo ser potencial ou efetivo. Algo que para um ser é apenas potencial para um outro pode ser algo.
Dissemos que dois espelhos muito juntos, para nós eles têm apenas o potencial de reflexão mas para um ser de mínimas dimensões que seja capaz de se situar entre eles, então o que para nós é um potencial para aquele ser não o é, e sim algo efetivo.
Vimos que dentro da creação não se pode chegar a espaço zero, portanto no infinito. Quer pela aproximação, quer pelo afastamento vemos que jamais esse ponto é atingido. Isto nos conduz à admissão da inexistência dele como algo.
Estamos cada vez mais próximo de perceber que o Infinito é apenas uma condição mental, ou seja ele é essencialmente mente contido na própria creação. Podemos pressentir não existir o infinito como algo, mas apenas como mente, como consciência, a qual quando se manifesta, sempre está em algum nível de criação.
Disto pode surgir uma indagação seguinte: neste caso não houve inicio da creação. Deste universo que vivificamos sim, mas a creaçao é eterna nunca teve princípio e nem terá fim, pois o nada deixa de ser nada quando algo é criado, assim sendo a criação é perene.
O Poder Superior para se tornar manifesto teve que crear, o que eqüivale a dizer limitar-Se para poder perceber-Se. Assim, ao mentalizar-Se Ele cria a descontinuidade pois somente através dela é que o Infinito que é Ele próprio torna-se então algo efetivo.
Vamos usar um exemplo prático que por certo facilitará a compreensão. Suponhamos uma bola contínua, maciça até o infinito. Assim sendo ela não teria, por certo, dimensões quaisquer, e por isso não haveria nem o dentro da bola e nem o fora dela. Somente quando ocorre a fragmentação, a desunificação, é que entende-se o Paradoxo de Zenão. Somente pela descontinuidade é que ele pode ser explicado e entendido, pois é quando percebe-se o infinito na divisão sucessiva de algo.
Essas situações que estamos estudando são de uma sutileza bem grande, por isso não são fáceis de serem mostradas em linguagem falada ou escrita. Sendo assim é pois necessário que o discípulo ao lê-las procure mais do que entender as palavras escritas procure sentir o que está sendo mostrado, procure a compreensão pelo sentimento e não pelo entendimento.
Todo aquele que deseje adentrar níveis superiores de consciência deve não apenas ler uma única vez estas palestras em que estamos falando de Infinito; é preciso lê-las várias vezes e meditar no que está sendo tentado ser mostrado, para que o assunto possa ser visto como um sentimento. Somente havendo um certo domínio sobre tudo isto que expusemos é que torna-se possível e entendimento de níveis ainda mais elevados de compressões sobre a natureza do Poder Superior.
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Notas
A expansão e retração do universo pode ser facilmente entendido tomando-se como exemplo um projetil atirado para cima. De início os fragmentos da explosão afastam-se em decorrência da força expansiva, mas depois eles acabam caindo pela ação força da gravidade. Se a força de gravidade não for suficiente para neutralizar a força expansiva prevalecerá e os fragmentos não voltam a cair. Isto é o que acontece no lançamento de um foguete, alem de uma determinada aceleração ele acaba por não cair e continua se afastando do ponto de origem ↑