O Univrso e o Infinito
“ O nada é um infinito que nos envolve. Dele vimos, para ele vamos; O nada é o impossível e o certo; Não se concebe e, no entanto, existe.
Anatole France
O UNIVERSO E O INFINITO
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No desenvolvimento deste trabalho estudamos progressivamente várias situações e chegamos algumas vezes a falar da “criação” e do “fora da criação”. Dissemos que a Força Superior - Deus - está contido no universo, por conseguinte, dentro da criação, e sendo assim Ele seria apenas uma projeção de um Poder Superior, de um Poder Supremo, Absoluto e Infinito, existente além da própria criação Falamos no universo como uma coisa finita existente no infinito que é o Nada. Falamos de uma condição que transcendente à criação. Mas, a partir desta palestra já temos condições de mostrar que não se pode falar num universo finito.
Embora a ciência, astrofísica, limite o universo vamos ver que essa limitação é apenas uma condição relativa. Da maneira como temos levado à frente o estudo metafísico do Cosmos queremos dizer que ainda se trata de um estudo preliminar, apenas algumas bases para a compreensão de tudo o que temos que aprender no caminho da cientificação.
Da maneira como expusemos a criação até agora faz parecer que existem duas condições integrantes do Cosmos: o Universo e o Nada. Neste ponto já podemos dizer que embora o Universo seja derivado do Nada ainda assim não se tratam de duas coisas e sim de uma só. Isto é o que estamos iniciando a estudar a partir desta palestra.
De antemão, em alguns temas, mostramos indícios de que o Universo está contido no Nada tanto quanto o Nada está no Universo, mesmo que em alguns momentos tenhamos as expressões Imanente e transcendente. Na realidade estas expressões prestam-se apenas para explicar algumas situações particulares, quando na verdade elas não devem ser generalizadas, usamos mais como um meio de entendimento do que como uma condição precisa.
Demos a entender que o universo seria como que uma projeção do Nada mas na realidade ele vem a ser o próprio Nada, como veremos depois.
Um dos Princípios Herméticos diz que o Universo é Mente. Na realidade aceitar isto é muito difícil para uns e um tanto mais fácil para outros, mas na verdade entender o como isto é possível, e mesmo sentir como uma realidade, evidentemente não é fácil. Afim de se chegar a esse sentir se faz preciso antes uma preparação prévia adequada. Somente através da meditação, especialmente feita com o auxílio dos princípios cabalísticos, da D.R.D.
e de alguns sistemas metafísico-religiosos elevados. Somente uma pessoa com um bom desenvolvimento espiritual e afeita à meditação sobre a natureza do Universo pode perceber e sentir com clareza o que significa UNIVERSO MENTAL. É necessário um nível de desensenvolvimento espiritual alem do comum das pessoas. Sentir que tudo é mente, que por mais sólido e objetivo que algo pareça ser mesmo assim trata-se apenas de um artificio da própria Mente Cósmica. Pretendemos, passo a passo, mostrar o que significa Universo Mente, não apenas mostrar como um entendimento apenas mas especialmente fazer sentir ser isto algo mais, perceber não pelo entendimento mas sim pelo sentimento.
Em algumas palestras falamos da natureza descontinua do universo, falamos que entre os as ínfimas partículas constitutivas da matéria existe MA. Dissemos em alguns dos primeiros temas que MA permeia tudo quanto há, que existe fora daquilo que chamamos criação tanto quanto na própria criação. Uma partícula constitutiva da matéria ( criação ) ou qualquer tipo de manifestação da energia ( criação ) trata-se de MA vibrando segundo um determinado índice. Por outro lado entre as partículas existe o vazio, não o vazio absoluto, mas sim o vazio naquele sentido expresso pela física quântica, exatamente o que os místicos denominam de Nada - o imanifestável - que, por sua vez, exatamente o mesmo MA com a diferenciação apenas de não estar em vibrando ( não criação ), pois se estivesse tornar-se-ia manifesto ( criação ).
Na palestra anterior vimos que as polaridades jamais se encontram a um nível zero e que o universo ( criação ) na realidade é apenas um produto das polaridades. Ora, se estas não se anulam, consequentemente o universo jamais se extinguirá. A recíproca é também verdadeira, ele nunca teve início e nem terá fim. Isto é uma contradição ao que temos falado até agora. Na realidade o que vamos mostrar não contradiz o que já temos explicado mas ampliará a compreensão a respeito daquilo que é o Infinito.
Até agora viemos falando do universo como algo limitado, aliás como a própria astrofísica vem afirmando. Mas, pelo que descrevemos nos derradeiros temas temos que considerar que o universo é infinito desde que ele é constituído por polaridade e que duas polaridades jamais anulam-se segundo o paradoxo de Zenão. Se eles aproximam-se infinitamente, portanto não havendo um ponto de transição a partir do qual se possa dizer aqui termina o universo e começa o Nada consequentemente as duas coisas são uma só.
Essa condição de uma universo inextinguível leva necessariamente à condição de infinito. Da maneira como que viemos estudando, o infinito seria transcendente ao Universo. Mas se o próprio universo também é infinito, então estamos diante de dois infinitos, o que é uma impossibilidade. Haveriam dois infinitos o “infinito criação” e o “infinito nada” neste caso nem um e nem o outro seria infinito.
Pelo que acabamos de dizer a conclusão a que se chega é que tanto o Universo quanto tudo o que está fora dele constituem tão somente uma única e mesma coisa. Em outras palavras, não existe por não ter sentido algum o “fora do universo”. O infinito está no próprio universo e este naquele. Vemos que a aproximação das polaridades é como um cair para dentro de si mesmo eternamente, por todo infinito. Neste caso a criação é o próprio Poder Superior introjetando-Se eternamente.
As doutrinas nos ensinam que no Poder Superior há o potencial de tudo. Esta é a base do TAO, simbolicamente expresso pela figura do Tai Gi. Mas, o que significa a expressão “em potencial”?
Na realidade o universo é infinito o limiar que estabelecem para ele diz respeito ao limiar de percepção. Afim de entendermos melhor isto, voltemos aos “espelhos”. Vimos que teoricamente dois espelhos podem se aproximar progressivamente atingindo um ponto em que para um determinado observado coisa alguma pode ser refletido. Mas tal só acontece em virtude do observador não poder se colocar entre eles. Mas, se o observador estiver sofrendo uma redução segundo o mesmo índice de aproximação dos espelhos, então ele sempre pode se colocar entre os dois espelhos e neste caso jamais deixará de haver reflexos.
Já podemos dizer que o universo finito é apenas uma condição imposta pela limitação do observador. Se o observador colocar-se diante do Poder Superior ele é eterno, mas se colocar-se fora Dele então tudo apresenta-se finito.
Malkut só pode perceber até Kether de sua própria Árvore, mas Malkut pode estar em todas as árvores acima e abaixo. O dó central da escala é o mesmo nas oitavas inferiores e superiores. Dois espelhos podem delimitar uma oitava de dó a dó da oitava seguinte, mas podem haver N oitavas nas quais ele está presente em todas elas. Um mundo embora contenha N árvores dentro de si mesmo assim ele constitui-se por si mesmo uma árvore geral. Aquilo que chamamos de mundo, de universo, pode ser representado por uma imensa árvore dentro da qual estamos mas que não é a única totalizadora de todas.
Segundo a D.R.D. o universo pode ser considerado como as reflexões entre dois espelhos. São como dois espelhos refletindo um imenso número de imagens que chamamos de universo, que chamamos de Creação. Mas, mesmo a nível de universo, ele é uma árvore que não é a única. A nível de infinito as árvores são também em número infinito e o universo é apenas delas, é como um degrau de uma escada. Portanto não é certo se admitir que o universo seja a escada inteira. Trata-se de uma escada infinita mas qualquer dos degraus são inegavelmente finitos. Não existe escada sem degraus também não existe degrau sem escada. De igual forma não pode existir reflexo sem espelho e nem espelho sem reflexo. Pode até existir o espelho mas ele só se comporta como tal se houver algo a ser nele refletido.
Concluiremos esta palestra neste ponto, bem mais tem que ser dito mas vamos faze-lo em outra palestra para que se possa meditar bem sobre tudo que exposto, desde que trata-se de algo que para ser percebido requer um nível adequado de compreensão. Não adianta ir adiante se ainda houver dúvidas quanto ao que foi tratado neste tema.
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