Do Finito ao Infinito
“O dificil não é a purificação e sim o querer se purificar...
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No nível dos nossos estudos já não devem existir dúvidas de que todas as coisas do universo são frutos de polarizações. Coisa alguma manifesta-se diretamente se ela não estiver polarizada; é necessário que o Um polarize-se no Dois e manifeste-se no Três, esta é a lei.
Em palestra anterior dissemos que as Faces do Poder Superior não obedecem aos Princípios Herméticos. Queremos, porém, fazer inicialmente algumas considerações a respeito dessa afirmativa, pois alguém pode indagar: O amor, por exemplo, é uma Face do Poder Superior, e vemos diversas gradações de amor; há, de um lado, o ódio e do outro o amor, e isso não é uma polarização? - Na realidade os Princípios Herméticos são Cósmicos, são inerentes ao próprio Poder Superior mas o que queremos mostrar que eles só polarizam-se quando se manifestam. Sem alguém para amar o amor existe mas não manifesta-se. Quando ele manifesta-se polariza-se só aparentemente pois na realidade a polarização não é do amor em si mas da do nível de sua manifestação nas pessoas.
Pelo que dissemos, as qualidades do Poder Superior trazem em si o potencial de todos os Princípios Herméticos mas não os manifesta diretamente desde que eles só se apresentam através da criação. Aquilo que dá origem ao reflexo não se polariza diretamente mas sim indiretamente como resultado da polarização do “espelho”. Na realidade a polarização não ocorre no que é refletido, nem mesmo a imagem refletida se polariza mas sim o espelho. O amor reflete-se em diferentes graus na pessoa mas não é ele que se polariza e sim a própria pessoa.
A polaridade decorre do maior ou do menor grau de reflexão, em outras palavras, das qualidades do espelho. Suponhamos uma luz pura refletindo-se num espelho puro. Em tal condição a Luz reflete-se plenamente, enquanto que num espelho embaçado ela reflete-se menos. Entre esses dois extremos podem existir muitos estados intermediários.
Assim acontece com todas as “qualidades”, Faces do Poder Superior que parecem polarizações mas na realidade são estados dos “espelhos”. Por outro lado, desde que tanto os “espelhos” quanto os “reflexos” têm uma mesma origem, temos que admitir que essa origem está de acordo com os princípios herméticos.
O mesmo acontece com os demais Princípios Herméticos. O amor, não vibra, mas faz as pessoas vibrar. O índice de vibração não é uma qualidade direta do Poder Superior e sim da coisa que vibra, mesmo que ambas tenham origem naquela. Assim podemos dizer que a vibração é uma manifestação indireta do Poder Superior. Este creou as coisas e as estas vibram. Não nos alongaremos muito nesta análise, deixamos que o discípulo o faça, que analise cada um dos princípios herméticos dentro deste contexto e por certo compreensões bem interessantes ocorrerão.
A Luz em essência não vibra, quem vibra [1]são as coisas nas quais ela se reflete.
Agora analisemos o que acontece com as coisas diante da luz, ou seja, dos espelhos diante da luz. Num espelho límpido a luz reflete-se bem e em um maculado dá-se o inverso. Também, se o espelho estiver distante da luz o reflexo apresenta-se esmaecido, se estiver próximo reflete-se melhor, mais intensamente, a imagem virtual apresenta-se bem mais próxima da imagem real. Nisto vê-se uma manifestação e como tal uma polarização mas na realidade não é a luz que está se apresentando polarizada e sim o seu reflexo em decorrência única das condições do espelho.
A treva poderia ser considerada como um reflexo da luz em um espelho infinitamente manchado e infinitamente distante. Numa tal condição, na superfície daquele espelho nenhuma imagem seria refletida; mas a condição “infinitamente distante” e “totalmente manchado” não existe desde que não pode haver mais de um infinito; por isto podemos dizer que há limites quanto ao índice de mancha do espelho e quanto à distância entre o espelho e a luz. Daí podermos dizer que, por mais distante que esteja e por mais maculado que seja o espelho, ainda haverá um nível mínimo de reflexão. A imagem refletida está sujeito a ser de qualidade muito inferior mas mesmo assim ainda é uma imagem da origem.
Agora queremos dizer que aquela imagem muito esmaecida não é um polo oposto da imagem real; não é uma polaridade do objeto em si mas um reflexo. Há uma polaridade de reflexo, isto é, da imagem virtual, mas não da imagem real. Quando se observa uma imagem num espelho ( imagem virtual) ela não é uma polaridade do objeto ( imagem real ). Conforme a qualidades do espelho a imagem pode ser bem nítida ou bem esmaecida, mas essas duas condições são polaridades do reflexo e não do objeto, desde que o objeto refletido está fora do espelho. Assim sendo, em se tratando da Luz, quando ela é percebida estas qualidades não são frutos de sua polarização. As diversas formas com que se nos apresentam resultam apenas da limpidez do espelho e da distância que este estiver situado da sua origem. Se a fonte estiver muito distante ou se o espelho estiver maculado a imagem será proporcionalmente tênue.
Na prática o que acabamos de dizer é o que acontece também em se tratando da construção de telescópios refletores. Há uma exigência muito grande quanto às qualidades do espelho refletor de um telescópio. Exige-se que o espelho do instrumento seja de excelente qualidade, que apresente-se com o máximo possível de polimento, de limpidez, e que seja de grande diâmetro. Quando mais polido melhor ele reflete. Quando maior o seu diâmetro mais ele “aproxima” o objeto. Um telescópio com um espelho refletor de 2 polegadas, por exemplo, capta imagens distantes apenas alguns milhões de anos luz, enquanto que um de 4 metros é capaz de detectar corpos celeste a biliões de anos luz.
As pessoas são espelhos da Consciência Cósmica, da Luz Primordial; quanto mais pura for a pessoa mais nitidamente ela reflete Deus em si e quanto mais próximo[2] estiver em qualidades mais perfeita será a imagem divina na pessoa.
Na realidade nós somos espelhos construídos a partir do Poder Superior e refletimos as qualidades do Dele, neste caso os “espelhos” e as imagens têm uma mesma origem. De um modo geral podemos dizer que isto é o mesmo que um espelho vendo a sua própria imagem refletida.
O que afirmamos no parágrafo anterior pode ser constatado praticamente com uma singela experiência. Coloquem-se dois espelhos um diante do outro e ver-se-á que cada um refletirá a imagem do outro formando-se assim uma sucessão infinita de imagens. Daí a conclusão, um espelho que reflete a si mesmo conduz ao infinito e infinito que é o Poder Superior.
Se tivéssemos uma acuidade infinita de percepção, com esta simples experiência veríamos o Infinito, ou seja, veríamos o Poder Superior. Se não o vemos na experiência é porque a nossa percepção só permite a visualização de algumas dezenas de reflexos simultâneos. Também podemos perceber que a experiência nos leva a um nível do infinitamente pequeno, a um nível em que o reflexo não mais tem forma e consequentemente também não mais ocupa espaço. Aquele raciocínio que já usamos para mostrar algo infinito, conhecido como O Paradoxo de Zenão apresentado como uma corrida entre o corredor grego Aquiles e uma tartaruga[3]. Segundo a proposição do filosofo grego Zenão jamais um dos espelhos refletiria a imagem final, isto só seria possível no Infinito. O quadro refletido por cada espelho cada vez iria tornado-se menor, à cada reflexão a imagem iria diminuindo seguidamente até atingir o Infinito. É claro que a percepção visual não permite ir muito longe nessa observação, mas o processo pode ser seguido pela mente. Entendemos que a imagem torna-se cada vez menor; e por menor que seja uma imagem ela ainda poderá ser refletida e gerar uma outra menor ainda. É um processo que somente cessa no infinito, exatamente a nível do Poder Superior, origem de tudo. É fácil se entender que a origem da imagem é no Infinito e Infinito é o Poder Superior, logo Ele é a origem. Neste nível a imagem não tem dimensão e nem ocupa espaço algum. Pois na medida em que ela vai se tornando menor igualmente vai ocupando menos espaço e chegando a Infinito ela não tem dimensão alguma pois não ocupa espaço algum.
Nesta palestra demos uma visão preliminar sobre o assunto que no futuro por certo teremos condições de nos aprofundarmos bem mais, contudo o que mostramos permite que o discípulo através da meditação sobre este assunto tenha condições de chegar a níveis de compreensão jamais por ele imaginado.

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Notas
Queremos esclarecer que a ciência determina até mesmo a freqüência vibratória da luz. Mas a ciência refere-se a um nível de luz que misticamente é conhecida como claridade. Estamos falando da Luz primordial, da luz consciência, da luz pureza, da Luz como Poder Superior. Mesmo a luz claridade, essa que a ciência mede a freqüência vibratória, sempre apresentou características deveras peculiares que a ciência ainda não entendeu. Diz a ciência que a luz comporta-se hora como partícula e hora como onda. Isto é verdade, embora a ciência até hoje ainda não conseguido explicar o porquê disto. No momento riremos que isto é decorrência de uma sucessão de manifestações do “NADA” e de só “SER”; do ser espelho num momento e reflexo no outro sucessivamente. No futuro quando houver sido transmitido um mais elevado nível de conhecimentos talvez venhamos escrever uma palestra especialmente direcionada à compreensão dessa peculiaridade. ↑
Próxima não diz respeito à distância física e sim à qualidades. ↑
Já descrevemos isto em palestras anteriores. ↑