Os Elementais Básicos da Natureza
“ Igne natura renovatur integra” 1 9 9 5


Os Antigos diziam que o mundo é constituído basicamente por quatro elementos: TERRA - AR - ÁGUA - FOGO. Mas, com o advento da ciência moderna a idéia de um mundo material constituído de quatro elementos deixou de ser aceita oficialmente e sendo assim foi então relegada ao esquecimento. A ciência diz que a matéria não é um elemento e sim algo constituído de vários elementos. Da mesma maneira o ar e também á água. Quanto ao fogo a ciência diz ser apenas o quarto estado da matéria, o estado que denomina de plasma[1].
Na realidade a ciência nunca entende o porquê dos Antigos afirmarem ser o mundo constituído por quatro elementos. Ela não entende porque vê o universo somente dentro de um nível, somente o 7º nível, portanto apenas uma franja do universo. Podemos dizer que a ciência percebe o mundo como se fosse através do orifício de uma fechadura – visão unidirecional – por isso ignorando tudo o que existe nos seis níveis adjacentes.
Mesmo que a ciência haja detectado o quinto estado da matéria por certo os dois restantes jamais serão detectados em laboratório. Ela nada sabe a respeito da natureza sétupla das coisas, por isso não aceita a idéia de que no plano terreno tudo é apenas uma manifestação daqueles quatro elementos básicos.[2]
No Cosmos, ao nível do NADA, existem dois princípios que os místicos do Antigo Egito denominavam de RA e MA. RA o princípio ativo, e MA o passivo. Por força do Poder, do Querer Superior RA atuou sobre MA que não vibrava, fazendo-o vibrar. O Querer do Poder Creador fez com que RA atuasse sobre MA fazendo vibrar e assim surgiu a Creação.
QUERER + RA + MA = CRIAÇÃO
1 + 2 + 3 Trindade Cósmica da Creação .
Há metafísicos que compara o elementos fogo com RA e o elemento Água com MA, mas não é fácil se compreender ser RA como o potencial gerador do Fogo e MA o da água, mesmo que se tenha em mente que não se tratam do fogo e da água tal como conhecemos neste 7º nível que constitui o mundo material e sim arquétiposprimordiais.
Entre o 1º e o 7° nível de uma coisa qualquer há uma distância tremenda e isto faz com que nos extremos as coisas apresentem-se com aspectos totalmente diversos, a um ponto tal que parecem se tratar de coisas totalmente diferentes.
Há os que descrevem assim a creação: “Na origem primeira a natureza Fogo do Poder Creador agiu sobre a Sua natureza Água manifestando-se então a Primeira Luz efetivando então a creação, tornando o Imanifesto em Manifesto”.
Na verdade, fora da creação fogo e água existem apenas como potenciais, pois somente no mundo imanente é que esses elementos podem efetivamente ser considerados. No Mundo Transcendente, RA e MA são apenas atributos do Poder Superior por isso podemos até mesmo dizer que o Poder Superior pode ser considerado como UMa Trindade, constituída por “três elementos primordiais essenciais em potencial, que são o Fogo – RA - a Água – MA – e a Mente – ( = Querer = Potência = Poder ).[3]
Uma das propriedades do Fogo é fazer vibrar. Vemos isso no plano material, o fogo agita as moléculas, eleva a vibração de tudo aquilo que é “tocado” por ele. Assim o Fogo primordial fez a Água primordial vibrar resultando disso a Creação, fazendo surgir a PRIMEIRA LUZ.
Deus Imanente é a própria água vibrando pela ação do Fogo manifestando a Consciência em manifestação energética.
Tudo o que vibra tem polaridade, sendo assim a PRIMEIRA LUZ se polarizou dando dois aspectos distintos, ou sejam, a sexta essência. Houve o que a Cabala chama de separação. O Fogo e a Água, que não eram dois, mas apenas a dupla natureza do UM. O fogo primordial fez vibrar a água primordial ocasionando a vibração que se polarizou. Tudo o que vibra se polariza, polarização é inerente à vibração, conforme estudaremos quando tratamos dos Princípios Herméticos.
RA e MA é ao nível do Mundo Transcendental o correspondente ao que o Fogo e a Água são ao nível do Mundo Imanente. Assim como é em cima é em baixo – Princípio da Correspondência.
No livro de Gênese da Bíblia está escrito sobre o primeiro dia da Criação: Gênese 1-3 “Disse Deus: Haja Luz e houve a Luz...”. Primeira etapa. Querer Cósmico RA + MA LUZ = CREAÇÃO – Azilut Superior. No segundo dia da criação - Gênesis 1-6 “Faça-se o Firmamento no meio das águas, se separe umas águas das outras águas. 1-7” E fez Deus o firmamento e separou as águas, que estavam sob o firmamento, daquelas que estavam por cima do firmamento...”
Assim houve a separação Fogo / Água a partir do principio LUZ surgindo o que a Cabala chama de Separação (Beriah). Separou-se o Fogo da Água que eram UM [4] apresentando-se em sua respectiva sétima-essência. [5] (vamos usar aqui a forma que o uso oficializou, chamar a segunda essência de sexta).[6]
Transcendência

Figura 1
Pela fig.1 se pode entender porque o sétimo nível vezes é referido como pertencente à Imanência e vezes à Transcendência. Na verdade todos os princípios, todas as estruturações, pertencem a Imanência, mas tudo o que está no Azilut – por ser um mundo aberto compartilhado com a Transcendência – muitas vezes o sétimo nível é tido como pertencente à Transcendência. No azilut situa-se o sétimo[7] nível de tudo, todas as formas de existência que estiver no nível de Azilut é uma emanação do Transcendente. Assim Fogo e Água manifestam-se primeiramente no Imanente, mas sua emanação procede do transcendente. O correto é admitir fogo e água como sétimo nível situado no Imanente, mas esse é um nível aberto conforme se pode ver pela figura.
O fogo e a Água separaram-se ao nível da sétima essência (na realidade é a segunda essência, pois essa classificação é coerente com a descrição Bíblica que chama de segundo dia.). Eis o Universo Primordial: Consciência (= vida), Fogo sexto-essenciado (= Luz = luminosidade) e Água sexto essenciada. Portanto o Universo Primordial tem inerente à si a Consciência, o Fogo e a Água formando uma Trindade.
Pela Árvore da Vida, Kether reflete a União do fogo com a água antes da separação. Mas, como conseqüência da vibração houve de imediato a polarização que implicou na separação. Desde que houve polarização conseqüentemente teve que haver o afastamento (movimento) formando-se duas colunas, uma à direita e outra à esquerda. Duas naturezas distintas, a da água e a do fogo. Ambas em essência absolutamente puras, mas com qualidades distintas.
É importante que tomemos ciência das qualidades próprias da água e do fogo a fim de que melhor conheçamos a natureza de tudo quanto há no universo. Só assim o espírito deixa de ser escravo das forças da natureza e chega a ser senhor ao assumir o domínio sobre elas.
A maneira como analisamos o fogo e a água nesta palestra segue a linha cabalística, vvisando esclrecer os termos bíbilicos refeentes a gênesis. Mas, geralmente quando nos refericos a creação do universo preferimos usar o esquema vedanta que estabelece a separação entre duas condições Purucha e Prakriti, sendo esta a “parte” referente a mente/consciência e Prakriti a “parte” geratriz dos elementos.
Por mais que uma pessoa se desenvolva espiritualmente ela jamais chegará à purificação se não tiver domínio sobre as forças da natureza, pois estas a retêm, e para se ter esse domínio mister se faz conhecer e agir. Hermes disse a seu filho Tat: “A natureza se diferencia em dois aspectos: Força e movimento [8]. Um aspecto, a força, a própria potência, atravessa todo o mundo e se conserva em seu interior. O outro aspecto, o movimento, faz com que o mundo se expanda devido o seu poder ativo e mantém envolto exteriormente”.
Em palestras seguintes estudaremos ao menos as qualidades fundamentais dos elementos básicos da natureza a fim de que os conhecendo se posa adquirir progressivamente o necessário domínio sobre eles. Se esse domínio não fosse necessário, por que então Salomão chegou a ter o domínio sobre todos os gênios conforme é dito por todas as doutrinas tradicionais.
Vamos continuar a palestra seguindo a linha cabalística. Após a separação, após a polarização, conforme se pode sentir através do esquema gráfico da Árvore da Vida, água e fogo, frente á frente, formaram as bases das duas colunas, da coluna de Hokhmah e da coluna de Binah, estabelecendo os dois caminhos, um que pode ser chamado de Caminho da Mão Esquerda e o outro de Cainho da Mão Direita.
No desenho do tao estão representados os dois princípios, os dois caminhos. Um deles é escuro e o outro claro, mas, mesmo assim, a metade clara contém um ponto escuro e vice-versa. É assim também no universo, na luz há o potencial treva e na treva o potencial Luz. No Fogo existe o potencial Água e na Água o potencial Fogo. Isto representa aquilo que é chamado de União dos Contrários, a natureza dual de tudo que há. Isto acontece porque tudo é UM, se não houvesse algum elo de união as coisas do universo estariam irremediavelmente separadas e jamais voltariam à unificação. Coisa alguma no Universo está absolutamente separada, sempre existe um elo de união e nesse nível os opostos se anulam.
Vimos em outros temas o enfoque cabalístico da creação, a maneira como a Escola Cabalística expõe a Creação. Nestas palestras veremos um outro enfoque, exatamente o enfoque baseado nos ensinamentos de Apolônio de Tiana. Na realidade não existe discrepância alguma entre ambos, tratam-se somente de modos diferentes de exposição. Na realidade a maneira como é vista pelos discípulos de Apolônio complementa bem aquilo que é ensinado através da Cabala.
Houve a polarização seguindo-se à Criação que necessariamente efetivou a separação. Assim estabeleceram-se os dois aspectos separados na natureza, sendo um passivo, receptivo e o outro ativo. Mas, como já dissemos, está representado no TAO, cada aspecto contém o outro.
Não houve uma separação única, na medida em que o universo se desenvolveu as coisas foram se formando diferentes entre si porque em decorrência de uma dicotomização, ou seja, de um espalhamento sucessivo conforme a fig.1[9] há a ilusão de que existem coisas isoladas. Assim podemos dizer que Água e Fogo na origem é UMa coisa só.

FIG. 1
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Notas
Para a ciência são quatro os estados da matéria: Sólido, líquido, gasoso e plasma e um quinto estado recentemente que ainda não recebeu um nome oficial dado pela ciência. Einstein em l925. Naquele ano Einstein disse que a matéria poderia atingir um estado, o quinto, em que ela se comportaria como a luz. Este estado da matéria foi descoberto em laboratórios por cientistas norte americanos recentemente. Baixando a temperatura de átomos de rubídio próximo ao zero absoluto a matéria se apresentou num estado totalmente diverso dos outros quatro estados cientificamente reconhecidos. ↑
Na realidade, nos três primeiros níveis somente existem dois elementos, fogo e água, pois ar e terra já são desdobramentos da água a partir da quintessêsncia. ↑
Este assunto será bem desenvolvido somente em palestras bem avançadas, quando estudarmos Fohat e os aspectos de Deus. ↑
Ao nível primeiro todas as coisas são uma mesma coisa, as diferenciações ocorrem nos níveis mais baixos. ↑
Na realidade é melhor dizer segunda essência, pois se trata da seguinte a partir da primeira. Mas o uso fez com que a escala sétupla seja muitas vezes contada de baixo para cima e assim o mais grosseiro é o primeiro degrau. ↑
Antes de prosseguirmos vamos esclarecer um ponto que se apresenta contraditório na exposição de diferentes místicos e religiões. Todas as coisas na natureza são sétupla. Iremos citar muitas vezes os sete níveis da água, do fogo e de muitas outras coisas. Na verdade algumas vezes vemos o sétimo nível como se fosse fora da criação e outras vezes dentro dela. Esta dúvida existe, mas isto acontece porque é fundamental se ter em conta os 4 mundos. A Árvore da Vida representativa da criação - Mundo Imanente - engloba 3 mundos, e mais um que é compartilhado com a Transcendência. ↑
Muitas vezes o que uns consideram sétimo outros consideram primeiro. Trata-se apenas do critério de ordenação. ↑
Força é o conhecer e movimento é o agir. ↑
Na figura só são apresentados três níveis, na verdade são sete. ↑