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Os Poderes da Iniciação

Tema 0.431 · Temas Complementares · 2 195 palavras · cerca de 15 min

“Para manifestar a verdade deus fez possível a dúvida”. 1 9 9 5

Eliphas Levi.

Ilustração do documento original

Temos descrito alguns aspectos de algumas iniciações que ocorrem no plano astral. Pessoas que estão no plano físico, dominadas pelo pensamento dialético, e que não vivenciaram ainda uma dessas iniciações julga tudo ser apenas um amontoado de fantasia, delírios de uma mente propensa a fantasias. Até mesmo aos que já vivenciaram alguma dessas iniciações tudo aflora como uma atenuada lembrança, mas que constantemente se faz presente na sua tela mental todos os dias.

Algumas pessoas acreditam se tratar unicamente de processos psíquicos, de “fantasmas que habitam os labirintos da mente”, projeções do conteúdo inconsciente de cada um, exteriorizações de anseios contidos e coisas assim.

Não importa o que se julgue ser uma iniciação astral, não importa ser ou não ser. Se tratar daquilo que muitos julgam ser, pois o que valem na prática são os resultados, as transformações que se processam na pessoa, os poderes que inegavelmente são despertados. Não é importante que tudo seja real ou fantasia, não faz diferença que não seja real tudo aquilo que uma pessoa de muitas maneiras vivencia. Vale a indagação, O QUE É REAL?

É bem possível que algo que se nos parece uma nítida realidade, a mais densa e objetiva das coisas, não seja mais do que um estado mental da própria pessoa. É viável que até mesmo o universo todo seja tão somente uma idealização. Hermes Trismegisto já afirmava ser o Universo é Mental., ser apenas um pensamento da Mente de Deus.

Mental ou não mental, o que interessa é que o vivenciamos assim como se apresenta à cada um à cada dia; que ele seja de que natureza for o que importa é que a nossa consciência está preso a ele. Preso à uma realidade ou presa à uma fantasia, o certo é que não podemos mudar as coisas por aceitar ou não aceitar algo mas sim fazendo exatamente o que se deve fazer, isto é continuar vivendo e tentando através de muitos processo se atingir o limiar e transpor o portal que separa a fantasia da realidade.

O pensamento dialético das pessoas as mantém presas a um só plano e não dá indícios de que até mesmo esse plano pode ser tão somente a exteriorização de um estado mental.

O RELATIVO NÃO PODE COMO TAL ENTENDER O ABSOLUTO

No processo da iniciação ocorre um imenso balanço do intimo de cada um, seja ou não fantasias dos meandros da mente, na realidade a pessoa vem apresentar-se com dotes e poderes antes insuspeitos, com qualidade latentes que tomam vida e se manifestam claramente e que portanto não podem ser negadas.

Existem pessoas que detém poderes que a ciência fica estarrecida tentando explicar, dando justificativas que são mais fantásticas que os próprios fenômenos. Relembramos a fábula de Esopo a respeito da Raposa e das Uvas.

Na palestra seguinte pretendemos tentar explicar o porquê dos poderes, as bases do funcionamento dos sons, símbolos e alguns outros elementos inerentes ao processo iniciático. Aqui visamos mostrar o que a pessoa pode estar sujeita a receber ou a sofrer a partir de uma iniciação.

Evidentemente uma iniciação em corpo físico confere alguns poderes mas não o bastante para modificar a vida da pessoa a um nível tal que seja passível de algum perigo para ela. Na realidade dá-se o contrário em se tratando de uma iniciação a nível astral desde que neste tipo de iniciação a pessoa pode receber poderes ante os quais está sujeita a sucumbir.

Vale uma indagação: Como é possível uma pessoa que não esteja devidamente preparada receber poderes iniciáticos? Em poucas palavras podemos responder: A LEI SE CUMPRE. O processo iniciático envolve leis naturais e estas podem ser postas em prática independentemente da moral da pessoa. Um gênio, por exemplo, obedece a um comando, à uma palavra, a um determinado som sem que seja questionado a moral daquele quem emitiu.

È verdade que muitos princípios somente estão ao alcance daqueles que foram o bastante equilibrados para merecer serem instruídos, mas até estes estão sujeitos a usá-los de forma errada e ensinar alguns comandos a pessoas inescrupulosas. Também é possível se descobrir casualmente uma forma de comando, por exemplo um som, uma combinação de notas, e que corresponda a um determinado poder. Assim sendo, independentemente das qualidades individuais aquela pessoa pode agir através de uma força da natureza. Demos um exemplo mas há muitas outras formas cujo processo é passível de ser conhecido por meios aleatórios.

Um poder adquirido por uma pessoa permanece com ela e somente por ocasião de uma nova encarnação é que ela está sujeita a perdê-lo, exatamente quando entre uma e outra encarnação ela passa pelo médio esquecimento. Em outras palavras, o espirito quando reencarna esquece praticamente tudo a respeito da encarnação anterior, porém um poder ou conhecimento que honestamente haja adquirido, aquilo que dignamente conquistou e que fez bom uso, embora também seja esquecido no processo reencarnatório naquela pessoa logo tudo começa a aflorar como uma qualidade pessoal, como um dom.

É muito raro uma pessoa perder algum poder, se ela sabe operar com um som, ou através de uma fórmula mágica, de um ritual ou coisas assim, o seu poder continua independentemente das qualidade morais que lhes forem peculiares. O poder não é propriamente uma qualidade pessoal intrínseca, ele ou é um conhecimento de como operar sobre determinadas forças, ou uma qualidade nata que apenas ainda não havia sido despertada. Assim sendo não interessa o como a pessoa adquiriu-o desde que a pessoa não haja esquecido o princípio e por conseguinte o ponha em prática, tudo acontece independentemente das qualidades pessoais.

No mundo material vemos isso com freqüência. Tomemos o seguinte exemplo visando um melhor entendimento do que estamos querendo dizer. Uma pessoa habilitada pode com segurança fazer uma lancha navegar, mas é possível uma outra pessoa, ou até mesmo uma criança, que não haja aprendido pilotar fazer isto. Aleatoriamente, mexendo nos comandos, o motor pode ser ligado e a lancha dar partida. Ligado motor a lancha parte veloz independentemente que a ligou ser ou não ser habilitada para dirigir o barco. Não há muita diferença se a lancha deu partida sob o comando de uma pessoa habilitada ou não, o que intensas é se o processo foi ou não efetivado; a única diferença será quanto aos resultados.

Voltemos ao processo iniciático. Uma iniciação nem sempre se trata de uma escolha pessoal dos mestres. As forças da iniciação se efetivam mediante o desencadear de leis naturais e assim sendo, desde que alguma pessoa detenha o “ modus faciendi”, obtido seja por que meio for, é capaz de desencadear o processo. Um pedido, um ritual e outros meios podem colocar a pessoa ante uma cerimonia iniciatória. Mesmo que um verdadeiro Mestre não se apresente ainda assim o fenômeno acontecerá. Os gênios se apresentam pois não têm discernimento para aquilatar a intenção. Estabelecido a condição invocatória ele se fará presente e atuará com todo o poder invocado.

Quando uma iniciação é levada a efeito através de um Verdadeiro Mestre o sucesso é óbvio pois o “piloto” sabe perfeitamente o como e o por onde navegar e, por outro lado, o iniciando já está um tanto bem preparado para atravessar as provas. Não estamos evidentemente falando das tentações na Senda mas do processo em si.

Quando a pessoa não está devidamente preparada ela pode adquirir muito poder, bem mais do que está apta a suportar, mas tais poderes possivelmente serão usados do lado negativo e isto será a ruína daquele pseudo-iniciado. Num processo assim a pessoa recebe o poder mas não recebe os segredos do discernimento. Discernimento é resultante do grau de cada um portanto não acompanha a força iniciatória. Na verdade o que ocorre é o inverso, é o discernimento que faz a pessoa escolher o caminho certo.

Existem muitos livros repletos de palavras, de símbolos, e de outros elementos autênticos. São segredos revelados que põem nas mãos do buscador incauto podres que estão sujeito a se comportarem como explosivos nas mãos inocentes de uma criança. O buscador inquieto, temerário, facilmente torna-se vítima fácil das forças mágicas.

Palavras de poder, fórmulas, pentaclos, talismãs e todo o arsenal de instrumentos mágicos usados no ocultismo e ensinos divulgados irresponsavelmente através de livros, revistas ou ensinados por grupos de estudo inabilitados. Isto tem sido a causa da perdição e sofrimentos de muitos que tentam manipular aquilo que não sabem, ou que não têm ainda o direito de fazê-lo. Mencionar aqui a historia do aprendiz de feiticeiro. Esse perigo está descrito no conhecido livro intitulado Zanoni e mostra as dificuldades por que passou um discípulo de um Mestre que na ausência deste tentou executar alguns processos mágicos.

Por essa razão todo místico cônscio da seriedade com que devem ser manipulados certos princípios ocultos da natureza, dos conhecimentos das leis ocultas da ciência inerentes aos mecanismos iniciatórios, teme ensina-los, deixa que cada um descubra-os por si. Quando muito o místico sério transmite aquele tipo de conhecimento em doses mínimas, conduzindo o discípulo passo a passo; usando sempre alguma forma de linguagem velada. Via de regra ele envolve muitas coisas em mistérios visando esconder, não expor diretamente palavras, sons, sinais, símbolos, e muitas outras coisas, através dos quais uma pessoa passe a fazer mau uso. Uma pessoa, em cujas mãos chegaram certos conhecimentos inoportunamente por não estar moralmente preparada é provável que faça mal uso de tudo o que aprendeu e assim desencadeie uma avalanche de situações capazes de prejudicar outros seres ou de esmagar a ele próprio.

Não apenas por em ação certos princípios, mas até mesmo divulga-los inoportunamente é perigoso pois está sujeito alguém fazer mau uso deles e se tal ocorrer aquele que os divulgou por certo será conivente e como tal responderá carmicamente.

Vejam que mostramos dois tipos de tentação inerente ao iniciando, agora estamos mostrando a mais dramática das tentações e que envolve mais diretamente todo aquele que ainda não compreende os altos fins da existência e assim ainda não está pronto para receber conhecimentos ocultos.

Mara, além de mentiroso é malicioso, esperto e ladino, por isso muitas vezes se antecipa fazendo com que a pessoa comece a usar processos mágicos sem que esteja ainda devidamente preparado.

No mundo vemos muitos que adquirem poderes e vivem a ostentá-los. Uns em conivência com a própria força negativa resultantes de pactos demoníacos, como fizemos ver em palestra anterior. Algumas vezes tem origem a partir de cerimonias satânicos, que já fizemos menção em outra palestra. Aqueles rituais não conferem dons especiais apenas são ativadas qualidades inerentes à própria pessoa a partir da retirada dos freios contensivos das qualidades inferiores.

Neste gruo incluem-se os assim chamados “falsos profetas”, os tais “lobos com pele de ovelha” que a muitos conseguem enganar. São os representantes e sócios do grande mentiroso e como tal vivem a enganar.

Mas na pele da falsa ovelha sempre existem marcas do lobo, é só procurar que as encontra.

Fora aqueles acabamos de mencionar existem também aqueles em cujas mãos chegaram casualmente, ou levados através de ensinados de organizações não confirmadas junto a Ordem Divina de Melquisedeque. Estes põem em ação palavras de comando, símbolos, rituais, etc. e desencadeia assim condições que he transferem forças suficientes para operar aparentes milagres.

Até mesmo a leitura de textos sadios podem levar uma pessoa a ter que se defrontar com uma iniciação intempestiva para à qual ela ainda não estava suficientemente preparada

A pessoa, mesmo conduzida por um sincero desejo de saber, busca o conhecimento através de escritos sadios mas muitas vezes a própria sofreguidão de saber mais e mais muito rapidamente pode induzir a mente a vibrar numa freqüência tal capaz de desencadear um processo iniciatório. A mente, condicionada pelos conhecimentos que recebe, imbuída pelos elevados anseios de conhecer, pode vibrar no limiar de uma cerimonia iniciática e assim ocorrer a precipitação de uma iniciação extemporânea.

Em casos assim o desejo puro da pessoa, ligado a alguns estados mentais especiais que não devemos aqui mencionar, faz com que o discípulo se apresente ante o ato iniciatório quando ele ainda não reúne a força necessária para vencer as provas. Por isso não são poucos os que fracassam e que geralmente tendem a ser vitimas da segunda tentação. Se eles houvessem obedecido aos Preceitos de Salomão, especialmente dois, Prudência e Paciência teriam chance bem maior de vencer.

Muito dos que operam algumas maravilhas, dos que ostentam poderes de cura e outros poderes psíquicos diferenciados, comumente são as vitimas da segunda tentação. Claro que estão se envolvendo carmicamente, mas não propriamente por causa de pactos demoníacos ou por maldades pessoais. Tornam-se mercadores das cosias sagradas e consequentemente complicam-se muito na vida.

Estamos escrevendo uma serie de palestras sobre tendo como base os ensinos de Apolônio e nosso intuito é deixar transparecer o quanto de belo e sublime existe neles, o quanto de possibilidades de desenvolvimento espiritual pode ser conseguido através deles, mas por outro lado também o quando de perigos existem neles.

A pessoa para penetrar nos ensinamentos de Apolônio deve ter firmeza de pensamento, percepção clara do que pretende, estar pronto para empreender com paciência e perseverança procurando agir com perfeição se escolheu esse caminho.

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