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Primeira Câmara
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A Iniciação do Duplo Caminho

Tema 0.424 · Temas Complementares · 2 167 palavras · cerca de 14 min

“É verdade! É certo! É a verdade toda! O que está em baixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está em baixo, a fim de que as maravilhas do uno se realizem”. 1 9 9 5

Tábua Esmeraldina — Hermes Trismegisto.

Ilustração do documento original

Nesta palestra descreveremos parte de uma importantíssima iniciação relativa a um dos graus de uma das Confrarias do Fogo Sagrado. Queremos inicialmente dizer que o nosso intuito é mostrar um aspecto que todo Peregrino da Senda deve estar bem consciente antes de se propor a penetrar nos ensinamentos ocultos deixados por Apolônio.

Dizem ser esta a primeira das iniciações aos mistérios descritos no Nuctemeron de Apolônio e que é apresentada em iniciações relativas aos Mistérios do Fogo. Segundo temos conhecimento, essa iniciação não tem apenas um nome, assim sendo, algumas vezes, ela é referida pelo nome de Iniciação da Decisão, outras vezes Iniciação do Destino, outras vezes de Iniciação do Duplo Caminho, “O Caminho em Y”, e algumas outras. Na verdade não importa por qual nome ela deva ser mencionada pois todos simbolizam uma mesma coisa e encerram um imenso ensinamento básico ao peregrino.

Dizem ser assim, em linhas gerais, esta significativa iniciação.

O candidato à iniciação vê-se em lindíssimo campo de inefável atmosfera de luz, beleza e paz , tendo diante de si o iniciador e uma serena platéia. O Mestre Iniciador traz na mão direita uma espada de fogo e na esquerda um archote aceso.

- O INICIADOR: Bem-vindo sejas aos mistérios do fogo, tu que viestes em busca da sagrada chama. Fizeste jus ao direito de receber a Iniciação do Peregrino da Sagrada Senda agora chegou o momento de provares que és digno de receber a Sagrada Espada Flamígera.

Sabe, pois, que antes de dares os primeiros passos é necessário que jures que em teu caminho, mesmo diante das maiores vicissitudes, jamais utilizarás para o mal os poderes do fogo e tudo o mais que te for concedido.

- O INICIANDO: Assim prometo Meu Mestre.

- O INICIADOR: Antes de ser concedido a ti o direito de portares a sagrada espada chamejante, única capaz de secionar a “árvore do mal”, é preciso que demonstres a todos os que aqui estão saber usá-la com maestria.

- O INICIANDO: Assim o farei Meu Mestre.

- O INICIADOR: Entrego-te, pois o archote do Fogo Sagrado, com ele deves iluminar o teu caminho, ele tem poderes, mas, cuidado ele também pode te queimar. Lembra-te, é importante que sempre no caminho que vens trilhar deves portá-lo na mão direita, pois assim encontrarás o caminho certo. Jamais o tenhas na mão esquerda, pois ele se voltará contra ti.

Segue, pois, com firmeza e decisão, e que Deus ilumine os teus passos com a Divina Luz e purifique o teu Ser com a chama sagrada do Divino Amor.

O iniciando ajoelha-se e solenemente recebe o archote com a mão direita.

Neste momento tudo se transforma ante a visão do iniciando. Ele se vê diante de um imenso campo em chamas e diante de si um caminho. Não existe outra opção qualquer a não ser seguir o caminho.

O iniciando estará sozinho, cheio de medos, incertezas, e dúvidas, pois mesmo que conheça detalhes da iniciação que lhe está sendo concedida, ainda assim ele vivencia tudo como se coisa alguma soubesse a respeito, pois tudo lhe parece bem real e, o pior, é que ele não vê qualquer maneira de como poder retroceder, de fugir de tudo aquilo, não sente como fazer cessar a experiência. Mesmo que a pessoa conheça detalhes da iniciação isto não faz diferença, coisa alguma muda porque tudo é por demais real para ela.

A mente encarnada na terra comporta-se dialeticamente. Para a maioria das pessoas predomina uma razão positivista assim sendo para elas só pode ser real aquilo que os sentidos detectam e naquela experiência tudo se o que sentem são autênticos registros sensoriais embora esteja em projeção astral.

Geralmente a maioria das pessoas só dá valor àquilo que os sentidos físicos registram e tudo aquilo é percebido como sensações físicas. Assim sendo a dialética própria do mundo material só piora as provas de uma iniciação astral porque todas aquelas vivências o iniciando as sente como registros sensoriais autênticos e assim sendo a racionalidade da mente encarnada o leva à admissão de que tudo é real.

Quando estamos no mundo material o mundo astral parece como se fosse apenas uma idéia, algo bem distante, incerto e vago, mas a recíproca é verdadeira, quando estamos com a consciência no mundo astral o que parece distante e vago idéia é exatamente o mundo material.

Assim, como os nossos conhecimentos a respeito do astral parecem vagas idéias quando estamos no mundo material, de igual forma tudo o que diz respeito ao mundo material parece também uma vaga idéia quando estamos no mundo astral. O que é uma realidade inerente de um plano somente parece real quando se está neste plano. As vivências da material somente são nítidas no mundo material e as vivências imateriais quando estamos fora do mundo físico.

As coisas inerentes a um plano só se apresentam bem reais no plano que lhe é próprio. Mas existem inúmeras condições que não são próprias de um só plano, um tanto delas são universais e até mesmo cósmicas, portanto inerentes vários planos.Estas se manifestam intensamente também em diferentes níveis. Por exemplo, emoções e sentimentos são condições cósmicas e não algo inerente a um determinado plano. A matéria densa é peculiaridade do 7º plano, portanto somente neste ela é conscientizado como certeza. Enquanto assim, sentimentos, como o amor, a paz, a alegria e inúmeras outros, por não serem peculiaridades inerentes apenas do mundo material, e sim estados cósmicos, manifestam-se em qualquer plano com igual intensidade.

As verdades cósmicas expressas em sentimentos manifestam-se igualmente nítidas em todos os planos da natureza apenas podem variar em intensidade em qualquer dos planos. Diferem, portanto das realidades específicas de um plano que são apenas vagas conjecturas nos demais. Usemos uma analogia bem palpável para que haja uma melhor compreensão a respeito do que estamos dizendo. Pernas e veículos são meios materiais apenas, por isto o se deslocar de um para outro ponto sem um meio físico não parece lógico para uma mente que estiver vivenciando o mundo astral, esta no máximo tem isto como uma possibilidade teórica, quando muito como uma sensação de que tal é possível e que dever ocorrer alhures no universo. Quando estamos no astral um veiculo motorizado para deslocamentos parece uma coisa irreal e sem lógica, pois o deslocamento lá não requer veículo algum. No astral um deslocamento por meio de algum veiculo, no máximo, apresenta-se como algo um tanto incompreensível só subjetivamente tem possibilidade de existir em algum outro plano, idéia essa prudentemente descartável.

Desta maneira é que, por mais que saibamos a respeito de uma iniciação que está se processando, mesmo assim tal conhecimento se apresenta como se fosse uma idéia, pois somente o que é vivenciado como algo objetivo é que parece ser realidade única. O que não muda são as verdades eternas, os sentimentos, por isso os ensinamentos dos verdadeiros mestres, como tudo aquilo que nos legou Apolônio, Jesus, Salomão e tantos outros mentores permanecem nítidos em todos os planos. Em decorrência desses aspectos descritos a respeito das manifestações em diferentes planos é que mesmo numa experiência a nível astral os ensinamentos de Salomão têm são aplicáveis com igual validade em qualquer dos planos. Sendo assim uma pessoa que os conheça e pratique tem maiores facilidades onde quer que esteja e assim tem maior possibilidade de chegar rapidamente e com sucesso ao término de uma jornada. Portanto, as provas iniciáticas são facilmente vencidas pelo discípulo que antes se preparou o suficiente no que diz respeito das bases místicas dos ensinamentos dos Grandes Mestre da Senda tendo como baluartes Jesus, Salomão e Apolônio.

Salomão ensinou o que se deve saber em qualquer jornada; Apolônio, o que se deve fazer; e JESUS, o como se deve praticar.

Na Iniciação da Decisão, o iniciando caminha sozinho transpondo dificuldades após dificuldades. Ele teme, titubeia, mas não tem para onde ir fora do caminho, pois em todos os lados somente existe fogo abrasador. Assim hora ele para, hora tenta retroceder, mas vê que é inútil fazê-lo, hora caminha mais lento, hora mais rápido, hora por lugares claros, hora por lugares sombrios que consegue atravessar graças ao archote que conduz em sua mão direita.

Depois de haver caminhado o bastante ele vê que a estrada se bifurca. Diante de si há então dois caminhos que parece não levar à parte alguma, desde que coisa alguma ele percebe lá distante capaz de mostrar aonde cada um leva. Os caminhos perdem-se no infinito diante do qual o peregrino nada sabe. Ele só percebe os caminhos e não o que existe além dele, possivelmente coisa alguma.

Num dos caminhos o Peregrino da Senda vê uma quantidade imensa de coisas que lhes são agradáveis, vê facilidades para prosseguir, recebe ofertas de auxilio. Do outro lado é quase a mesma coisa, porém com uma diferença; no da esquerda tudo lhe parece mais nítido, há muito mais ostentações, insistências e até mesmo mais harmonia com a sua própria maneira de ser, o que não acontece com o caminho da direita. Na esquerda tudo lhe é oferecido com mais facilidades e de forma mais tentadora.

Aquele é o terrível momento, o clímax da iniciação, em que o Peregrino deve tomar uma única decisão e isto se lhe apresenta difícil porque parece coisa alguma existir no fim das estradas, parece que o mundo é só aquilo, que no término dos caminhos não há coisa alguma. Se nada existe porque não seguir o caminho que lhe parece ser mais fácil, agradável e convidativo! Dentro de si apenas há um sentimento vago de que aquele pode não ser o melhor caminho. Naquele instante o iniciando tem que fazer uso preciso da percepção e fundamentalmente está em jogo a sua capacidade de discernimento.

Todos os valores do mundo material, tudo o que sabe e conhece dele ali aflora apenas como se fossem sentimentos distantes. O que vale são os valores morais adquiridos, as qualidades positivas despertas, o firme propósito, a firmeza no que é certo, o discernimento e percepções acuradas, a prudência, a persistência em acertar, a sabedoria de compreender, a bondade, e tantos outros valores deixados pelos Mestre dos Mestres Salomão. Lembrar de Jesus e repassar em sua mente a Sua vida na terra. São esses os valores que conduzem levam o peregrino à decisão correta.

O tempo urge e uma decisão tem que ser tomada rápido, pois que um grande sentimento de urgência se faz presente, então o peregrino decide-se, segue por um dos dois caminhos.

Ai daquele que seguir o caminho da mão esquerda, durante algum tempo sentir-se-á feliz, realizado acreditando haver acertado e que, portanto é um vencedor. Ledo engano, ele fracassou, chega-lhe o momento que ele sente-se de voltará ao mundo material e, o que é pior, com muita possibilidade de se comprometer muito mais facilmente com o lado negativo da natureza, com o grande mentiroso, o inescrupuloso, aquele que só cumpre com os compromissos assumidos enquanto lhes forem convenientes.

Bem-dito aquele que opta pelo caminho da direita. Assim que dá o primeiro passo no caminho sente-se novamente no ambiente inicial que então se apresenta festivo.

Não descrevemos essa parte que é denominada A RECEPÇÃO. Queremos dizer que, segundo dizem, são indescritíveis as vivências desse momento sublime. Vale apenas lembrar parte da explanação do MESTRE INICIADOR.

- O INICIADOR: Meu amado filho venceste, provas-te ser digno de receber a Sagrada Espada Flamígera. Recebe-a, pois, ela é tua, jamais a utilizes para fins indignos. Enquanto fores fiel, com ela poderás administrara verdadeira justiça, com ela desimpedirás o caminho verdadeiro contra todos os intrusos, sempre perceberás a verdade e entenderás a vida. Com ela abrirás todos os caminhos, conhecerás a verdade e ela te libertará conforme nos prometeu Jesus.

És agora um Peregrino do Caminho do Fogo Sagrado e o Gênio do Fogo sempre estará a teu lado enquanto fores fiel às coisas Divinas. A tua caminhada será bem mais fácil, pois tens como aliado [1]um poderoso gênio. Ouve-o, segue-o e sê fiel e sincero a ele, mas jamais tentes traí-lo, pois se assim o fizeres ele se levantará contra ti.

Invoco o GRANDE SOL DE ABRAXAS - FOHAT - FOHAT - FOHAT.

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Apresenta-se, então, uma das sagradas formas do Gênio do Fogo aspergindo sobre todos o sagrado fogo que traz em suas mãos dispostas em concha, e envolvendo a todos num manto de fogo frio.

yeshua

FOHAT - FOHAT - FOHAT.

TUDO É LUZ, PAZ, TRANQÜILIDADE, AMOR,

Mais uma vez fecha-se o inenarrável palco da iniciação astral...

“EU VIM TRAZER FOGO À TERRA; E QUE QUERO EU, SENÃO QUE ELE SE ACENDA?”

JESUS o disse -Bíblia - Lucas 12 - 49.

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Notas

  1. Carlos Castañeda dá ênfase à necessidade de todo “Homem de Saber” ter um “aliado”. ↑