Setuplicidade do Tempo
“Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo”
Cora Carolina


No templo da Esfinge, diz Tradição, estão contidos imenso cabedal de conhecimentos que abrangem todos os campos de atividades já atingidos pelo ser humano desde o seu estabelecimento na terra. Os registros de toda essa sabedoria estão distribuídos em 12 Câmaras e que podem ser consultados pela pessoa a partir do momento em que haja alcançado um grau de compreensão suficiente nos Estudos Herméticos. Tudo indica que, embora existam ainda registros em papiros e em outras formas densas, na verdade um registro completo existe integrante dos “registros akásicos” e que são acessáveis àqueles que são admitidos às Câmaras Herméticas.
Dos registros akásicos consta o conhecimento pleno de todo o Cosmo, o que nenhum ser inerente ao mundo dialético pode dominar. Os mais elevados seres que vieram à terra, até podem haver tido idéia do conteúdo das mais elevadas câmaras, mas não a capacidade de por em prática aquilo que nelas consta. Segundo os gnósticos, Jesus após a crucificação passou mais 11 anos ensinando aos seus discípulos e mesmo assim ele só chegou expor até o quarto mistério – Quarta Câmara Hermética. Foi assim, não por Ele desconhecer outras câmaras mais elevadas, mas parque os discípulos não tinham a mínima condição de entendê-las. Mas, vale salientar que nem mesmo Jesus, e outros luminares de igual nível que viram a terra, tiveram o domínio sobre o conteúdo dos conhecimentos daquelas câmaras.
Não podemos dizer qual a câmara é a mais vasta e rica em registros, na verdade todas elas o são e qualquer opinião nesse sentido tem como base o interesse de cada pessoa. Como a área de interesse das pessoas que têm acompanhado esses estudos varia muito, vamos dentro da medida do possível falar sobre frações de diversas câmaras, até mesmo porque o nosso conhecimento pessoal ainda é bem limitado.
No nosso caso pessoal a mais sensacional das câmaras é aquela que diz respeito aos registros referentes ao “tempo” e como geralmente há muita curiosidade e interesse sobre esse assunto vamos então escrever alguns temas a esse respeito, em complementação ao que já dissemos em várias palestras. Nesta palestra vamos analisar o “tempo” quanto à natureza sétupla do universo (Mundo Imanente). Na verdade o tempo é algo absoluto, algo que tem todos os atributos que se podem considerar divinos. De início salientamos que temos que considerá-lo no Mundo Transcendente e no Mundo Imanente, ou seja, o tempo na Unicidade e na Multiplicidade. Nesta palestra vamos estudar alguns dos aspectos do tempo em nível de Imanência, também chamado de “tempo linear”, porque neste sentido ele segue uma linha que vem daquilo que chamam de passado e se direciona para o futuro. Mas, de inicio, na verdade esse fluir diz respeito simplesmente a um artifício da mente, desde que em nível superior o tempo não flui, nem mesmo do no Mundo Imanente ele flui continuamente, tal como firma a própria ciência ao relacioná-lo com velocidade (movimento). O que flui são os acontecimentos, os eventos se apresentam no Mundo Imanente como coisas fracionarias, por isso a mente organiza tudo seqüencialmente, dando assim a entender que o tempo muda.
A mente no mundo imanente faz com que a pessoa viva presa a uma aparente sucessão de eventos, e como vivemos numa condição dualística, então mesmo a ilusão do tempo deve ser considerada e podemos dizer que na verdade ele se reveste de uma imensa importância, pelo que serve de marco para todas as atividades. Como nosso propósito é o estudo do conhecimento da verdade, então temos que conhecer bem tudo aquilo que compõe a “prisão” do mundo Imanente, e entre os elementos que compõe a prisão, sem dúvida podemos citar o tempo linear.
Tudo o que existe no mundo Imanente ou é sétuplo em sua natureza ou se manifesta através de coisas sétuplas o que lhe confere um aspecto sétuplo. Por exemplo, o amor é uno, mas ele só se manifesta através dos seres materiais que têm sete níveis. Por isto podemos dizer que existem sete níveis de amor expresso. Melhor seria dizer que existem sete formas da manifestação do amor que em essência é uno. Só são sétuplas as coisas constituídas por vibração, por exemplo, a beleza, por não ser algo de natureza vibratória, não é essencialmente sétupla, mas como ela só se manifesta através de coisas de naturezas vibratórias sétuplas então as manifestações dela podem parecer sétuplas. Em outras palavras, embora a beleza em essência não tenha constituição sétupla mesmo assim ela só se manifesta nas coisas que têm natureza sétupla, e o que lhe confere uma aparente setuplicidade.
Agora vamos indagar, e quanto aos princípios herméticos, que só existem no Mundo Imanente, eles são sétuplos? - Por não serem estruturas vibratórias em essência eles não são sétuplos, mas como só se manifestam em coisas sétuplas, então eles tomam aspectos de setuplicidade. Todos os Princípios Herméticos se resumem a um só, conforme já vimos, mas podemos dizer que eles são sete, e agora vamos dizer que eles se manifestam como se fossem sétuplos. Tudo quanto se manifesta no mundo Imanente, ou tem natureza sétupla ou se manifestam através de coisas sétuplas. Os próprios Princípios Herméticos ao se manifestarem o fazem com nuanças de setuplicidade, ou seja, a natureza sétupla do Mundo Imanente é algo tão marcante que até mesmo os Princípios Herméticos não fazem exceção. Como exemplo vejamos o tempo. O tempo linear é sétuplo em manifestação? - A resposta é afirmativa, os Princípios Herméticos se apresentam sob sete aspectos. Tomemos como exemplo o tempo. Seriam sete tipos de tempo? - Não propriamente sete tipos de tempo, mas sim sete maneiras dele se apresentar. Consideremos o tempo linear caracterizado pelo passado, presente e futuro. Ai já contamos com três aspectos distintos do tempo linear.
Como o assunto requer certo nível de atenção, a fim de facilitar a compreensão vamos usar uma analogia, incluindo nomes de pessoas para indicar os diversos tempos. Comecemos com o passado. Veremos 3 situações de passado, o passado do passado, o passado simples, e o passado contínuo.
Consideremos um momento qualquer do passado e poderemos estar diante de algo presente somente naquele momento. Consideremos um filme que numa cena passada apareceu um personagem pela primeira vez. Chamemo-lo de José; numa determinada cena do passado José apareceu pela primeira vez, ele não havia aparecido antes e nem aparecerá depois. Estamos usando como exemplo uma pessoa, mas podemos considerar não apenas uma pessoa, mas igualmente uma ação que é executada somente em um determinado momento já transcorrido. Gramaticalmente se trata do passado perfeito; exemplos: cantou, trabalhou, comeu, vendeu, etc. Este é o que a gramática chama de passado perfeito. Algo inerente apenas a um momento fixado = passado perfeito gramatical. Trata-se do Segundo Aspecto do tempo linear. Mas, existe uma outra situação em que naquele tempo passado do filme um ator que se faz presente já havia se apresentado em cena anterior. A este vamos chamar de Pedro. Neste caso temos um passado no passado (Em inglês usa-se o auxiliar “had”). A ação teve inicio num passado anterior àquele que estiver sendo considerado. Passado do passado: Consideremos como o Primeiro Aspecto. (Primeiro por haver sido o primeiro a aparecer). Algo que na linearidade do tempo veio de antes. Mas pode acontecer que tanto José quanto Pedro continuem a se apresentar em cenas posteriores. Portanto eles continuam e neste caso temos o Terceiro aspecto do tempo, o passado contínuo. (sufixo ing. nos verbos da língua inglesa). A linearidade temporal continua no sentido do presente ou futuro.
Agora fixemos o presente. Podemos considerar algo que se faz sentir no presente, e que não veio do passado. No filme é um ator que se apresenta no presente pela primeira vez, chamemo-lo de Luiz. Luiz ainda não havia aparecido antes, somente o faz no presente. A ação que diz respeito apenas ao momento. Trata-se do presente simples: canta, trabalha, come, vende, etc., que corresponde ao Quarto Aspecto do tempo linear. Mas pode acontecer que Luiz, assim como José ou Pedro, conjunta ou individualmente continue a aparecer em cena (ou cenas) posterior e neste caso teremos um presente contínuo que compõe um Quinto aspecto do tempo linear. Agora temos um ator, Roberto, que só aparece numa cena do futuro, ou seja, se trata de uma ação futura simples gramaticalmente expressa por: cantará, trabalhará, comerá, venderá, etc. Este é o Sexto Aspecto. Por derradeiro temos que a ação, ou ator, que apareceu numa cena futura continue, e assim teremos o Sétimo Aspecto do Tempo Linear. Como ação: Num momento futuro irá cantar, irá trabalhar, etc.
Concluindo esta palestra diremos que se considerando um aspecto mais sutil, ou seja, onde termina uma ação, ou a atuação dos atores, então mais cinco aspectos podem ser acrescidos aos sete mencionados, perfazendo assim um total de doze.
