A Projeção da Mente
“A sabedoria só existe na verdade “.


Em palestra anterior vimos que a Consciência sempre se manifesta ao nível do Corpo Intermediário mais inferior da seqüência sétupla que compõe o ser. Nesta palestra estudaremos como a partir do corpo material a consciência – percepção – pode se projetar em outros níveis. Para simplificar este estudo é vantajoso fazer uso do esquema da “Árvore da Vida”.
Pelo esquema podemos ver como se situam os corpos intermediários e como a consciência pode ser projetada nos diferentes planos, ou como se diz na Cabala, nos diferentes mundos. Cada um sephirah da “Árvore da Vida” corresponde a um dos corpos que compõe o ser e igualmente a um plano diferente do plano material.

Figura 1
Pelo esquema podemos evidenciar que os Corpos Intermediários estão situados dentro de uma via por onde flui a Energia Vital. Trata-se de uma via de “mão dupla”, ou seja, uma via que permite fluxos em dois sentidos; de Kether para Malkut – como mostra a figura – e vice-versa. Assim sendo, tanto é possível a Percepção oriunda de Kether chegar até Malkut quanto de Malkut chegar até Kether. Em ambos os sentidos, a consciência pode se fazer sentir em qualquer um dos corpos intermediários, mas quando a “Árvore” está completa ela só se manifesta em Kether e em Malkut.
A consciência naturalmente só se manifesta no segundo corpo se não houver o primeiro; só se manifesta no terceiro, se não houver o segundo; e assim por diante. Isto é a atuação padrão, mas em condições especiais é possível a percepção ocorrer em qualquer um dos corpos intermediários. Se o ser perde o corpo físico – morte – a mente passa a atuar ativamente no corpo etérico, e assim sucessivamente. Mas, há muitas situações em que o intelecto pode se tornar ativo em outro corpo intermediário. Isto corre sempre que há um bloqueio em um dos corpos. Se a mente é bloqueada no primeiro corpo ela se torna ativa no segundo, por isto quando a pessoa faz cessar o diálogo interno – para o tagarelar mental - ela pode facilmente ter percepção de outros planos.
Podemos dizer que a consciência de uma pessoa encarnada pode ser projetada em qualquer um dos demais corpos intermediários. É evidente que para que isto ocorra se fazem necessário certo prática, certo desenvolvimento psíquico, e um elevado índice de energia sutil. A projeção é tanto mais difícil de ocorrer quanto mais elevado for o corpo intermediário para onde se pretende projetar a mente.
Vale salientar que essa projeção pode se fazer sentir tanto dentro da “Árvore” individual, quanto dentro de uma outra desde que exista um ponto comum de contato – sephirah comum – sirva de elo de união. Assim a mente pode se projetar não apenas para o corpo mental, causal, Búdico, etc., mas para um outro “mundo paralelo” representado por uma outra “Árvore”, conforme a fig. 2.

Figura 2
A projeção da mente pode ser feita em dois sentidos, pode ser projetada em dois sentidos. Por exemplo, a projeção pode ser feita no sentido espacial, ela pode ser expandida para outros “lugares” dentro de um determinado plano. Por exemplo, no plano material a mente pode ser projetada para lugares distantes, para outros continentes, etc. – Projeção Expansiva – mas ela também pode ser projetada para outros planos; tais como o plano astral, búdico, nirvânico, etc. – Projeção Introjectiva, e até mesmo para outros mundos[1]. Pela Projeção Introjectiva a mente pode ser projetada para um outro plano de existência e ali ela também pode se expandir – projeção expansiva – em outro plano.
A projeção pode ser feita a partir do corpo físico. A pessoa pode projetar a consciência[2] tanto para lugares distantes do mundo material quanto para os diversos planos astrais. Uma pessoa pode deslocar sua consciência para lugares distante tanto se deslocando fisicamente, quanto sem qualquer viagem física.
Quando a projeção é feita ao nível de Malkut – plano físico – não ocorre qualquer tipo de distorção do tempo porque o mundo explorado é o da matéria densa. O deslocamento é feito de um lugar material para outro idêntico, mas o mesmo não acontece quando a projeção é feita no sentido vertical, isto é, para um outro plano de existência constituído por “matéria sutil”.
A projeção introjectiva é como que um mergulho para outros níveis de existência, para “mundos” não constituídos de matéria densa e que são mundos onde as vibrações constitutivas das coisas são de níveis diferentes. Sendo assim se pode dizer que ocupam faixas incomuns do “Teclado Cósmico”, isto é, preenchem aquelas lacunas que notamos no espetro geral da natureza.
Sabemos que para cada plano o tempo parece fluir de forma diferente do que ocorre no mundo material. Tempo é algo que a consciência humana registra pela distância entre os eventos, pela seqüência de acontecimentos, pelo intervalo entre dois eventos.
Uma vez projetada para um outro plano, a mente pode se expandir e explorar aquele plano. Desde que esteja projetada num dos corpos intermediários, pode ocorrer, então, a expansão horizontal. Esta será tanto mais fácil quanto mais elevado for o plano. Uma expansão ao nível do segundo corpo é mais fácil do que ao nível do primeiro e assim por diante. Em outras palavras, é mais fácil a pessoa se deslocar em corpo astral – segundo corpo – do que se deslocar em corpo físico – primeiro corpo. O mais difícil é a projeção a partir de um corpo mais inferior para um mais superior.
Para que uma expansão de consciência se processe por meio do segundo corpo preciso haver alguma forma de registro do local a ser sintonizado para que a mente possa se deslocar até o ponto desejado; é preciso haver o “padrão” de vibração do lugar aonde se quer ir, ou seja, é preciso haver coordenadas precisas, que neste caso são registros do lugar para onde se quer efetivar a projeção. Por isto uma expansão desse tipo só pode ser feita para locais onde a pessoa já esteve antes. Só excepcionalmente pode-se deslocar para um lugar onde não se tenha estado antes – nesta ou noutra encarnação – porque é preciso haver algum registro do padrão vibratório do local desejado. No mínimo é preciso se dispor de algo que sirva de ligação entre a mente a ser expandida e o local para onde quer se deslocar. Por exemplo, um objeto do local ou da pessoa que esteja naquele lugar pode estabelecer a sintonia. Eis porque certos sensitivos quando têm que fazer uma expansão assim requerem algum objeto da pessoa. Suponhamos que uma pessoa haja desaparecido e o sensitivo queira ir até ela. Então ele requer algum objeto que pertence àquela pessoa, pois é através do objeto em que estão gravadas os padrões de vibração da pessoa que o sensitivo sintoniza o lugar e se só assim ele se projeta no local onde a pessoa está. Em temas bem mais elevados falaremos de percepções de mundos totalmente diferentes deste que consideramos como real, mas neste caso não se trata de projeção e sim de deslocamento através da focalização da mente diante da consciência, em outras palavras, uma abordagem em nível do “eterno agora”.e sintonização da mente.
Uma projeção feita a partir do 3º nível já é bem mais difícil, exige mais habilidade, mas já não é tão necessário que a pessoa haja tido algum tipo de contato com o local. Projeção para outros planos requer, além do que afirmamos antes, uma enorme quantidade de energia de um tipo especial que estudaremos oportunamente – Energia Sutil. Expansões além do quarto corpo pode transcender ao âmbito planetário. Ali a personalidade já é muito mais ampla em suas vibrações; já são harmônicas com o Mundo Transcendental. Ela não está mais restrita a um local, a uma pequena área. Normalmente pode se infundir num espaço infinitamente maior do que se faz normalmente no plano material ou nos demais planos inferiores.
A expansão – introjeção – é tanto mais difícil quanto mais elevado for o plano, porém ela é muito mais perfeita nos níveis elevados. Uma projeção ao nível do segundo corpo praticamente fica restrito ao plano astral inferior, praticamente ao nível da terra apenas em nível mais sutil. Uma introjeção no 5º corpo seria praticamente sideral, teria uma abrangência universal. Além do 5º até mesmo o sentido de espaço e de tempo seria completamente diverso daquele que conhecemos.
Ao nível do 7o. corpo tempo e espaço não existem tal como conhecemos. Ali o espaço é um ponto e o tempo é quase que um eterno agora. É o eterno aqui e agora condição em que presente, passado e futuro se fundem numa só realidade e assim coisas como precognição é simples de serem compreendidas. A precognição é um fenômeno que resulta exatamente de penetrações da mente ao nível da Tríade Superior.
Em determinadas situações especiais, e por momentos bem curtos, a consciência de uma pessoa encarnada pode se projetar ao nível do 6º corpo. Em tal situação há um mergulho no “eterno agora” e então ocorrem fenômenos para-normais – extra-sensoriais – incríveis, entre estes a precognição – dom de profecia.
Os fenômenos extra-sensoriais extraordinários, mesmo aqueles aparentemente mais absurdos nada mais são do que o resultado de projeções em outros planos[3]. Em momentos de recolhimento interior é possível se fazer algum tipo de projeção da consciência no sentido vertical, uma projeção para outros planos, e então coisas maravilhosas podem ocorrer ao nível de conhecimento. Como "toda moeda tem duas faces" é viável uma projeção para planos inferiores e com tal a experiência pode ser tétrica.
Os momentos de êxtase dos "santos", os momentos de beatitude, momentos inefáveis, sempre é fruto de tais projeções ao nível dos corpos intermediários superiores. São momentos fugazes, mas que parecem longos, são vislumbres que parecem vivências prolongadas. Mesmo quando na cronologia do mundo material parece que um estado de êxtase foi um tanto prolongado, na verdade ao nível do corpo intermediário em que a consciência se projetou, aquele espaço de tempo pode ter sido deveras pequeno. Ao nível de CI elevados foram apenas pequeninas sintonizações, momentos efêmeros, pois o "fluir do tempo", aparentemente longo ao nível da matéria densa não tem igual "fluidez" ao nível das tríades mais elevadas. Essa discrepância ocorre por conta da alteração do "fluir do tempo" nos diferentes planos em que se situam os diferentes corpos intermediários.
Dissemos antes que o mergulho interior não é fácil, mas desde que a pessoa já esteja num outro nível o seu deslocamento – horizontal – nele é relativamente fácil. É tanto mais fácil quanto mais elevado for o plano em que a pessoa esteja projetada. Em outras palavras: Quando uma pessoa se projeta no segundo nível – plano astral – ele se desloca dentro deste plano mais facilmente do que normalmente o faz no plano material.
Para que uma projeção de consciência possa ocorrer são precisas certas condições especiais. De um modo geral isto pode ser feito sempre que a pessoa consegue anular o diálogo interior, sempre que consegue silenciar a mente, tenha suficiente energia sutil e um forte intento – querer. O silêncio da mente é uma condição básica para que o ser possa explorar mundos inerentes aos corpos intermediários, para sair desta realidade e penetrar em uma outra. Para ter percepções de outros planos é necessário anular o fator mente, é fundamental que a pessoa não esteja querendo ver coisa alguma, sentir coisa alguma, ou ouvir coisa alguma, desde que isto equivale a um intento predeterminado, e isto faz com que ele perceba apenas aquilo que está intentando – querendo ver ou sentir. Em resumo: Uma pessoa estando projetada no quarto nível astral tem mais facilidade de explorar esse nível do que aquele que estiver no terceiro explorar o terceiro; ou no segundo explorar o segundo, e assim por diante.
Para que o estado de receptividade mental seja conseguido é preciso um bom silêncio mental. Para que se consiga o silêncio mental existem alguns métodos preconizados pelos místicos, feiticeiros, parapsicólogos e outros especialistas habilitados a operarem com os processos mentais. De um modo geral o desligamento da mente cerebral e a subseqüente projeção pode ser atingida por um dos sistemas seguintes:
a - Por disciplina mental conseguida através de treinamento especiais, tais como a meditação, os exercícios preconizados pelos Rosacruzes, pelos iogues, etc.
b – Pelo uso de mandalas ou outros meios que desfocalizam a visão;
c - Por meio da ação de substâncias endógenas elaboradas pelo organismos em diversas condições impostas ao corpo físico, tais como jejuns, flagelações, etc. Este foi o sistema muito usado por místicos e "santos" da Igreja Católica no passado e por faquires na atualidade.
(A flagelação, ao mortificar a carne, determina a produção de algumas substâncias psicoativas que têm a capacidade de alterar o funcionamento do cérebro e assim ocasionar estados alterados de consciência.).
d - Por meio da ação de substâncias exógenas, ou seja, pela ingestão de certas substâncias químicas especiais. Freqüentemente são substâncias de origem vegetal, fungos, cogumelos, cactos, cipós, folhas, etc.
Existem muitas substâncias capazes de provocar aquele estado de expansão da consciência, mas, de certa forma, pode-se considerar algo um tanto perigoso porque algumas na realidade expandem a consciência, mas muitas outras apenas deformam a percepção e isto não é bom. Somente para quem já conhece a ação dessas substâncias é que o perigo pode ser afastado, evidentemente.
As substâncias psicoativas podem ser classificadas em: “Indutoras de Projeção de Consciência” e de Deformadoras da Consciência. Ambas podem ser, ou não, de natureza tóxica e disto decorre a capacidade de provocar dependências, ou mesmo alterações biológicas.
Não é preciso que falemos longamente sobre os perigos das drogas tóxicas. Logicamente elas devem ser evitadas, quer sejam ou não indutoras de projeções de consciência ou determinadoras de estados alterados de consciência.
Agora queremos nos referir primeiramente àquelas substâncias que não são tóxicas, que não criam dependências, mas que por alterarem as realidades podem ser tidas como prejudiciais à pessoa no nível relacionamento e para isto condenáveis. Outras vezes são drogas cujos efeitos são tão profundos que só devem ser usadas sob a orientação de uma pessoa experiente e ao mesmo tempo em que a pessoa que vai realizar a experiência esteja devidamente preparada, pois para uma pessoa comum certas vivências psíquicas podem alterar o seu comportamento de uma forma negativa.
Na realidade certas substâncias desse grupo quando utilizada ritualisticamente por algumas seitas, orientadas por dirigentes conhecedores do processo psíquico, e especialmente quando existe algum mestre, a nível espiritual que seja responsável pela direção da seita e que conduza o discípulo pelos labirintos dos planos superiores de consciência, então uma experiência assim se torna altamente positiva.
Para terminar esta palestra queremos agora falar da possibilidade das substâncias psicoindutoras, marcarem, alterarem a estrutura energética de um corpo intermediário. Certas substâncias, como o fumo, por exemplo, têm capacidade de alterar o padrão energético de algum dos corpos intermediários, sobretudo dos mais inferiores. Assim podem deixar alterações que marcam de forma inadequada um dos corpos intermediários e então, em uma encarnação futura aquela marca induzirá alguma forma de alteração no corpo físico. Isto acontece com a nicotina do cigarro que determina dependência e outras suscetibilidades orgânicas que se estendem muitas vezes até a 3ª geração.
Uma substância sempre mercê cautela quando provoca alucinações, mesmo que passageiras, pois isto pode acarretar problemas sérios para o indivíduo e até mesmo para a coletividade. Quantos seitas se originaram assim, quantas seitas com ensinamentos errôneos e nefastos surgiram de percepções deformadas pelas alucinações?
A projeção através de substâncias é muito fácil. O estado de consciência é atingido com muito mais intensidade, e de modo muito mais fácil, do que pela meditação, ou via mística. A meditação normalmente não traz perigo algum, mas dificilmente leva a um estado profundo de projeção, pois qualquer condição exterior, como um pequeno ruído, comumente traz a mente de volta e um novo estado dificilmente é atingido de imediato. Quando induzido por alguma substância adequada esse inconveniente è sanado. A projeção é intensa, duradoura. Dependendo da substância ela pode ser muito eficiente, segura, eficaz e precisa. Algumas substâncias como a Ayuasca, San Pedro e o Peiote, quando preparadas e administradas habilmente, praticamente são inofensivas ao organismo e nenhum dado causam aos corpos intermediários.
A Ayuasca leva a um estado intenso de expansão de consciência e tem a vantagem da pessoa não perder a consciências do aqui e agora. A pessoa mergulha profundamente num estado alterado de consciência sem perder a consciência de quem é, de onde está, e mantendo total controle quanto ao seu querer, por isto volta à realidade tantas vezes desejar ou precisar. Nunca fica a mercê da substância.
Assim, concluiremos dizendo que certas substâncias devem ser evitadas, porém existem outras – especialmente de origem vegetal – que podem facilmente promover uma projeção de consciência sem causar problemas ao organismo ou a integridade espiritual do ser.
