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Os Elementos Básicos da Natureza

Tema 0.435 · Temas Básicos · 2 082 palavras · cerca de 14 min

“ Igne natura renovatur integra” 1 9 9 5

Ilustração do documento original

Os Antigos diziam que o mundo era constituído basicamente por quatro elementos: TERRA - AR - ÁGUA - FOGO. Mas, com o advento da ciência moderna a idéia de um mundo material constituído de quatro elementos deixou de ser aceita oficialmente e sendo assim foi então relegada ao esquecimento. A ciência diz que a matéria não é um elemento e sim algo constituído de vários elementos e da mesma maneira o ar e também á água. Quanto ao fogo a ciência diz ser apenas o quarto estado da matéria, o estado que denomina de plasma[1].

Na realidade a ciência nunca entendeu o porquê dos Antigos afirmarem ser o mundo constituído por quatro elementos. Ela não entende porque vê o universo somente dentro de um nível, o 7º nível, portanto apenas uma franja do universo. Podemos dizer que a ciência percebe o mundo como se fosse através do orifício[2] de uma fechadura – visão unidirecional – por isso ignora tudo o que existe nos seis níveis adjacentes.

Mesmo que a ciência haja detectado o quinto estado da matéria[3], por certo os dois restantes, pelo menos um, o primeiro, ele jamais será detectado em laboratório. Ela nada sabe a respeito da natureza sétupla das coisas, por isso não aceita a idéia de que no plano terreno tudo é apenas uma manifestação daqueles quatro elementos básicos.[4]

No Cosmos, ao nível do Nada, potencialmente existem dois princípios que os místicos do Antigo Egito denominavam de RA e MA, sendo RA o princípio ativo, e MA o passivo. Por força do querer Superior, RA atuou sobre MA[5] que não vibrava, fazendo-o vibrar. O Querer do Poder Creador fez com que RA atuasse sobre MA fazendo vibrar e assim surgiu a Criação.

QUERER + RA + MA = CRIAÇÃO

1 + 2 + 3 Trindade Cósmica da Criação.

Não é fácil se compreender ser RA o potencial gerador do Fogo e MA o da água, mas isso é verdade. Realmente não se trata do fogo e da água tal como conhecemos neste 7º nível que constitui o mundo material. Na realidade RA é como que um arquétipo do Fogo e MA da Água.

Entre o 1º e o 7° nível de uma coisa qualquer, há uma distância tremenda e isto faz com que nos extremos as coisas apresentem-se com aspectos totalmente diversos, a um ponto tal de se parecem coisas totalmente diferentes.

Na origem primeira a natureza Fogo do Poder Creador agiu sobre a Sua segunda natureza Água manifestando a Primeira Luz. A ação do Fogo sobre a Água efetivou a caiação física, trouxe o Imanifesto ao Manifesto. Na verdade, fora da creação Fogo e Água existem apenas como potenciais, pois somente no mundo imanente é que eles podem efetivamente ser considerados. No Mundo Transcendente, RA e MA são apenas atributos do Poder Superior por isso podemos até mesmo dizer que o Poder Superior [6]pode ser considerado como UMa Trindade, constituída por “três elementos primordiais essenciais em potencial, que são Fogo – RA - Água – MA – Mente – ( = Querer = Potência = Poder ). [7]

Uma das propriedades do Fogo é fazer vibrar. Vemos isso no plano material, o fogo agita as moléculas, eleva a vibração de tudo aquilo que é “tocado” por ele. Assim o fogo primordial fez a água primordial vibrar resultando disso a Creação, fazendo surgir a Primeira Luz que é chamada pelas religiões pelo nome genérico Deus.

Deus Imanente é a própria Água vibrando pela ação do Fogo manifestando a Consciência em sua natureza energética.

Tudo o que vibra tem polaridade, sendo assim a Primeira Luz se polarizou dando dois aspectos distintos, ou seja, a sexta essência. Houve o que a Cabala chama de separação. O Fogo e a Água, que não eram dois, mas apenas a dupla natureza do UM se separaram. O fogo primordial fez vibrar a água primordial ocasionando a vibração que se polarizou. Tudo o que vibra se polariza, polarização é inerente à vibração, conforme estudamos nos Princípios Herméticos.

RA e MA é, ao nível do Mundo Transcendental, o correspondente ao que o Fogo e a Água são ao nível do Mundo Imanente. Assim como é em cima é em baixo – Princípio da Correspondência.

No livro de Gênese da Bíblia está escrito sobre o Primeiro Dia da Criação - Gênese 1-3 “Disse Deus: Haja Luz e houve a Luz...”. Primeira etapa. Querer Cósmico RA + MA LUZ = CRIAÇÃO – Azilut Superior. No segundo dia da criação - Gênesis 1-6 “Faça-se o Firmamento no meio das águas, se separe umas águas das outras águas. 1-7” E fez Deus o firmamento e separou as águas, que estavam sob o firmamento, daquelas que estavam por cima do firmamento...”

Assim houve a separação dos princípios Fogo/Água a partir do princípio LUZ surgindo o que a Cabala chama de Separação (Beriah). Separou-se o Fogo da Água que eram UM[8] apresentando-se em sua respectiva sétima-essência. [9] (vamos usar aqui a forma que o uso oficializou, chamar a segunda essência, de sexta essência).

Todas as coisas na natureza são sétuplas. Iremos citar muitas vezes os sete níveis da água, do fogo e de muitas outras coisas. Na verdade, alguma vezes, vemos o sétimo nível como se fosse fora da criação e outras vezes dentro. Esta dúvida existe, mas isto acontece porque é fundamental se ter em conta os 4 mundos. A Árvore da Vida representativa da criação - Mundo Imanente - engloba 3 mundos, e mais um que é compartilhado com a Transcendência.

Transcendência

Ilustração do documento original

Figura 1

Pela fig. se pode entender o porquê o sétimo nível vezes é referido como pertencente à Imanência e vezes à Transcendência. Na verdade todos os princípios, todas as estruturações, pertencem a Imanência, mas tudo o que está no Azilut, por ser um mundo aberto compartilhado com a Transcendência muitas vezes o sétimo nível é tido como pertencente à Transcendência. No azilut situa-se o sétimo nível de tudo aquilo que emana do Transcendente. Assim Fogo[10] e Água manifestam-se primeiramente no Imanente, mas sua emanação procede do Transcendente. O correto é admitir fogo e água como sétimo nível situado no Imanente, mas esse é um nível aberto conforme se pode ver pela figura 1, e como tal se pode considerar que ele emana do Transcendente, onde consta como um aspecto de Fohat.

O fogo e a Água separaram-se ao nível da sétima essência (na realidade é a segunda essência, pois essa classificação é coerente com a descrição Bíblica que chama de segundo dia.). Eis o Universo Primordial: Consciência (= vida), Fogo sexto-essenciado (= Luz = luminosidade) e Água sexto essenciada. Portanto o Universo Primordial tem inerente à si a Consciência, o Fogo e a Água formando uma Trindade.

Pela Árvore da Vida Kether é a União do fogo e água antes da separação. Mas, como conseqüência da vibração, houve de imediato a polarização que implicou na separação. Desde que houve polarização conseqüentemente teve que haver o afastamento (movimento) formando-se duas colunas, uma à direita e outra à esquerda. Duas naturezas distintas, a da água e a do fogo. Ambas em essência absolutamente puras, mas com qualidades distintas.

É importante que tomemos ciência das qualidades próprias da água e do fogo a fim de que melhor conheçamos a natureza de tudo quanto há no universo. Só assim o espírito deixa de ser escravo das forças da natureza e chega a ser senhor ao assumir o domínio sobre elas.

Por mais que uma pessoa se desenvolva espiritualmente ela jamais chegará à purificação, e especialmente à cientificação, se não tiver certo domínio sobre as forças da natureza, pois estas a retêm, e para se ter esse domínio mister se faz conhecer e agir. Hermes disse a seu filho That: “A natureza se diferencia em dois aspectos: Força e movimento [11]. Um aspecto, a força, a própria potência, atravessa todo o mundo e se conserva em seu interior. O outro aspecto, o movimento, faz com que o mundo se expanda devido o seu poder ativo e mantém envolto exteriormente”.

Em palestras seguintes estudaremos ao menos as qualidades fundamentais dos elementos básicos da natureza a fim de que os conhecendo possamos adquirir progressivamente o necessário domínio sobre eles. Se esse domínio não fosse necessário, por que então Salomão chegou a ter o domínio sobre todos os gênios, conforme é dito por todas as doutrinas tradicionais.

Após a separação, após a polarização, conforme se pode sentir através do esquema gráfico da “Árvore da Vida”, água e fogo frente á frente formaram as bases das duas colunas, da coluna de Hokhmah e da coluna de Binah, estabelecendo os dois caminhos, um que pode ser chamado de Caminho da Mão Esquerda e o outro de Cainho da Mão Direita.

No desenho do tao estão representados os dois princípios, os dois caminhos. Um deles é escuro e o outro claro, mas, mesmo assim, a metade clara contém um ponto escuro e vice-versa. É assim também no universo, na luz há o potencial treva e na treva o potencial Luz. No Fogo existe o potencial Água e na Água o potencial Fogo. Isto representa aquilo que é chamado de União dos Contrários, a natureza dual de tudo que há. Isto acontece porque tudo é UM, se não houvesse esse elo de união às coisas do universo estariam irremediavelmente separadas e jamais voltariam à unificação. Coisa alguma no Universo está absolutamente separado, sempre existe um elo de união e nesse nível os opostos se anulam.

Vimos em outros temas o enfoque cabalístico da criação, a maneira como a Escola Cabalística expõe a Criação. Nestas palestras veremos um outro enfoque, exatamente o enfoque baseado nos ensinamentos de Apolônio de Tiana. Na realidade não existe discrepância alguma entre ambos, trata-se somente de modos diferentes de exposição. Na realidade a maneira como é vista pelos discípulos de Apolônio complementa bem aquilo que é ensinado pela Cabala.

Houve a polarização seguindo-se à Criação que necessariamente efetivou a separação. Assim estabeleceram-se os dois aspectos separados na natureza, sendo um passivo, receptivo e o outro ativo. Mas, como está representado no TAO, cada aspecto contém o outro.

Não houve uma separação única, na medida em que o universo se desenvolveu as coisas foram se formando diferentes entre si porque em decorrência de uma dicotomização, ou seja, de um espalhamento sucessivo, conforme a fig.2, há a ilusão de que existem coisas isoladas. Assim podemos dizer que Água e Fogo na origem é UMa coisa só.

Figura 2

Ilustração do documento original

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Notas

  1. Para a ciência são quatro os estados da matéria: Sólido, líquido, gasoso e plasma e um quinto estado recentemente que ainda não recebeu um nome oficial dado pela ciência. Einstein em l925. Naquele ano Einstein disse que a matéria poderia atingir um estado, o quinto, em que ela se comportaria como a luz. Este estado da matéria foi descoberto em laboratórios por cientistas norte americanos recentemente. Baixando a temperatura de átomos de rubídio próximo ao zero absoluto a matéria se apresentou num estado totalmente diverso dos outros quatro estados cientificamente reconhecidos. ↑

  2. Mito da Caverna de Platão – A Republica. ↑

  3. Na verdade o sexto estado da matéria é com o que mais a ciência trabalha, sem se dar conta disto, porque considera a ordem inversa. ↑

  4. Na realidade, nos três primeiros níveis somente existem dois elementos, fogo e água, pois ar e terra já são desdobramentos da água a partir da quintessência. ↑

  5. MA corresponde à Consciência. MA não vibra portanto pode ser considerada “paralítica”, como dizem algumas doutrinas védicas. Quando ela vibra surge o movimento cuja primeira manifestação é o Movimento. Quando A Consciência abandona o estado de imobilidade, ela se manifesta como Mente. ↑

  6. Estamos nos referindo ao 4º Nível de Deus ( escala descendente) ↑

  7. Este assunto será bem desenvolvido somente em palestras bem avançadas, quando estudarmos Fohat e os aspectos de Deus. ↑

  8. Ao nível primeiro todas as coisas são uma mesma coisa, as diferenciações ocorrem nos níveis mais baixos. ↑

  9. Na realidade é melhor dizer segunda essência, pois se trata da seguinte a partir da primeira. Mas o uso fez com que a escala sétupla seja muitas vezes contada de baixo para cima e assim o mais grosseiro é o primeiro degrau. ↑

  10. Não estamos nos referindo ao fogo como brasa, ou chama, e nem a água como gelo, qua liquida. Etc. mas sim como nível mais elevados na seqüência sétupla presente em tudo quando há no mundo das formas. ↑

  11. Força é o conhecer e movimento é o agir. ↑