Características do Poder Superior
“ O todo é mente; O universo é metal”.
1 9 9 5
CARACTERÍSTICAS DE DEUS INFINITO


Dos Sete Princípios Herméticos revelados, o Princípio Mental é a base de todos os demais embora seja o menos fácil de ser compreendido, em decorrência de vivermos em um mundo material, limitado, dentro da criação que é parte de um universo objetivo e descontínuo. Para que Princípio Mental possa ser bem compreendido é preciso que se tenha uma visão nítida do que vem a ser o “contínuo”.
“OS LÁBIOS DA SABEDORIA VIVEM FECHADOS, EXCETO PARA OS OUVIDOS DA COMPREENSÃO”.
Há conhecimentos que de forma alguma podem ser transmitidos pela palavra escrita ou falada, em decorrência de sua natureza inefável. São conhecimentos para os quais não existem sequer palavras capazes de poder explicar coisa alguma.
Para explicar muitas coisas transcendentais os orientais criaram dicionários de termos especiais para definir condições especiais da natureza[1].
No Universo existem condições que a linguagem humana não tem como expressá-las, assim sendo somente pelos canais da percepção subjetiva é que o estudante do misticismo pode ter ciência delas. São coisas que se sente perfeitamente, mas que se é incapaz de defini-r ou de descrever por meio de palavras.
O Primeiro Princípio Hermético enquadra-se perfeitamente nesta situação, não tem como explicá-lo com clareza através de palavras, pois não é fácil se compreender que se tendo uma existência objetiva circundada por miríades de estruturas concretas, seja dito que todas elas nada mais são do que um estado da Mente Cósmica.
É um tanto mais fácil se entender o Princípio Mental se forem consideradas aquelas qualidades que a Cabala atribui a AYIN[2], e que denominamos “Faces do Poder Superior”.
- CONTÉM O ESPAÇO, MAS NÃO OCUPA ESPAÇO ALGUM.
- CONTÉM O TEMPO, MAS NÃO EXISTE EM TEMPO ALGUM. NÃO TEM PASSADO E NEM FUTURO.
- NÃO TEM PRINCÍPIO E NEM FIM
- NÃO TEM CAUSA E NEM É EFEITO
- IMANIFESTÁVEL, MAS CONTÉM TODAS AS MANIFESTAÇÕES;
- NÃO VIBRA, NÃO TEM POLARIDADE, NÃO TEM RITMO, MANIFESTOS.
- NÃO PODE SER ACRESCIDO, NEM DIMINUÍDO E NEM ALTERADO.
- NÃO ESTÁ NO UNIVERSO, NÃO ESTÁ EM PARTE ALGUMA, MAS EXISTE.
- É UM VAZIO QUE CONTÉM TUDO.
1 - É mais fácil entender como o Poder Superior contém o próprio espaço se, em o primeiro lugar, se tiver um bom entendimento do que vem a ser o Continuum.
Admitamos uma esfera totalmente compacta, algo sem “granulação” alguma, portanto algo infinitamente maciço, sem átomos, sem partículas ou sub-partículas, em suma, uma “massa unificada”. Teoricamente, uma esfera assim, mesmo que a consideremos do tamanho do universo[3], tocando-se nela o toque seria sentido instantaneamente na totalidade da esfera, pois não haveria coisa alguma para ser percorrido.
O que gera o tempo necessário para que uma mensagem vá de um lugar a outro é ter esta que passar de uma partícula para outra. A informação segue de partícula em partícula sucessivamente. A condução de uma mensagem é o passar de unidade para unidade. Lembremos do “efeito dominó”; se num conjunto de peças de dominó posicionadas lado a lado uma das peças for derrubada esta derruba a seguinte e assim sucessivamente até a derradeira, e o passar da “onda de queda” de uma para outra peça acarreta uma cronologia, isto é, requer aquilo que as pessoas chamam de tempo.
Se fosse uma peça única não haveria a onda de quedas e, portanto, não decorreria tempo algum.[4] Assim também é o que aconteceria num universo continuo, absolutamente maciço. Ele comportar-se-ia como uma única peça, e nenhuma mensagem necessitaria de tempo algum para se fazer sentir na totalidade da esfera.
Acompanhemos esse raciocínio pelo sentir e não pelas palavras propriamente. Aquela esfera, por não existir partícula alguma, teria massa única e, por maior que ela fosse, não ocuparia espaço algum. O que cria a necessidade de espaço é exatamente a descontinuidade, ou seja, a sucessão de partículas. Um dominó que tivesse única peça não ocuparia o espaço destinado às demais peças. O espaço seria nulo.[5] [6]
Na hipotética esfera não haveria nem tempo e nem espaço. A “granulação” teria que inexistir e a esfera tornar-se-ia infinitamente compacta, ou seja, um continuum. Como infinito não poderia ocupar espaço porque o infinito não pode caber em lugar algum, do contrário aquele lugar teria que ser maior que o próprio infinito e estar fora dele. Sendo assim existiria algo maior que este, o que é impossível. Se existisse algo maior que um infinito por certo nem um dos dois seria infinito, a não ser que um deles contivesse o outro.
Pelo que dissemos é fácil se entender que Deus como infinito não pode ocupar espaço algum.
2 - Não ocupando espaço algum um evento não requer tempo algum para se fazer presente, pois não há espaço para ser percorrido (não há uma sucessão de peças a serem derrubadas, desde que todas elas existem num único ponto sem espaço algum, portanto numa condição inespacial e dimensional).
Se não há tempo cronológico não pode conseqüentemente haver nem o antes e pela mesma razão também não pode haver o depois. Por ser único, por ser um “continuum” o mais elevado nível de Deus não está sujeito ao tempo, mas o tempo faz parte dele. Ele não está no tempo, mas o Tempo está Nele.
3 - Não pode ter princípio porque se o tivesse algo existiria como o antes. Neste caso já seriam duas coisas, portanto o infinito não seria qualquer uma delas. Não pode haver dois infinitos, pois para ser infinito tem que ser único. Não pode ser infinito’ quando algo estiver de fora. Se algo estiver de fora o infinito não contém tudo e se não contiver tudo ele não é infinito.
Também não pode ter fim porque fim seria um limite e infinito pode ser UM LIMITE, mas não pode ter limite quer de espaço quer de tempo.
4 - Não pode ter causa porque causa existe antes e infinito não pode ter algo antes, porque se assim fosse algo estaria fora dele, se havendo o fora, então o Infinito não seria único, e não sendo único haveria duas coisas, e sendo duas coisas nenhuma das duas seria infinito.
Não é efeito porque não tem causa. Somente existe algum efeito quando existe alguma causa.
5 - Como não tem espaço e nem tempo conseqüentemente não pode se manifestar de forma alguma. Não tem um momento e nem um lugar para que ocorra alguma manifestação.
6 - Não existe vibração, polaridade, ou ritmo, porque nenhuma destas condições pode existir sem tempo. Ritmo, polarização e vibração existem em função do tempo. Não pode existir uma vibração que não requeria uma fração qualquer de tempo, do mesmo modo polarização e ritmo.
O infinito se polarizar seria o mesmo que se expandir para fora de si e neste caso deveria existir algo fora, pelo menos um lugar para onde a polarização se processasse. Se existisse algo fora é claro que este não estaria no infinito, pois se está fora não pode estar dentro ao mesmo tempo. Estando fora haveria duas coisas, o dentro e o fora, conseqüentemente nenhum dos dois seria infinito por um não conter o outro.
7 - O infinito não pode ser aumentado porque não tem para onde crescer. Se houvesse essa possibilidade, é claro, que deixaria de ser infinito. O “para onde crescer” estaria fora.
O infinito também não pode ser diminuído, pois seja que o for que dele seja retirado não tem aonde ser posto. Precisaria haver um lugar para o que foi retirado ser colocado e neste caso aquele lugar teria que ser exterior ao infinito. Se assim fosse o suposto infinito não o seria desde que algo estaria fora dele, não seria o continente absoluto como o infinito é.
O infinito não pode ser modificado, pois qualquer modificação implica em uma condição fora, uma condição antes e não presente nele. Uma condição resultante de uma modificação já dele constar do próprio infinito, do contrário seria como criar algo essencialmente novo. (Na palestra seguinte estudaremos com mais detalhes a transformação das coisas diante do infinito).
Se algo antes estava fora, portanto não estava no infinito, logo aquilo que se supunha ser infinito na realidade ainda não era infinito.
Coisa alguma pode ser modificada, alterada ou transformada; somada ou subtraída do infinito. Modificar o infinito significa que a modificação não estava contida nele, logo ele estava incompleto, estava limitado e assim não era infinito.
Coisa alguma não pode ser somada ao infinito porque se fosse possível acrescentar-lhe algo ele antes estaria incompleto, faltando-lhe pelo menos aquele tanto que lhe é acrescido.
Coisa alguma pode ser subtraído do infinito porque o tanto retirado teria que ter um destino e este evidentemente teria que estar fora dele. Algo fora tira a condição de infinito do outro.
8 - Não está em parte alguma porque seria isto um lugar e não pode haver lugar sem que haja espaço.
9 - Diante de todas as condições citadas pode-se entender como sendo um vazio que tudo contém, mas que também nada contém. Nada contém por não ter o quando e nem o onde conter, não há espaço para isso.
Encontramos paralelo disto na natureza íntima de uma lei física. Pode-se conhecer bem os efeitos de uma lei, mas não o que ela é em essência, assim como se pode ver que todos os 9 atributos mencionados estão presentes nela.
Deus querendo ver a face de Deus teve que abandonar todas essas, e muitas outras qualidades imanentes do infinito. ELE teve que, sob um aspecto, deixar de ser infinito. Parece um absurdo se dizer que Deus tornou-se finito. Isto só pode ser entendido mediante o conhecimento de que ELE é uma condição que se pode chamar de Consciência Cósmica.
Esta palestra tem como um dos objetivos mostrar que os Princípios Herméticos não podem se fazer sentir no nível do Infinito. Eles somente se fazem presentes no mundo imanente, no mundo dialético. Deus instituiu os Princípios Herméticos para poder ver a Si mesmo.
************
Notas
Para que a Teosofia possa ser compreendia foi preciso ser editado o Dicionário Teosófico “para definir termos que inexistem nas línguas ocidentais”. ↑
Compare com as qualidades de uma Lei Física, e verá a semelhança total. ↑
Na verdade algo continuum não pode ter dimensão alguma. Assim essa citação tem apenas sentido didático. ↑
- No exemplo ainda haveria uma fração de tempo para a peça única cair, mas isto porque a própria peça é descontínua, isto é, constitui-se de partículas. ↑
Uma para de domino ainda ocupa espaço porque ela é uma descontinuidade de partículas; se não o fosse por certo que não ocuparia espaço. ↑
?Um bloco qualquer, quanto mais pulverizado ele for menos espaço ocupa. Sabe-se que a matéria é constituída de átomos e que nele o núcleo pode chegar a ser l00 mil vezes menor que a eletrosfera (área ocupada pelos elétrons). Comprimindo-se a matéria até um nível em que só restassem os núcleos a massa ocuparia um volume de l0. 000 a l00.000 vezes menor. Por sua vez o núcleo atômico é constituído por prótons, elétrons, e nêutrons. Sendo assim se o planeta terra fosse comprimido até o nível dos nêutrons o seu tamanho seria o de uma bola de pingue-pong e se fosse esmagada até o nível de partículas ainda menores, como por exemplo, os prótons, o tamanho dela se reduzira ainda mais, reduzir-se-ia mais milhares de vezes. Esmagando-se até o nível dos “quakers” o tamanho da terra tornar-se-ia microscópico e, se chegasse alem daquelas subpartículas, ao nível da energia praticamente o tamanho zero. ↑