As Vias da Árvore da Vida
" Penso 99 por cento do tempo e nada descubro; Deixo de pensar
E Tudo Vem à Mente"
ALBERT EINSTEIN

A evolução cósmica do ser envolve duas etapas fundamentais, uma que leva o homem de sua posição divina até o corpo material e depois uma outra, a promove a sua ascensão até à condição primeira. Isto está representado na “Árvore da Vida” pela descida de Kether até Malkut e daí, em evolução ascendente o regresso à sua origem.
Como já vimos, a descida se faz de um sephirah de um lado para o outro formando um zig-zag que os cabalistas denominam "O RELÂMPAGO” que na Maçonaria está representada pela Espada Flamígera.
A Centelha Divina, à medida em que vem descendo, vem aumentando a sua "densidade" até se corporificar em Malkut. Na ascensão o ser, primeiro atinge Hod o qual deve ser "dominado", e depois ascende para Netzach, depois para Geburach passando por Tiphereth, a seguir para Kjesed, para Binah, daí para Kjokmah e finalmente o retorno a Kether.
Esta é a vida da seqüência principal, contudo não é necessariamente obrigado que a evolução ou qualquer outra manifestação universal siga este caminho. Há uma série relativamente grande de outras vias que podem ser seguidas. Os sephirot interligam-se de muitas maneiras e a vida é um constante trilhar através daquelas vias. Muitas dão vantagens para o caminheiro, ou ao fenômeno que esteja se processando em determinadas ligações; outras podem ser indiferentes, enquanto outras criam dificuldades para tudo aquilo que por elas enverede, até mesmo para o próprio pensamento que por elas transitem.
As ligações possíveis representadas na “Árvore da Vida” (fig.1) são em número de 22 somadas aos 10 sephirot representativos dos diferentes caracteres do seres, e finalmente juntando-se o sephirah " secreto" Daat perfaz um total de 33 vias (Número de graus do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria). Também responde pelo número 263 que corresponde às possíveis compressões dos espíritos.
O número 33 é considerado um número cabalístico e maçônico. Esse número representa os degraus que o obreiro deve transpor na sua caminhada em busca do conhecimento. Trinta e três foram os anos vividos por Jesus na terra até completar a sua missão; isto tem um significado simbólico profundo.
Todas as situações possíveis entre coisas diferentes, entre fenômenos naturais, e quaisquer estruturas e organizações capazes de funcionar, podem ser previstas e compreendidas por meio dessas vias e todas as conclusões possíveis podem ser tiradas dessas relações.
A metafísica cabalística, os conhecimentos místicos, e a própria Cabala Prática se estruturam completamente nessa relações, na interpretação dos sephirot e nas interdependências entre eles, ou seja, nas “Vias da Árvore da Vida”.
O trabalho cabalístico visa através da meditação sobre as vias descobrir as relações entre as coisas e as condições. A meditação cabalística se faz sobre os Sephirot e especialmente sobre as vias de interligação entre eles. Uma via de cada vez, ou várias simultaneamente, o cabalista utiliza na meditação; e as probabilidades são tantas que uma vida inteira é muito pouco para se descobrir todas as relações possíveis entre dois sephirot, quanto mais para a totalidade deles.
Vale salientar que existe uma diferença fundamental entre a meditação cabalística e a meditação de vários outros sistemas, especialmente o das doutrinas orientas. O método de meditação das doutrinas orientais se faz pela passividade da mente, pelo silêncio mental, sem qualquer atividade subjetiva intensa, com o máximo de neutralização dos estímulos sensoriais. Para isto é necessário silenciar completamente o diálogo interno da mente. Enquanto isto a meditação cabalística é de natureza diferente, pois nela há necessidade da mente permanecer bem ativa desde que diz respeito a um sistema de meditação que se processa através do raciocínio. A mente foca um problema e o situa no esquema da Árvore da Vida, numa ou em mais vias, e começa a raciocinar, começa a procurar estabelecer relações e a descobrir soluções possíveis segundo o esquema. Neste tipo de meditação não há um silêncio da mente, há exatamente o inverso, uma hiperatividade muito marcante com o raciocínio mergulhado naquilo em que se medita. Somente o raciocínio flutua na mente dentro do esquema básico da Árvore da Vida.
Naquele estado a mente se isola do mundo exterior e também dela fica ausente aquela flutuação caótica do diálogo interior de cada um. A mente do meditante vai penetrando nos problemas e nas vias do esquema até um ponto em que torna-se possível ao cérebro permanecer em "alfa", ou até mesmo em “teta”, por exemplo, ainda mais longe. A partir daí a Mente Cósmica em cada um é diretamente abordado e o Mestre Interior revela-se. Deste modo os “mistérios” da natureza vão sendo revelados.
Em decorrência dessa diferença básica entre os dois sistemas de meditação, o cabalístico sempre foi o mais indicado para os povos ocidentais até há bem pouco tempo, isto porque a mente ocidental não está acostumada a ficar em passividade. A mente ocidental caracteriza-se mais pela atividade frenética. O indivíduo ocidental é criativo é muito racional, por isto a sua mente oferece tanta resistência ao silêncio, enquanto que a do oriental tem característica inversa. O Princípio do Movimento se faz sentir com muito mais inteensidade na mente dos ocidentais do que na dos orientas.
Meditando profundamente sobre uma via a pessoa entra numa espécie de êxtase, vai saindo de sua natureza objetiva e penetrando num mundo subjetivo, assim penetrando nos grandes mistérios e percebendo uma infinidade de revelações diretamente. Então, inúmeras vivências podem aflorar. Assim acontece exatamente como na experiência mística em geral ou mesmo como acontece na ingestão de algumas substâncias psicoativas quando a mente vem a ter percepções incomuns. As experiências vivenciadas são relativas à evolução da pessoa que medita.
Os estados alterados de consciência não oferecem perigos desde que sejam atingidos mediante uma disciplina adequada como aquela ensinado em algumas "ordens Iniciática”, ou por meio de substâncias de algumas substâncias da natureza. Mas este é um campo perigoso porque existem muitas substâncias de origem vegetal que são tóxicas, ou mesmo capazes de criar dependência e outros danos indesejáveis; contudo existem substâncias vegetais precisas e benéficas capazes de proporcionar estados alterados de consciência sem perigos.
Quando se medita sobre os sephirot e as vias da “Árvore da Vida” sem uma base de conhecimento adequado também podem surgir problemas sérios, por isto é sempre desejável um "mestre capaz" para servir de orientador, não ser quando a própria pessoa já sabe invocar o “Gênio” de cada sephirah.
A meditação sobre a Árvore da Vida sem uma metodologia adequada, quando é contrariado a disciplina asceta devida, ela pode levar a pessoa por caminhos idênticos àqueles em que mergulham as pessoas viciadas em alucinógenos degenerativos ou no jogo de cartas. Afirmamos que nada há de mais dramático para a mente de uma pessoa do que a ingestão de determinadas drogas, mas também não menos perigoso é qualquer tentativa de meditação praticada sem uma orientação segura, especialmente em se tratando do esquema da “Árvore da Vida”. De todos os sistemas místicos o esquema da Árvore, por um lado, pode ser um dos mais sensacionais, mas, por outro lado, também é um dos mais perigosos.
As possibilidade de vivências pela meditação sobre as vias são praticamente infinitas e para se compreender o quão fantástico ela pode ser em número usemos como analogia as notas musicais. Cada nota musical corresponde um sephirah.
Kether = dó
Kjokmah = si
Binah = lá
Kjesed = sol
Geburach = fá
Netzach = mi
Hod = ré
Malkut = dó (Uma oitava abaixo. Início de uma outra oitava.
Quantas variações podem ser feitas com essas notas? - Se somarmos algumas escalas teremos todas as possibilidade que a música nos ofereceu até hoje e que nos oferecerá indefinidamente. Variando as combinações é possível obter qualquer música. Igualmente para a meditação sobre as vias há um número infinito de possibilidades. Damos este exemplo para que seja feito uma analogia entre as variações musicais e as vias de meditação possíveis. A analogia com as notas musicais é interessante porque esclarece perfeitamente o que ocorre no universo. A diferença real entre notas musicais é somente uma questão de freqüência vibratória. Aumentando-se a freqüência uma nota se transforma em outra. Isto é exatamente como tudo aquilo que ocorre no universo.
Para cada sephirah há uma cor, um metal, uma virtude, uma paixão, um planeta, uma nota musical, um gênio, etc.
A relação entre as coisas, em decorrência dessas correspondências, podem ser desvendadas pela meditação sobre as vias.
Cada via tem um " gênio" ou um “governador”. Para cada via há formas especiais de consciência que atuam como verdadeiros guardiãs dos sephirot e das vias. Na meditação isto é muito importante e pode ser perigoso porque praticá-la, sem o conhecimento daquelas energias, passa a ser algo temeroso para aquele que medita.
Não nos aprofundaremos nesta palestra sobre o assunto já que só após estudarmos a respeito das forças elementais e outras expressões de consciência que povoam o universo, as dimensões paralelas, é que o assunto poderá ser devidamente compreendido.
Por enquanto somente deixamos uma advertência: HÁ PERIGOS NA MEDITAÇÃO DESORDENADA SOBRE OS SEPHIROT E AS VIAS DA ÁRVORE DA VIDA"

FIG.1 ( VIAS )
