A S Colunas
" Não é possível atear fogo a uma pilha de lenha encharcada enquanto a madeira não secar um pouco ".
Binah — Geburach — Hod

Numa análise singela da árvore da Vida podemos evidenciar três colunas se sephirot distintos:
KJOKMAH - KJESED - NETZACH
KETHER - TIFERET - YEZOD - MALKUT
As duas primeiras colunas são também conhecidas pelo nome Boaz e Jakin (B. J.).
Em alguns desenhos do esquema da Árvore da Vida em vez daquela forma que já apresentamos há uma outra onde aparecem verdadeiras colunas ( Vide fig. 1). Por esta figura vemos que uma das colunas se chama RIGOR, a outra MISERICÓRDIA e a terceira é designada por EQUILÍBRIO.
Aquela coluna central representa o equilíbrio ou o SABER, pois o homem verdadeiramente sábio é equilibrado. A verdadeira sabedoria gera uma situação de pleno equilíbrio.
Analisemos cada uma das colunas independentemente:
Na coluna BINAH - GEBURACH - HOD, analisando-se as qualidades desses sephirot veremos que todos representam uma certa forma de rigor, pois são ativos, falhos, imperfeitos, predominantemente humanos e, como tal, tanto ou quanto brutais, como o são freqüentemente quase todas as ações do homem.
Todos esses sephirot pertencem ao ser objetivo, fazem parte da mente objetiva e imperfeita do homem. Esta é a razão pela qual em algumas Ordens Iniciáticas, como a Maçônica, por exemplo, aquela coluna recebe o nome de Coluna do Rigor.
Vimos em palestra anterior que os erros humanos geralmente são frutos de atividades voluntárias (Hod), comandados pela vontade conforme as emoções puramente humanas (Geburach) e o raciocínio cerebral ( Binah ), portanto são condições inerentes unicamente à mente cerebral.
Todas as paixões ( Obs: Geburach representa a paixão enquanto Kjesed representa o sentimento ) que normalmente são brutas e imperfeitas são de Geburach por isto são sempre tanto ou quanto grosseiras. De idêntica forma o raciocínio ( Binah ) quando comparado COM intuição (Hokhmah). É pelo raciocínio e não pela intuição que o ser humano a “cria” as coisas más, os instrumentos de guerra, de tortura; os planos de domínio algoz, de rigor e de força. Jamais uma inspiração, uma autêntica intuição, se apresenta maléfica, embora que algumas vezes uma inspiração intuitiva pura está sujeita a ser transformada, ou melhor dizendo, utilizada para fins indignos, mas isto somente acontece pela interferência da coluna da esquerda, da mente humana.
Como exemplo disto temos a experiência citada em tema anterior e vivida por Kekulé. Pela intuição ele descobriu a fórmula dos hidrocarbonetos cíclicos e que a mente objetiva humana em vez de usar a química orgânica para benefício da humanidade em parte a transformou em instrumentos negativos, como tóxicos, munições, armamentos, etc.
Desta forma vemos que na coluna da direita, ( B ) estão as coisas brutais, rigorosas, por isto ela é considera símbolo da força, do rigor. Como o ser humano é uma centelha de consciência pura envolvida por imperfeições e sabemos que ele geralmente se impõe mais pela força, pelo rigor, do que pela misericórdia ou pelas coisas relevantes e sublimes. Usa mais a força da sua inteligência do que a sua intuição, emprega mais as paixões do que as emoções, mais a vontade racional do que os impulsos naturais instintivos...
A história humana sempre foi uma seqüência de manifestações de poder material, de violências, de brutalidades e de imposições pela força. A espécie humana é dura e cheia de arestas que machucam e daí haver ela sido considerada uma pedra bruta, uma pedra não lapidada sempre passível de machucar e ferir. Uma pedra não lapidada que à primeira vista parece grosseira, cheia de arestas que podem ferir, contudo nela reside toda a beleza de uma jóia que um dia emergirá e manifestará sua beleza esplendorosa.
Enquanto isto a coluna Kjokmah - Kjesed - Netzach é perfeita e os seus sephirot não são do espírito envolvido, do ser humano propriamente. Eles estão fora do envolvimento do ser humano com os erros. Vemos que todos os sephirot daquela coluna pertencem à parte divina da natureza dual do homem e são elementos constitutivos da mente transcendental ou, como preferem dizer algumas doutrina: São capacidades integrantes do Eu Maior.
Aqueles sephirot representam condições que existem no homem mas que provém da sua essência, isto é da sua Centelha Divina. As inspirações, as emoções profundas e as atividades involuntárias e instintivas dos seres não são produtos da estrutura biológica e do espírito maculado, e sim de algo que lhe transcende. Por esta razão são considerados sephirot divinos e perfeitos. Neles tudo é certo, tudo é suavidade, bondade, amor, dádiva, perfeição e misericórdia divina.
Para se comprovar que aquela coluna è perfeita basta observar como uma célula germinal se desenvolve com uma sabedoria infinita até constituir um ser complexo. Ver como nele tudo se desenvolve dentro de um padrão maravilhoso de harmonia em todos os sentidos. Sente-se como o instinto dos animais é perfeito e como, graças a ele, aqueles seres tidos como inferiores na escala biológica podem muitas vezes perceber coisas bem antes dos mais sofisticados instrumentos técnicos. Tudo isto é a manifestação de Netzach.
Quanto é bela a emoção profunda que uma mãe devota pelo seu filho e isto e puramente emoção ao nível de Kjesed. Quanto é grandioso uma intuição que ao se manifestar, mesmo que por alguns segundo, leva o ser àquela condição que os santos referem-se e os místicos praticam, o êxtase!
Nenhuma beleza compara-se àquela de um êxtase e isto nada mais é do que um estado de percepção superior através dos sephirot da coluna J que leva o homem a superar as suas imperfeições. Eles fazem aquele diamante grosseiro e irregular perder todas as suas incrustações e se tornar à pedra plenamente lapidada, um brilhante de refulgente beleza, a gema plenamente lapidada de J.
Do aniquilamento do Ego surge o ser divino e na manifestação plena da mente subjetiva refulge a personalidade essencial da alma.
Vimos igualmente, em palestras anteriores sobre os diversos sephirot, que o ser humano não deve pender para os extremos de cada bipolo. Conseqüentemente podemos tirar uma conclusão imediata: O ser humano deve se pautar num ponto eqüidistante entre as duas colunas. Por ser eqüidistante dos extremos é que na Árvore da Vida vamos ter alguns sephirot formando uma terceira coluna situada entre as outras duas e que é denominada Coluna da Sabedoria.
Cada bipolo é como o braço de uma balança que deve permanecer em perfeito equilíbrio. Por isto aquela terceira coluna é chamada coluna do equilíbrio ou da sabedoria, pois o sábio é equilibrado porque ele sabe que deve se manter eqüidistante das situações extremas. Aquele equilíbrio se faz sentir de um modo peculiar. Na Árvore da Vida a coluna da direita equilibra a da esquerda e vice-versa. Uma é essencialmente ligada à mente cerebral e a outra à mente transcendental. Enquanto isto a coluna do meio é dual, ela se liga ao mundo inferior ( Tríade Inferior e ao subjetivo transcendental).
A coluna do meio é ambivalente e equilibrada em si mesmo ao nível de Tipheret, pois a sua parte material -Yezod e Malkut - é compensada pela sua parte transcendental - Daat e Kether.
Podemos sentir, graças ao estudo da “Árvore da Vida", o quanto é importante o equilíbrio que deve ser mantido entre a nossa natureza material e a transcendental. Igualmente é fundamental o desenvolvimento da mente cerebral afim de que a transcendental possa se manifestar com mais eficiência.
A vida perfeita deve ser atingida pela perfeita harmonização entre as duas naturezas do ser. A luta deve ser estabelecido no sentido de diminuir a asfixia que a parte humana da mente impõe ao indivíduo. Esta luta equivale à tentativa de " polir a pedra bruta", como preceitua a Maçonaria. É fazer com que a gema autêntica possa se manifestar após o equilíbrio entre as duas colunas.
da existência de uma segunda coluna dentro de si, uma segunda mente muito mais perfeita do que aquela de que se tem ciência. De uma mente mais perfeita porém não muito efetiva para atuar no mundo material, isto porque o mundo material não é o mundo próprio de sua essência imaterial.
Somente freando o componente humano da mente (poderíamos de um certo modo dizer: mente cerebral) por meio de uma disciplina razoável pode-se dar acesso à mente transcendental e assim estabelecer uma harmonia de ação entre as duas que constitui o espírito encarnado.
Nossa peleja para atingir a condição evolutiva, a condição de Adepto ou de Iniciado exige o estabelecimento de um equilíbrio entre as duas colunas e a possibilidade também da atuação da mente transcendental de uma forma predominante.

Fig. 1 ( Outra representação da Árvore da Vida com as colunas)
A libertação total da mente transcendental em vida é algo utópico pois envolve a necessidade de um total aniquilamento do Ego e isto somente é atingido por um percentual mínimo de pessoas, desde que aquela condição equivale à libertação do jugo das reencarnações e a conquista que chamam os Induz, o Nirvana, ou seja a volta à origem.
