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A Árvore da Vida e o Ser Humano

Tema 0.013 · Temas Básicos · 3 364 palavras · cerca de 22 min

“Quando se aprende, tudo parece fácil, o difícil é o aprendizado".

Ilustração do documento original

O esquema da Árvore da Vida pode ser aplicada a qualquer coisa existente. Em outras palavras, qualquer coisa pode ser graficamente mostrada em sua natureza íntima por uma “Arvore da Vida”. Assim, nesta palestra vamos mostra-la aplicada ao ser humano de uma forma lata.

Já vimos que a creação se efetiva segundo um sistema sétuplo esquematizado sob a forma de “Árvore da Vida”. Esse esquema é essencial em todas as formas creadas, quer sejam condições abstratas ou concretas. Uma “Árvore da Vida" pode ser aplicada tanto à creação como um todo quanto a qualquer fração dela. Nesta palestra aplicaremos o esquema aos seres humanos.

Um sistema qualquer só pode perdurar se ele for estável pôr isto é que a estabilidade, o equilíbrio deve estar presente quer nas estruturas materiais quer nas reações psíquicas e espirituais. Nesta palestra estudaremos exatamente o equilíbrio do ser humano à luz da "Árvore da Vida".

O desenvolvimento espiritual harmonioso depende do equilíbrio, em cuja busca a pessoa deve pautar sua existência terrena de forma correta; isto faz com que seja importante se conhecer o como se estabelecer o equilíbrio físico/psíquico/emocional no indivíduo. Qual é então o equilíbrio que deve existir na conduta humana par que o espírito possa cumprir fielmente a finalidade a que está destinada na vida? - No Budismo vamos encontrar citações ao "caminho do meio" que só podem ser mais bem entendidas com o conhecimento da "Árvore da Vida".

Vivemos num mundo de dualidades. É o bem contra o mal, é o conhecimento contra a ignorância, é Deus contra o diabo, e assim por diante. Nos mais antigos livros já vamos encontrar essa dualidade diabo / Deus expressa nos ensinamentos de Zaratrusta como Ariman e Ozmud, dois princípios opostos.

Nesta palestra não vamos analisar os princípios dos opostos, pois o faremos na palestra "O Enigma do Mal e do Bem". Quem conhece o simbolismo do número dois não pode falar dessa de mal como algo absolutro, pois mal e bem são mera condições oposta de uma mesma coisa.

Geralmente nos defrontamos com certas situações que nos parecem paradoxais. A criatura humana, em dado minuto, parece ser um tipo de pessoa e num momento seguinte um outro completamente diferente. Assim é que vemos, muitas vezes um indivíduo que a sociedade chama “marginal" e que é capaz de exercer atos terríveis, em certos momentos agir de forma contraditória arriscando a própria vida para salvar uma outra. Aquele ser que se julga incapaz de gestos humanitários pode em certas ocasiões entrar num incêndio para salvar uma criança e mesmo um animal à custa da sua própria vida. Outras vezes vemos criaturas consideradas altruístas serem capazes de carregar um grande número de criaturas sobre os seus ombros, se comportarem como feras acuadas.

Muitas vezes um compositor cria músicas deslumbrantes que nos transportam para mundos inefáveis e como é curioso notar que o autor de coisas tão celestiais, tão sublimes, que denotam uma sensibilidade maravilhosa, muitas vezes age como uma criatura irascível, violenta e cheia de vícios tremendos. Não é fácil, portanto, compreender como alguém tão sensível apresentem tenha tantas falhas de caráter.

Na interpretação de casos assim, os psicólogos falham completamente e começam a tentar uma série de justificativas falando de complexos e mais complexos existenciais, rebuscando no passado do indivíduo as razões para tipos de conduta aparentemente anômalos, contudo sem que obtenham resultados suficientemente convincentes. Parece ser mais fácil prever o padrão de comportamento de um animal do que o de um ser humano.

Os adeptos da reencarnação da alma vão mais longe do que os psicólogos acadêmicos, pois procuraram encontrar as razões em encarnações anteriores, mas isto se torna difícil por não se saber muitas coisas sobre encarnações anteriores e mesmo quando um caso e completamente elucidado nem mesmo assim se encontra razão de certos paradoxos de conduta.

Pela lógica, um poeta, um eminente cientista, um pintor, ou um compositor, nunca poderiam ser desumanos. Mas, também neles encontramos as duas coisas conflitantes: virtudes e vícios.

Quantas vezes dizemos que alguém se deixou levar pelo coração, indicando que ele deixou superar a própria razão pelo sentimento! Disto resulta a afirmativa de que o equilíbrio da conduta do ser humano deve estar num meio termo, entre o coração (emoção) e a razão (Intelecto). Porém a coisa não é tão simples assim, o equilíbrio não reside neste binômio coração razão, porém em algo mais complexo onde estão retratados exatamente todos os padrões de comportamento dos seres.

Nesta palestra vamos mostrar a aplicabilidade da “Árvore da Vida” no estudo do comportamento dos seres vivos. Na fig. 1 temos o esquema em que estão assinalados os 11 sephirot[1] e as linhas que ligam cada um sephirah.

Ilustração do documento original

Figura 1

Segundo a Cabala este esquema gráfico permite um estudo analógico entre todas as coisas que existem, pois nele estão contidas todas as leis que governam o Universo.

MALKUT

Aplicado aos seres vivos este Sephirah representa o corpo físico como estrutura anatômica. Evidentemente os seres vivos em geral e o homem em particular não são unicamente corpo físico. Um ser vivo difere muito de uma simples estrutura, pois ele pode ter movimentos, pode se reproduzir e exercer uma série de atos conscientes e voluntários. Daí se dizer que o corpo de um animal superior está animado de processos voluntários. Logo um ser vivo um tanto evoluído na escala biológica apresenta claramente atividades voluntárias e disto já resulta um grande caráter diferenciativo entre ele e uma simples estrutura anatômica – Malkut.

H O D

Para representar os processos animados, os processos voluntários, a “Árvore da Vida” tem um “Sephirah" denominado HOD que se situa no ângulo esquerdo do triângulo inferior apresentado no esquema.

É evidente que sem uma estrutura anatômica não poderiam existir atividades autônomas, processos de atividades voluntárias, por isto HOD não pode existir sem MALKUT e este sem aquele seria apenas uma estrutura morta. Assim sendo há uma ligação entre esses dos elementos.

NETZACH

Os seres, mesmo que tenham uma série de processos voluntários eles têm, de forma ainda mais marcante, atividades independentes da vontade e por isto denominados processos involuntários. Por exemplo: os cabelos crescem independentemente da nossa vontade, a digestão se processa, o coração bate, as glândulas funcionam e mais uma infinidade de outras atividades ocorrem sem a participação da vontade consciente do indivíduo. Os processos involuntários estão diretamente ligados ao corpo e para representá-los existe um Sephirah denominado Netzach que fica localizado no ângulo direito do triângulo inferior.

Tal como os processos voluntários, os involuntários também não podem existir sem o corpo, portanto Netzach não pode existir em Malkut por isto no esquema existe ligação entre estas.

Todos os processos involuntários do ser vivo estão ligados ao corpo físico por isto Malkut aparece ligado à Netzach e também aos processos voluntários Hod.

O homem caminha em busca de alimentos (processo voluntário) e ao ingerir o alimento ocorre um processo involuntário, a digestão. Assim vemos que Hod e Netzach se interligam.

Alguém que voluntariamente deixasse de ingerir alimentos (ação voluntária) acabaria por fazer cessar a digestão (processo involuntário). Assim sendo se faz preciso uma forma de equilíbrio entre estes dois tipos de processos representados por Hod e Netzach. Comer excessivamente (processo voluntário) desequilibra o organismo do mesmo como acontece se a digestão (processo involuntário) for interrompida de alguma forma. Assim sendo deve se fazer presente uma situação de equilíbrio entre os Sephirot HOD / NETZACH.

Malkut - Hod - Netzach perfazem o triângulo básico da vida mais elementar na escala biológica. Os chamados seres inferiores da escala biológica vivem predominantemente neste triângulo inferior. Toda sua vida praticamente consiste em corpo físico, processos voluntários e processos involuntários e a predominância de um ou de outro elementos é que em parte diferencia os diferentes gêneros de seres biológicos. Existe seres que aparentemente nem apresentam atividades voluntárias, toda a sua existência se manifesta como Malkut e Netzach.

GEBURACH:

No homem, e em muitos outros seres vivos, existe algo mais do que corpo físico, processos voluntários e processos involuntários. Há processos que parecem não depender do corpo, que existem com ele, mas não nele. Como exemplo podem ser citados as emoções e os sentimentos. Exatamente aquilo que se quer dizer quando se fala de qualidades do coração, não do coração órgão, mas do coração emoção.

Todas as pessoas sentem emoções por uma causa, aceitam-na porque a julga justa e a ela se liga emocionalmente. Tais pessoas movidas pela emoção sentidas traçam planos. Se uma emoção for de bondade a pessoa pode traçar um plano de atividade através de uma obra benemérita a fim de efetivar aquilo que sente.

Aqui, muitas vezes, pode surgir um paradoxo de atitude, pois um plano benemérito quando ameaçado, o seu idealizador pode se tornar agressivo e agir de maneira tão absurda que o plano, inicialmente construtivo, pode se tornar destrutivo. Temos um exemplo típico disto no próprio cristianismo. Estruturado pelos primitivos adeptos de Jesus visando à evolução do ser humano, quando houve algum tipo de contestação o Catolicismo, não titubeou em criar os tribunais de inquisição de triste memória, acarretando a destruição de milhares de vidas inocentes. A pessoa, muitas vezes, age desta maneira paradoxal, ela planeja uma obra que tem que ser levada a acabo à qualquer preço. É uma emoção aquilo que faz despertar o interesse em criar algo útil para o semelhante, mas que pode se transformar em outra coisa, em algo completamente inverso, inútil e mesmo daninho.

Às vezes a emoção cria um partido político cuja meta é trazer melhor padrão de vida para um povo, mas, de um momento para outro, o partido se torna mais importante do que o próprio povo para o qual ele foi criado e assim se torna uma máquina de terror.

Este tipo de emoção é puramente humano e está representado na “Árvore da Vida" por um Sephirah chamado Geburach.

KJ E S E D (Hesed)

Existe um outro tipo de emoção bem mais sutil e profunda configurada por uma mensagem interior maravilhosa. É um tipo de emoção que não permite violações nem alternativas, manifestando-se em diferentes momentos de estados emocionais indescritíveis, que brota de dentro do ser. Ela surge espontaneamente e difere daquela outra emoção exterior programada e representada na árvore da vida por Geburach. Representa a emoção de bondade das pessoas santas, é aquela que, muitas vezes, ao se manifestar, faz sentir alegria, e às vezes tristezas, sem que se saiba o porquê. Este tipo de emoção está assinalado na árvore pelo Sephirah denominado Kjesed. Ele se apresenta quando aquela emoção interior se faz sentir. É, por exemplo, quando um marginal contraria a sua norma habitual e age paradoxalmente demonstrando atos de bondade incríveis.

Há, portanto, dois tipos de emoções. Um factível de violações e outro não. Estes dois tipos de emoções diferentes formam um eixo onde, numa das extremidades, se localiza a emoção exterior, as chamadas emoção humanas, que ocupa a Sephirah GEBURACH e na outra extremidade a emoção interior, divina, que ocupa a Sephirah KJESED.

Pela emoção exterior a pessoa está sujeita a ser um marginal, mas como ele possui também a emoção interior (Esta emoção interior está diretamente ligada à Centelha Divina da pessoa) quando esta se manifesta podem então ocorrer gestos de bondade imensos.

É indispensável dizer que também deve haver um perfeito equilíbrio entre essas duas polaridades: Geburach / Kjesed.

Até agora a árvore já conta com Malkut, Hod, Netzach formando um triângulo que se liga à Geburach e à Kjesed. Esta ligação existe, pois as emoções evidentemente se ligam aos processos voluntários e involuntários. Uma pessoa pode ter uma emoção, pode programar algo em torno dela e em seguida exercer atividades físicas para a execução do programa. Igualmente uma emoção qualquer pode despertar atividades involuntárias. Isto é o que acontece quando após uma emoção o coração acelera.

Uma emoção profunda, aquela que se sente sem necessitar de qualquer elaboração racional que surge bruscamente (Kjesed) muitas vezes pode determinar uma série de modificações nos processos voluntários (Hod). Isto é a base da Psicosomática. A emoção pode agir sobre a digestão, sobre o aparelho circulatório, etc., devido a união Kjesed - Geburach.

A hiper-atividade de Geburach pode originar um fanático político, um fanático religioso, ou mesmo um criminoso se a interferência da emoção profunda (Kjesed) não se fizer presente. Com a exacerbação de Kjesed ocorrem os “santos homens”, as pessoas excessivamente emotivas e sentimentais. É fácil se compreender por que uma criatura somente bondade não pode ser estável. Ela será sempre uma vítima, se torna marginalizada, um excêntrico, um esquisito. Igualmente acontece numa exacerbação de Geburah está sujeito a surgir, então, o algoz. Por conseguinte deve haver também um equilíbrio entre os dois tipos de emoções, pois a predominância de um dos extremos pode ser perigoso para o indivíduo. Muitos seres mantêm as suas atividades neste triângulo acoplado a um bipolo.

A ciência nega a capacidade emotiva dos animais. Para ela somente o homem tem emoções, e muitas religiões insistem no mesmo erro. Isto aparece ser diferente, pois temos exemplos de animais que apresentam emoções visíveis, entre estes o cachorro. Quantos cães apresentam um estado de alegria ou de tristeza? Há casos em que o cachorro chega a morrer quando perde o seu dono?

A teoria dos reflexos condicionados não responde a tudo. O que verdadeiramente acontece e que muitos seres têm as emoções atenuadas, menos manifestadas do que nos humanos, mas não completamente ausentes como querem nos fazer acreditar.

Ilustração do documento original

Fig.2

BINAH / KJOKMAH

O homem não é somente constituído de corpo, processos voluntários e processos, involuntários, emoções exteriores e interiores. Ele tem também aquilo que se pode chamar capacidade intelectiva, ou seja, raciocínio – intelecto. Independentemente de ter emoção o homem pensa, analisa e cria uma série imensa de coisas.

Há uma razão consciente, um raciocínio programado que ocupa um Sephirah na “Árvore da Vida” denominada BINAH.

Analisemos o seguinte: Num laboratório de pesquisa alguém programa descobrir algo a partir de bases lógicas e racionais. Isto é BINAH. O Projeto Mahatan, por exemplo, que levou os Estados Unidos à conquista da bomba de fissão nuclear, pode ser citado como essencialmente um projeto BINAH, pois foi programado aquilo que se pretendia obter. No campo da pesquisa é muito comum um cientista se esforçar de forma racional para um determinado fim por anos a fio sem, muitas vezes, chegar a resultados apreciáveis. Então, num certo dia, muitas vezes quando ele julga tudo inútil, seus esforços inesperadamente são corados de êxito, ele sente o "estalo" e descobre aquilo que tentou sem resultados por tantos anos. Isto acontecer com F. Kekulé, o descobridor das cadeias cíclicas dos hidrocarbonetos. Durante muitos anos ele tentou determinar a fórmula estrutural de uma série de compostos orgânicos sem chegar a resultados. Ele não conseguia distribuir os átomos adequadamente e o problema parecia-lhe insolúvel quando ele tentava de todos os modos chegar a um resultado funcional por meio de um sistema de configuração linear. Certa noite, porém, ele sonhou com uma cobra que mordia a própria cauda e isto foi o que faltava para ele atingir o objetivo almejado. Ao acordar ele fechou no desenho a cadeia linear de átomos de carbono o que possibilitou descobrir o que pretendia, a estrutura dos hidrocarbonetos cíclicos.

Uma série imensa de cientistas poderia ser citada cujas descobertas demandaram anos de esforços conscientes, de elaboração do intelecto exterior (BINAH) sem a obtenção de resultados apreciáveis, mas que inesperadamente, surgiram as soluções desejadas como que num relâmpago, numa fração de segundo.

Um escritor fica anos sem conseguir escreve algo bom e de um momento para outro ele tem a necessária inspiração para criar a sua obra imortal. Muitas vezes é assim que ele realiza a sua mais importante obra. Igualmente acontece com os compositores, com os pintores e artistas em geral. Este dom recebeu até o nome especial de “musa inspiradora”, mas, para os cultores da Cabala isto representa a manifestação de Hokhmah, ou sabedoria – a polaridade divina do intelecto.

Há grandes lances de genialidade apresentados na vida de pessoas famosas que podem ser explicados através do papel de Kjokmah.

No estudo do Zen-Budismo vamos encontrar referência à manifestação de Kjokmah num estado psíquico que é denominado "Saber" e que é o oposto de "pensar". No Zen, pensar é Binah e é um processo mental ativo, enquanto "saber" é passivo, receptivo, portanto corresponde a Kjokmah.

Certa vez o grande músico Mozart subitamente foi envolto por uma das suas composições enquanto cochilava.

Os trabalhos recentes no campo da psicologia profunda vem demonstrando que estes estados especiais criativos da mente ocorrem exatamente nos momentos em que no traçado eletro-encefalográfico se manifestam as ondas “teta”.

Atualmente o mundo ocidental tem se voltado para a educação da mente, para certas capacidades mentais atenuadas e que se manifestam quando o cérebro entra num padrão de Ondas Alfa. Hoje há cursos e mais cursos que procuram desenvolver a capacidade de imergir em Alfa com inúmeras finalidades.

O estado Alfa representa um certo nível de atenuação da coluna da esquerda, da mente objetiva, do lado humano da “Árvore da Vida. O verdadeiro mergulho no nível mais profundo da mente não é possível através do estado Alfa, mas sim do estado Teta. Teta ocorre espontaneamente nuns poucos segundos antes da pessoa adormecer. Com treinamento adequado esse espaço de tempo pode ser bastante mais vasto. Isto é o que acontece com certos iogues que penetram num estado contemplativo fabuloso em certos momentos de meditação”.

Teta é uma abordagem mental direta de Kjokmah, a fonte da inspiração divina, quando o traçado eletro-encefalográfico revela ondas de 8 a l3 ciclos por segundo.

Enquanto o bipolo GEBURACH / KJESED representa as "qualidades do coração", o bipolo BINAH / KJOKMAH corresponde às "qualidades da razão”.

O intelecto humano (inadequadamente chamado intelecto exterior) está ligado à emoção humana (exterior), pois um plano de criatividade consciente pode determinar um plano de ação exterior. Portanto BINAH no esquema da “Árvore da Vida” está ligado à Geburach.

KETHER:

Coroando a estrutura da “Árvore da Vida” encontra-se mais um ponto, muitas vezes citado como a Coroa. É um Sephirah que a rigor não pode ser propriamente considerado humano. Ele está na origem de tudo, corresponde à "Partícula Divina", à parcela de Deus que todos os seres têm si, a parte divina do homem e como tal ela é perfeita e é dela que tudo emana e se propaga.

Dizem os cabalistas que essa propagação se processa em forma de raio que partindo de Kether chega até Malkut.

Tanto o intelecto consciente Binah quanto o intelecto Divino Kjohmah se ligam se diretamente a Kether, pois a Centelha Divina se manifesta através desses dois tipos de intelecto, especialmente através de Kjokmah.

Uma intuição – Kjokmah – quando surge logo ela é trabalhada pela razão, pela razão intelectiva – Binah - indicando que estes dois tipos de intelecto estão ligados entre si. Disto resulta o triângulo superior da árvore, ou Tríade Superior da “Árvore da Vida”.

Tanto uma elaboração intelectiva humana quanto uma exterior é capaz de despertar emoções e atividades voluntárias e involuntárias, por isto há ligação entre este triângulo com o bipolo Kjesed / Geburach. Assim fica parcialmente formado o gráfico da “Árvore da Vida”.

Evidentemente outros pontos existem e que constam da Fig. 1 e que serão oportunamente analisados.

Assim vemos que não é a estrutura física, o arcabouço anatômico que constitui o ser humano, pois além do corpo ele tem atividades voluntárias e atividades involuntárias, tem emoções de dupla natureza e também inteligência dual e, ainda mais, ele tem também aquilo que lhe dá a vida, que o anima, que o torna vivo pela força vital que é emanada de uma partícula transcendental.

Assim está completa a “árvore” em seus pontos principais formando aquela estrutura (fig. l). Vemos, pois, que o homem é dual em sua natureza. Ele tem uma natureza bem grosseira, caracterizada pelos Sephirot da coluna esquerda da “árvore”, e uma divina caracterizada pelos Sephirot constitutivos da coluna direita. Ambas têm origem em Kether a partir de onde se separam (Separação) formando Kjokmah e Binah, formando duas colunas que voltam a se unirem em Malkut.

“ASSIM COMO É EM CIMA É EM BAIXO”

Ilustração do documento original

Notas

  1. No singular Sephirah e no plural Sephirot. ↑