Aspectos da Natureza do um
" O eterno silêncio desses espaços infinitos me espanta ". 1 9 9 4
Blaise Pascal



Tudo dentro da Creação tem característica descontínua. A estruturação da matéria é basicamente descontínua, ela está organizada em átomos que por sua vez estão organizados em partículas, e estas em sub-partículas. As formas clássicas de energia não fogem a regra, são descontínuas também. Quando traçamos uma linha com um lápis a aparente continuidade decorre da tremenda limitação dos órgãos dos sentidos; a visão não percebe a descontinuidade, mas se colocarmos o traço numa simples lupa já se vê que há descontinuidade. Uma partícula da superfície é atingida pela tinta e outra não e ao mesmo tempo a tinta ou grafite se mostrara como uma sucessão de grumos separados entre si. Se observarmos o mais perfeito dos cortes praticados basta que o campo seja ampliado para que ele não será mais visto como contínuo. Numa análise de algo seccionado até o nível mais íntimo da matéria ver-se-ia que o corte ao nível dos átomos seria interrompido, e mesmo que numa condição praticamente impossível se o corte chegasse a seccionar os átomos não seccionaria as partículas, passaria entre uma e outra, e se chegasse a seccionar a partícula não faria o mesmo com as subpartículas e assim por diante. Assim são os sons e todas as coisas creadas. Isto acontece porque a creação significa desdobramento e desdobramento é em essência descontinuidade. Ao ser creada, qualquer coisa sempre representa um desdobramento de uma outra. Mesmo na creação primeira aquilo que é UM se desdobra formando o DOIS. Em essência, creação pode ser entendida como desdobramento do UM. Na creação das coisas algo deixa de ser UM para se tornar múltiplo.
A corrente elétrica não é fluxo contínuo, ela nada mais é do que o fluir de um turbilhão de elétrons que são partículas, portanto algo descontínuo. Vejam que em todas as manifestações da natureza sempre está presente a descontinuidade. Não somente a corrente elétrica, mas todas as formas de energia conhecidas são descontínuas.
A luz que conhecemos – luminosidade – é descontinua, ela se apresenta como uma sucessão incomensurável de fótons. De todas as manifestações de energia conhecidas pela ciência a que mais se aproxima da continuidade é, sem dúvida, a luz, mas mesmo assim ela ainda é descontinua por isto de certa forma ainda se manifesta condicionada ao tempo do observador.
Vejamos agora o “tempo”. Pensemos num momento qualquer, suponha a meia noite. Quando é que realmente é zero hora – meia noite? Por mais que tentemos não podemos conceber um momento em que se possa dizer aqui é hoje e aqui é amanhã. A "virada" de um para o outro dia é essencialmente convencional, é algo ligado à descontinuidade dos relógios e quaisquer outros medidores de tempo cronológico. Não há ponto algum de separação entre um segundo e outro, essa condição pode ser dividida até o infinito. O limite é o Infinito. Na realidade a mudança de tempo, a cronológica é algo totalmente convencional, não existe separação de unidades de tempo porque simplesmente as unidades de tempo não existem, e não existem porque o tempo é continuo. Somente dentro da creação é que ele se apresenta em descontinuidades – tempo linear – que não são descontinuidades do tempo, mas da percepção e dos meios de registro. Uma coisa continua não apresenta frações.
A mesma coisa se pode ver com relação ao espaço. Não existem subdivisões possíveis no espaço. Um determinado espaço pode ser dividido, dividido, dividido e assim eternamente sem que jamais se atinja um ponto em que se diga: aqui existe uma separação. Isto acontece porque no espaço há um limite imposto pela percepção.
Na realidade existem diversas coisas continuas, mas com certeza tudo aquilo que for continuo é UM e sendo UM é um aspecto na natureza do Poder Superior.
Em outras palestras dissemos que tudo aquilo que for onipresente, onipotente e onisciente deve ser considerado com "faces de Deus". A própria igreja católica sempre afirmou que Deus é onipotente, onisciente, e onipresente.
O Continuum é Deus – o increado – e o descontínuo é a creação. O descontinuo teve e tem inicio, teve e tem fim, mas o continuo jamais; ele é eterno, é infinito e tudo que é infinito é Deus. Eis outra face de Deus: A Infinitesimalidade.
Agora vejamos o seguinte: Se tocarmos um ponto de uma das nossas extremidades físicas a mensagem percorre os nervos e demora certo tempo para chegar até o cérebro e ali ser convertida em sensação e ser conscientizada. Algo que os olhos registram leva certo tempo para ser registrado no cérebro e assim também todos os registros dos sentidos físicos. O mesmo acontece fora do corpo. O som precisa de tempo para ir de um ponto a outro. Tudo na natureza parece ser assim. Qual a razão disso? - É exatamente uma decorrência da descontinuidade, uma mensagem qualquer, uma condição qualquer se propaga passando de uma unidade para outra sucessivamente. Cada passagem é um registro no tempo e conseqüentemente transcorre tempo (cronológico).
Agora suponhamos algo que fosse UM, que não fosse um aglomerado de unidades constitutivas. Pensemos se o corpo fosse continuo, fosse uniforme, uma estrutura que não fosse nem ao menos constituída de átomos ou de partículas. Tocando-se num ponto qualquer dessa hipotética estrutura tudo ocorreria instantaneamente, mensagem alguma levaria tempo algum para estar presente na estrutura como um todo.
Se não houvesse partículas no espaço, qualquer manifestação seria instantânea para o todo. Se o Universo fosse contínuo, por maior que ele fosse, algo que ocorresse num ponto seria instantaneamente registrado no seu todo. Como o Universo foi creado e tudo que é creado é descontínuo, constituído por miríades de partículas, conseqüentemente ele é altamente descontínuo. Disto decorre a existência do tempo cronológico – tempo linear –, quase todas as ocorrências que nele se passam necessitam sempre do “fluir de tempo”. Mas, como isto é algo que não é muito fácil de ser descrito com palavras, é importante que se tente chegar à sua compreensão pela consciência.
Pelo que dissemos se podem compreender algumas doutrinas quando se referem a Gênesis e dizem que com a Expansão foi criado o espaço e o tempo. No continuum não há espaço a ser percorrido e como não há espaço a ser percorrido não há fluir de tempo. Com a creação o continuum se torna descontinuum então há o que ser percorrido e conseqüentemente tempo para que isso seja feito. Entenda-se porque se diz que o tempo na sua essência não flui, porque no sentido cósmico não existe o antes nem o depois. Aquilo que consideramos o passar do tempo nada mais é do que uma sucessão de coisas ou eventos diante do tempo.
Uma mensagem qualquer para se propagar, seja em que meio for fora do UM, sempre se faz numa incomensurável sucessão. É como uma corrida de bastão em que um corredor cumpre parte da tarefa, corre um tanto e entrega o bastão para um outro e este para um seguinte e assim sucessivamente. Se tal não fosse uma coisa chegaria ao seu destino no mesmo instante por mais longo o espaço a ser percorrido. De certa forma podemos entender que nem sequer existe espaço algum entre as localizações no continuum. Não há tempo transferido e nem espaço percorrido, então espaço e tempo é uma coisa só, adimensional e atemporal. Isto representa o UM, portanto uma das faces de Poder Superior. Como UM, nele não há espaço e nem tempo por isto ELE está presente em todas as localizações ao mesmo tempo e em todos os momentos em todas as localizações, assim passa a ser o próprio tempo e o próprio espaço.
Agora vamos revelar que a “Luz” Primordial – Fohat – a gênese da própria energia e existe antes da estruturação de qualquer partícula e até mesmo dos fótons, ela é una, não tem partes constitutivas, não é um aglomerado de partículas. A luminosidade é constituída de fótons, portanto nela há partículas fazendo com que seja descontinua, conseqüentemente está ainda, de certa forma, condicionada a tempo e espaço, enquanto a luz primordial[1] é UNA porque não é corpuscular, é uma coisa uniforme até o infinito. Sendo assim ela está presente em todo o universo, desligada de espaço e tempo. Tudo que ocorra nela é registrado no exato momento, seja em que ponto for do universo.
Após o NADA se manifestar, ou seja, após a união RA/MA se efetivar surgiu o Universo inicialmente inundado pela Luz Primordial, pela energia essencial oriunda de Fohat compondo a primeira manifestação de Prakriti constituinte de todas as coisas. Antes da creação não havia a luminosidade, mas sim algo que muitos denominam de “Luz Essencial”, a matriz geradora de tudo quando há, da própria energia de máxima vibração que se consubstanciou gerando os elementos e deles as partículas permitindo o surgimento da luminosidade – claridade.
COMO É MAGNÍFICO PODERMOS ENTENDER UM TANTO DA ONIPRESENÇA DE DEUS
Mas, a Luz Primordial não se consubstanciou em sua totalidade, mas apenas uma parte ínfima. Assim a sua quase totalidade existe permeando tudo o que foi creado. Por isso é que a ciência diz que os espaços "vazios" entre os sistemas cósmicos são imensamente maiores do que as próprias estruturas existentes, que o espaço entre as galáxias é algo extremamente maior e que o "vazio" compreende a quase totalidade do próprio espaço. O mesmo a ciência diz a respeito dos átomos, o espaço existente entre as partículas e se comparado com as próprias partículas ele é infinitamente mais amplo. A mesma proporção de "vazio" existe entre as sub-particulas. Mas, o que a ciência não diz é que o “vazio” na realidade é “preenchido” por algo que a Metafísica Mística considera como sendo a Luz Primordial.
Afirmamos que, até a própria ciência está distante de pressentir que isto é apenas o que se refere às possíveis estruturas existentes – existência positiva – ou seja, ao mundo material, pois a Luz Primordial, aquela energia sutil primordial não apenas se consubstanciou naquilo que a ciência concebe, mas ela também tomou outros aspectos; outros planos paralelos foram estruturados e que são imateriais, como também aquilo que chamam de plano Astral. Esses planos e subplanos são em número muito elevado.
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Notas
Não confundir a Luz mencionada nos textos místico-religiosos com a luz claridade, que ilumina as coisas. ↑